A Casa da Memória Pedro Pessotto Filho recebeu na terça-feira, 22 de setembro, os alunos do 6º ano C da Emef Prof. Leonaldo Zornoff, na primeira visita depois da construção de uma nova proposta pedagógica para o espaço. Os 22 estudantes percorreram o museu e conheceram a história de Araras, o surgimento das primeiras empresas, as fazendas de café e as personalidades que contribuíram para o desenvolvimento do município. As informações são da Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Araras.
Desde setembro, a Casa da Memória tem um novo modelo de visitas guiadas, fruto de parceria entre as secretarias de Educação e de Turismo. A experiência foi dividida em cinco eixos temáticos: emancipação política, memória negra e abolicionismo, Modernismo de 22, a ferrovia e a industrialização, e visita panorâmica ao acervo. Grupos devem agendar pelo formulário on-line da Casa da Memória.
Os cinco eixos
- Emancipação política: como Araras deixou de ser distrito e virou município, em 1871, e a formação da Câmara e da vida pública local
- Memória negra e abolicionismo: o trabalho escravizado nas fazendas de café da região, a resistência e as figuras ligadas à abolição na cidade
- Modernismo de 22: o que a Semana de Arte Moderna mudou na cultura brasileira e como a Araras dos anos 1920, do café, da ferrovia e dos imigrantes, viveu esse período
- Ferrovia e industrialização: a chegada dos trilhos, o escoamento do café e o nascimento das primeiras indústrias
- Visita panorâmica: o acervo de objetos, fotografias, documentos e mobiliário que conta o cotidiano da cidade
Por que dividir a visita em temas
Museus municipais costumam sofrer de um problema conhecido: a visita vira uma caminhada por vitrines, com muita informação e pouca conexão com o que o aluno estuda em sala. A proposta pedagógica em eixos resolve isso ao alinhar cada tema a conteúdos do currículo. O 6º ano, por exemplo, estuda a organização das cidades e as fontes históricas; o 7º e o 8º passam pela escravidão e pela abolição; o 9º chega ao Modernismo. O professor escolhe o eixo que conversa com a aula e o museu deixa de ser passeio para virar aula fora da escola.
A parceria entre Educação e Turismo também tem lógica: a Secretaria de Turismo administra o espaço e a de Educação leva as turmas, com transporte e roteiro. Com uma turma por vez, como a de 22 alunos desta terça, a visita mantém a qualidade e permite conversa com o guia.
O que é a Casa da Memória
Instalada em um casarão histórico na Rua Coronel André Ulson Júnior, no centro, a Casa da Memória Pedro Pessotto Filho é o museu histórico de Araras e guarda fotografias, documentos, móveis, ferramentas e objetos do cotidiano que retratam a formação da cidade, do ciclo do café à industrialização. O nome homenageia Pedro Pessotto Filho, professor e memorialista ararense. O espaço também abriga exposições temporárias e eventos, como a recente entrega de aparelhos auditivos do programa Zera Fila, e é ponto de partida para o turismo histórico na cidade.
A Araras dos anos 1920
O eixo do Modernismo de 22 situa a cidade no seu tempo. Enquanto a Semana de Arte Moderna sacudia São Paulo, Araras vivia o auge do café, com a ferrovia escoando a produção, as primeiras indústrias nascendo e as colônias de imigrantes italianos mudando o jeito de falar, comer e trabalhar. O museu usa esse contraste para mostrar aos alunos que a história nacional que aparece nos livros aconteceu ao mesmo tempo que a história das ruas da cidade deles, e que fotografias, jornais e objetos guardados na Casa da Memória são fontes tão válidas quanto as de qualquer capital.
Adriano Jose Reis Martins, autor desta matéria, acompanha as políticas de memória e educação de Araras e vê na nova proposta da Casa da Memória uma mudança pequena no custo e grande no efeito. Na minha avaliação, o museu passa a fazer o que deveria ter feito desde sempre: ser uma extensão da sala de aula. O desafio agora é a escala, levar todas as turmas da rede pelo menos uma vez por ano, e a atualização do acervo, que precisa incorporar a Araras das últimas décadas, dos bairros novos, das indústrias e dos migrantes que chegaram depois do café. Memória não é só passado distante.
Para professores
A visita rende mais quando preparada em sala: antes, o professor pode apresentar o eixo escolhido e pedir que os alunos levem perguntas; depois, transformar a experiência em produção, como um texto, um desenho ou uma entrevista com avós sobre a Araras antiga. O museu aceita grupos de até uma turma por horário, e o formulário de agendamento pede série, quantidade de alunos e eixo de interesse. Escolas da rede municipal contam com transporte da Secretaria de Educação; escolas estaduais e particulares organizam o deslocamento por conta própria.
O que os alunos viram
A turma do 6º ano C da Emef Leonaldo Zornoff percorreu as salas dedicadas à formação da cidade: fotografias das primeiras ruas e da estação ferroviária, ferramentas e utensílios das fazendas de café, documentos da emancipação política e retratos das personalidades que deram nome a ruas e escolas de Araras. Para muitos alunos, foi a primeira vez em um museu. A conversa com o guia incluiu perguntas sobre como as pessoas viviam sem energia elétrica e por que a cidade cresceu ao redor dos trilhos, ligações diretas com os conteúdos de história e geografia do 6º ano.
A escolha da Emef Leonaldo Zornoff para a primeira visita tem sentido: a escola fica em bairro afastado do centro, e parte dos alunos nunca tinha entrado no casarão da Rua Coronel André Ulson Júnior. Levar quem mora longe do centro é um dos objetivos da parceria entre Educação e Turismo.
Turismo histórico
Para o visitante comum, a Casa da Memória é o ponto de partida de um roteiro a pé pelo centro histórico de Araras, que inclui a Basílica Nossa Senhora do Patrocínio, a Praça Barão, os casarões da era do café e a antiga estação ferroviária. A Secretaria de Turismo trabalha para integrar esses pontos em um circuito sinalizado, e o museu, com horários ampliados e visitas temáticas, é a âncora desse projeto.
Horários e agendamento
O museu funciona às segundas-feiras, das 15h30 às 19h; às terças, das 7h às 12h30; às quartas, das 12h30 às 17h30; e às sextas, das 7h às 12h30 e das 13h às 17h30. A visita individual é livre nesses horários. Escolas e grupos devem agendar pelo formulário disponível no endereço forms.gle/1j481Na6UcZ55Rrn9, informando o eixo temático de interesse, a série e o número de alunos.
Serviço
Casa da Memória Pedro Pessotto Filho: Rua Coronel André Ulson Júnior, 30, Centro, Araras. Segunda-feira das 15h30 às 19h; terça das 7h às 12h30; quarta das 12h30 às 17h30; sexta das 7h às 12h30 e das 13h às 17h30. Visitas guiadas em cinco eixos temáticos para grupos, com agendamento pelo formulário forms.gle/1j481Na6UcZ55Rrn9.




