A programação cultural da semana da Secretaria Municipal de Cultura de Araras começou na quarta-feira (21 de janeiro) com a apresentação dos alunos do projeto Educa Música, às 19h, no Centro Cultural Leny de Oliveira Zurita, com entrada gratuita, e seguiu no sábado (24) com o Grupo Talismã no coreto da Praça Barão, às 20h. O domingo (25) foi o dia cheio: às 8h, concentração para o 32º Cortejo Águas de Oxalá, que saiu da Casa da Memória Pedro Pessotto Filho rumo à Capela Santa Cruz; às 9h, a oficina "Primeiros Passos" do projeto Vivência Swordplay, no Parque Ecológico e Cultural Gilberto Rüegger Ometto. As informações são do portal Notícias de Araras.
Das 13h às 19h, o Centro Cultural recebeu o II Samba de Terreiro — roda de samba, atividades culturais, praça de alimentação e feira de artesanato —, com os grupos Trinca de Azes, de samba de roda, e Partido Nobre, de samba e swing. Às 17h, a banda ararense Caipora, de metal, tocou no Vitrola Rock, no calçadão Monsenhor Quércia. Seguiram abertos o encontro de jogos de tabuleiro, cartas, beyblade e RPG e a exposição "Flora – sutilezas de Madre Tierra", na Biblioteca Municipal Martinico Prado.
Águas de Oxalá: 32 anos de cortejo
O Cortejo Águas de Oxalá de Araras, em sua 32ª edição, é celebração das religiões de matriz africana — candomblé e umbanda — inspirada na Lavagem do Bonfim, da Bahia: fiéis vestidos de branco, com quartinhas de água, cânticos e atabaques, percorrem o centro em procissão de purificação e homenagem a Oxalá, o orixá da criação e da paz, e lavam simbolicamente as escadarias da Capela Santa Cruz. Realizado desde os anos 1990 por terreiros e pela Acafro, com apoio da Prefeitura, é um dos eventos de cultura afro-brasileira mais antigos do interior paulista e reúne centenas de pessoas — praticantes e público — num domingo de janeiro.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o cortejo é patrimônio que a cidade nem sempre reconhece. "Trinta e dois anos de Águas de Oxalá em Araras — mais antigo que muito evento oficial. Sai da Casa da Memória, onde o prefeito despacha, e vai à Capela Santa Cruz, igreja católica: é sincretismo em rota, no centro, com apoio da Secretaria de Cultura. Junto com o Samba de Terreiro e o Conselho da Comunidade Negra empossado na mesma semana, mostra que janeiro em Araras é o mês da cultura negra — antes de novembro. Mussa colocou tudo na mesma agenda com metal no calçadão e espada de espuma no parque. É a cidade inteira num domingo", avalia.
Casa da Memória à Capela Santa Cruz: o trajeto
A concentração em frente à Casa da Memória — casarão do Solar Benedita Nogueira, no centro — e o percurso até a Capela Santa Cruz, no alto da cidade, passam por ruas do centro histórico, com parada em pontos simbólicos; a lavagem das escadarias encerra o cortejo com distribuição de água e flores. O trajeto é acompanhado pela GCM e pelo Demutran, com interdição parcial.
Samba de Terreiro: a segunda edição
Criado em 2025, o Samba de Terreiro reúne roda de samba, artesanato, comida de terreiro e atividades — capoeira, dança, roda de conversa — no Centro Cultural, à tarde, como continuação festiva do cortejo. Trinca de Azes, grupo de samba de roda, e Partido Nobre, de samba e swing, são formações regionais que animam a roda das 13h às 19h.
Caipora: o metal ararense
A banda Caipora, de Araras, é nome da cena de metal do interior paulista, com repertório autoral e temática brasileira — o nome vem da entidade da floresta do folclore; o Vitrola Rock, projeto da Secretaria de Cultura no calçadão Monsenhor Quércia, dá palco a bandas locais aos domingos à tarde, de graça, e alterna rock, metal e cover. A Caipora às 17h fechou o domingo com público jovem no centro.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a programação diz o que a política cultural de Araras entende por diversidade. "No mesmo domingo: cortejo de candomblé, roda de samba, esporte medieval e banda de metal. Cada um com seu público, todos de graça, todos no centro ou no parque. A Secretaria não escolhe uma cultura — abre espaço para todas. É a leitura correta de uma cidade de 135 mil habitantes com terreiro, igreja, universidade, fábrica e periferia. O Plano Municipal de Cultura, que começou em fevereiro, deveria escrever isso como diretriz: agenda plural, semanal, gratuita, descentralizada. Janeiro foi a prova de conceito", observa.
