A 4ª edição do Garimpo Urbano, realizada no sábado, 19 de setembro, no Centro Cultural Leny de Oliveira Zurita, reuniu 8 mil pessoas ao longo de 12 horas de programação e bateu o recorde de público do evento. Promovido pela Prefeitura de Araras por meio da Secretaria Municipal de Cultura, o Garimpo contou nesta edição com 170 artesãos, artistas, brechós e lojas de antiguidades de Araras e da região. As informações são da Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Araras.

"O Garimpo cresce a cada edição, com expositores de Araras e da região. É muito gratificante ver como a cidade abraçou o evento e comparece", afirmou o secretário de Cultura, Mussa Daniel. Além das barracas, o evento teve praça de alimentação e apresentações de música, dança e circo, entre elas o show da banda Rogue.

De 37 para 170 expositores

O número que melhor conta a história do Garimpo Urbano não é o público, e sim o de expositores. Na primeira edição, em 17 de maio de 2025, eram 37 barracas. Pouco mais de um ano depois, são 170, quase cinco vezes mais. O evento acontece a cada semestre, o que significa que cada edição praticamente dobrou de tamanho em relação à anterior. Para um evento cultural municipal, sem cobrança de ingresso e realizado em espaço público, é um crescimento raro.

A explicação está no formato. O Garimpo mistura três públicos que normalmente não se encontram: quem procura peças de brechó e roupas de segunda mão, quem coleciona antiguidades e discos, e quem vai atrás de artesanato e arte local. Somados à praça de alimentação e aos shows, esses públicos formam um evento de dia inteiro, em que a família chega de manhã, almoça no local e fica até a noite.

O que é o Garimpo Urbano

Criado em 2025 pela Secretaria Municipal de Cultura, o Garimpo Urbano é uma feira de rua com curadoria voltada a brechós, antiquários, artesãos e artistas independentes, no modelo das feiras de garimpo que se popularizaram em capitais como São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte. A diferença é a escala: em Araras, o evento ocupa o Centro Cultural inteiro e é organizado pela prefeitura, que cede o espaço, cuida da estrutura e monta a programação artística.

A palavra garimpo vem da cultura dos brechós: garimpar é procurar, entre muitas peças, aquela que vale a pena. Esse é o espírito do evento, que valoriza o reuso, a peça única e a história por trás de cada objeto, em contraponto ao consumo de produtos novos e iguais.

Economia criativa e renda para quem expõe

Para os 170 expositores, o Garimpo é um dia de vendas que muitos comparam a um mês de loja física ou de rede social. Brechós que funcionam só pela internet ganham um ponto de venda presencial; artesãos que produzem em casa encontram público que não alcançariam de outra forma; antiquários mostram peças que só saem em eventos assim. O crescimento do número de expositores indica que a conta fecha: quem participa volta e traz outros.

Há ainda o efeito no entorno. Um evento de 8 mil pessoas durante 12 horas movimenta bares, restaurantes, estacionamentos e o comércio do centro, e projeta a cidade na região, já que boa parte dos expositores e do público vem de municípios vizinhos, como Leme, Rio Claro, Limeira, Conchal e Mogi Guaçu.

O Centro Cultural como palco

O Centro Cultural Leny de Oliveira Zurita é o principal equipamento cultural de Araras e concentra teatro, oficinas, exposições e eventos ao longo do ano. Sediar o Garimpo ali cumpre duas funções: dá ao evento um espaço amplo, com estrutura de banheiros, energia e segurança, e leva ao Centro Cultural um público que talvez não o frequente no restante do ano. É comum que visitantes descubram, na feira, a programação regular do espaço.

Adriano Jose Reis Martins, autor desta matéria, acompanha o Garimpo Urbano desde a primeira edição e vê no recorde deste sábado um marco para a cultura da cidade. Na minha avaliação, o Garimpo virou, em pouco mais de um ano, o maior evento cultural regular de Araras, e o desafio agora é crescer sem perder a curadoria. Mais expositores não pode significar barracas repetidas ou produto industrializado; o que atrai o público é justamente a peça única, o brechó bem selecionado e o artesão local. Se a Secretaria de Cultura mantiver esse critério, a próxima edição tem tudo para superar os 8 mil.

Brechó e reuso como tendência

O crescimento do Garimpo acompanha um movimento nacional. O mercado de roupas de segunda mão cresce no Brasil a taxas muito superiores às do varejo de moda tradicional, puxado por consumidores jovens que buscam preço, peça exclusiva e menor impacto ambiental. A indústria têxtil está entre as mais poluentes do mundo, e cada peça reaproveitada representa água, energia e resíduo economizados. Feiras de garimpo dão a esse consumo um rosto e um lugar: o comprador conhece quem selecionou a peça, experimenta na hora e leva para casa sem embalagem nem frete.

O mesmo vale para antiguidades e objetos de decoração. Móveis, discos, louças e eletrônicos antigos que iriam para o descarte ganham nova vida nas mãos de colecionadores e restauradores, e o antiquário de feira costuma ser a porta de entrada de quem começa a colecionar.

O papel da programação artística

Nas quatro edições, a Secretaria de Cultura apostou em usar o Garimpo como palco para artistas da cidade. Bandas, grupos de dança e companhias de circo de Araras se apresentam para um público que dificilmente iria a um teatro para vê-los, e esse encontro tem gerado convites, cachês e novas parcerias. Nesta edição, a banda Rogue foi uma das atrações, ao lado de apresentações de dança e circo distribuídas ao longo das 12 horas. A fórmula, que mantém o público no local até a noite, é um dos motivos do recorde.

Para quem expõe, a comissão organizadora costuma pedir cadastro com fotos dos produtos, descrição do que será vendido e comprovante de residência, e prioriza expositores de Araras e da região, brechós com curadoria e artesãos que produzem as próprias peças. Revendedores de produto industrializado, em geral, não são aceitos, e é esse filtro que mantém a identidade do evento. O edital de cada edição é publicado com cerca de dois meses de antecedência nos canais da Secretaria de Cultura, com as regras de montagem, horários e taxas, quando houver.

Dicas para a próxima edição

O Garimpo acontece a cada semestre, e a próxima edição deve ser anunciada nos canais da Prefeitura e da Secretaria de Cultura. Para quem pretende ir: chegue cedo, porque as melhores peças de brechó e antiguidade saem nas primeiras horas; leve dinheiro em espécie além do cartão, pois nem todos os expositores aceitam pagamento digital; e reserve tempo para a programação artística, que costuma se concentrar no fim da tarde e à noite. Quem quiser expor deve ficar atento ao edital de chamamento, divulgado pela secretaria antes de cada edição.

Serviço

Garimpo Urbano, 4ª edição: sábado, 19 de setembro de 2026, no Centro Cultural Leny de Oliveira Zurita, em Araras, com 8 mil visitantes e 170 expositores. Realização da Prefeitura de Araras por meio da Secretaria Municipal de Cultura. Próximas edições: acompanhe o site e as redes sociais da Prefeitura e da Secretaria de Cultura.