A quarta edição do Garimpo Urbano acontece neste sábado, 19 de setembro, das 10h às 22h, no Centro Cultural Leny de Oliveira Zurita, em Araras. São mais de 170 expositores confirmados em um evento que mistura vendas, trocas e desapegos com gastronomia, música, dança, circo e atividades para toda a família. A entrada é gratuita e o espaço aceita animais de estimação. As informações são do portal Repórter Beto Ribeiro.

Criado em 2025 e realizado duas vezes por ano, o Garimpo Urbano virou rapidamente um dos eventos mais movimentados da agenda cultural da cidade. A edição de maio recebeu público rotativo superior a 3 mil pessoas, um número alto para uma feira de rua em uma cidade do porte de Araras, e a organização repete o formato agora com programação de palco que vai do forró ao folk metal.

O que é o Garimpo Urbano

O nome explica a proposta: garimpar, entre dezenas de bancas, aquela peça de roupa, o disco, o móvel ou o objeto que ninguém mais tem. A base do evento são os brechós e os desapegos, o comércio de itens usados e de segunda mão que cresceu no Brasil inteiro nos últimos anos, puxado por preço, pela busca por peças únicas e por uma preocupação crescente com o descarte de roupas e objetos ainda bons.

Ao redor desse núcleo, a feira agrega artesanato, produtos autorais, gastronomia e uma programação artística que ocupa o dia todo. É o formato conhecido como feira criativa, que junta pequenos empreendedores, artistas locais e público em um mesmo espaço público e, por isso, costuma ser barato de produzir e rentável para quem expõe.

A programação do palco

A música começa às 13h com Barbosa Sanfoneiro. Às 14h30 sobe ao palco o Fruto Jatobá, com forró de rabeca. Às 16h30 é a vez do rock, com a Banda Rogue. Às 18h acontece o cortejo e o espetáculo Cada Um é Um, de circo-teatro, pensado para reunir crianças e adultos. Às 19h30 o Lóchrann apresenta seu folk metal e, às 21h30, o Forró Matutos fecha a noite.

É uma grade que alterna gêneros de propósito: forró tradicional para o público da tarde, rock e folk metal para o fim do dia, e um espetáculo circense no horário em que as famílias estão no espaço. Quem quiser aproveitar o dia inteiro tem quase doze horas de feira e seis atrações diferentes sem pagar ingresso.

Por que 170 expositores é um número importante

Para os expositores, o Garimpo Urbano é uma das poucas oportunidades na cidade de vender diretamente para milhares de pessoas em um único dia, sem loja física e sem custo fixo. Boa parte das bancas é de moradores de Araras e da região que vendem de forma esporádica: roupas que não usam mais, coleções, produtos feitos em casa. Outra parte é de pequenos negócios que vivem de feiras e usam o evento para ganhar clientes fixos.

Multiplique 170 bancas por um público rotativo de milhares de pessoas e o resultado é um volume de dinheiro que circula dentro da cidade, entre vizinhos, em um sábado. Some a isso a gastronomia e o movimento no entorno do Centro Cultural e fica fácil entender por que eventos desse tipo ganharam espaço na política cultural de tantas cidades.

Adriano Jose Reis Martins, autor desta matéria, acompanha a agenda cultural de Araras e vê no Garimpo Urbano um caso raro de evento que deu certo rápido. Na minha avaliação, o segredo está na combinação de três coisas: espaço público de qualidade, entrada gratuita e uma curadoria que entende que feira boa é aquela em que o visitante tem motivo para ficar horas, e não só para passar. O desafio agora é o que acontece com qualquer evento que cresce: manter a organização, o conforto e a segurança de um público de milhares de pessoas sem perder a cara de feira de bairro que fez o Garimpo dar certo.

O desapego virou economia

O crescimento dos brechós e das feiras de desapego no Brasil acompanha uma mudança de comportamento que ganhou força nos últimos anos. Comprar roupa, móvel e objeto de segunda mão deixou de ser sinônimo de necessidade e passou a ser escolha: peças únicas, preço menor e a consciência de que uma roupa em bom estado não precisa virar lixo. Plataformas de revenda pela internet ajudaram a popularizar a prática, mas a feira presencial tem uma vantagem que a tela não entrega: experimentar, negociar, conversar e sair com a peça na mão.

Para os pequenos empreendedores, a feira criativa é uma escola de negócio. Muitos brechós que hoje têm loja ou perfil forte nas redes começaram em bancas de eventos como o Garimpo Urbano, testando produto, preço e público com investimento mínimo. Em uma cidade do interior, esse tipo de evento cumpre uma função que as grandes capitais resolvem com galerias e feiras permanentes: dar ponto de venda a quem ainda não tem um.

Quem sobe ao palco

A grade musical foi montada com gêneros que raramente dividem o mesmo palco. O forró de rabeca do Fruto Jatobá remete a uma tradição do Nordeste em que a rabeca, instrumento de cordas friccionadas parente do violino, faz o papel da sanfona; é um forró mais rústico, dançante e de raiz. Barbosa Sanfoneiro abre a tarde no formato clássico do instrumento que dá nome ao ritmo, e o Forró Matutos fecha a noite no mesmo território.

No meio do caminho, a Banda Rogue leva o rock e o Lóchrann apresenta folk metal, vertente que mistura o peso do metal com instrumentos e melodias da música tradicional, sobretudo europeia. O cortejo e o espetáculo Cada Um é Um, de circo-teatro, ocupam o horário em que a feira costuma ter mais famílias, no começo da noite. O resultado é uma programação em que cada faixa de público encontra o seu momento, e o visitante curioso descobre gêneros que não ouviria por conta própria.

O espaço

O Centro Cultural Leny de Oliveira Zurita é um dos principais equipamentos públicos de cultura de Araras e costuma receber exposições, apresentações e eventos comunitários. Para uma feira com 170 bancas e público de milhares de pessoas ao longo do dia, o espaço precisa comportar circulação, palco, praça de alimentação e área para famílias e pets, o que explica a escolha do local desde as primeiras edições. Em dias de evento grande, o entorno do Centro Cultural recebe movimento acima do normal, e vale considerar chegar a pé, de bicicleta ou de carona para evitar disputa por vagas.

Dicas para aproveitar

Quem quer as melhores peças dos brechós deve chegar cedo, logo na abertura, às 10h, quando as bancas estão completas. Quem prefere a programação musical e o clima de festa encontra o pico de movimento no fim da tarde e à noite. Como o evento é longo, vale planejar a alimentação no próprio espaço, que terá opções de gastronomia. O local aceita pets, mas em dia de público grande é recomendável levar guia curta, água e sacos para recolher os dejetos.

Para quem vai desapegar, a dica é separar as peças com antecedência, precificar de forma realista e levar troco. Boa parte das vendas em feiras desse tipo ainda acontece em dinheiro, embora o pagamento por aproximação e por Pix tenha se tornado comum.

Serviço

4º Garimpo Urbano, sábado, 19 de setembro, das 10h às 22h, no Centro Cultural Leny de Oliveira Zurita, em Araras. Mais de 170 expositores, gastronomia, música, dança e circo. Entrada gratuita, espaço pet friendly. Programação: 13h Barbosa Sanfoneiro; 14h30 Fruto Jatobá (forró de rabeca); 16h30 Banda Rogue (rock); 18h cortejo e espetáculo Cada Um é Um (circo-teatro); 19h30 Lóchrann (folk metal); 21h30 Forró Matutos.