Vivência Swordplay: o parque como arena
A oficina "Primeiros Passos", do grupo Cachorroboros, ensina combate simulado medieval com armas de espuma — regras, postura, segurança — a jovens e adultos, nos domingos de janeiro no Parque Ecológico; o esporte, com federação e campeonatos no Brasil, une atividade física, encenação e comunidade, e usa o parque como espaço de lazer ativo.
Educa Música: a abertura da semana
A apresentação de quarta-feira reuniu alunos do projeto de iniciação musical da Secretaria — canto, cordas, sopros — no palco do Centro Cultural; é a mostra do semestre, com famílias na plateia, e a etapa de formação de músicos que abastece bandas e grupos da cidade.
Grupo Talismã: o sábado fixo
MPB no coreto da Praça Barão todo sábado às 20h — a apresentação semanal que a Secretaria fixou em janeiro e que transformou o coreto em palco permanente do fim de semana no centro, com comércio e bares ao redor.
Lavagem do Bonfim: a matriz baiana
O cortejo ararense inspira-se na Lavagem das Escadarias da Igreja do Bonfim, em Salvador, realizada desde 1754 na segunda quinta-feira de janeiro: baianas de branco, com vasos de água de cheiro, percorrem oito quilômetros da Conceição da Praia à Colina Sagrada e lavam as escadarias da igreja católica — rito que une o culto a Oxalá, sincretizado com o Senhor do Bonfim, e a devoção católica. Cidades de todo o país replicam o formato com suas próprias igrejas e terreiros; em Araras, a Capela Santa Cruz cumpre o papel do Bonfim, e a data de janeiro segue o calendário baiano.
Liberdade religiosa e espaço público
Cortejos de matriz africana em via pública são expressão protegida pela Constituição e pela Lei 12.966/2014, que garante às religiões afro-brasileiras o uso do espaço público para suas manifestações; apoiar com trânsito, segurança e divulgação é dever do município, e casos de intolerância — comuns no país — são crime. A realização ininterrupta por 32 anos em Araras, com apoio oficial, é registro de convivência que o Conselho da Comunidade Negra cita como conquista e que a Secretaria de Cultura inclui na política de diversidade.
Cultura afro-brasileira em Araras: o calendário
Águas de Oxalá em janeiro, Samba de Terreiro, capoeira do Grupo Palmares o ano inteiro, Vozes e Tambores, Novembro Negro com o feriado de 20 de novembro, Conselho da Comunidade Negra e Acafro — a cidade tem calendário e instituições; o desafio, apontado pelo conselho, é transformar evento em política com orçamento e edital.
@curtir.araras e a divulgação
A agenda, sujeita a alterações, é atualizada no Instagram @curtir.araras; o link da comunidade de jogos está nos destaques. É o canal que a Secretaria usa para toda a programação.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o 32º cortejo é a notícia que merece capa. "Um cortejo religioso de matriz africana com 32 anos, saindo do prédio onde fica o gabinete do prefeito, apoiado pela Prefeitura, seguido de roda de samba no Centro Cultural — em janeiro, numa cidade do interior paulista. Isso é liberdade religiosa e política cultural juntas. Araras deveria contar essa história com orgulho: o Águas de Oxalá é mais antigo que o Circuito Sesc, que o Vitrola Rock, que quase tudo. Mussa e a Acafro mantêm; a cidade acompanha. Que a 33ª edição tenha ainda mais gente de branco no centro", analisa.
O 32º Cortejo Águas de Oxalá foi realizado em Araras em 25 de janeiro de 2026, com saída da Casa da Memória Pedro Pessotto Filho e chegada à Capela Santa Cruz, seguido do II Samba de Terreiro no Centro Cultural Leny de Oliveira Zurita. A programação foi promovida pela Secretaria Municipal de Cultura.



