A Prefeitura de Araras, por meio da Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Civil e do Departamento Municipal de Trânsito, em parceria com a Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal, realizou na sexta-feira (21) uma blitz de trânsito educativa na Praça Barão de Araras, a partir das 9h. A ação, integrante das atividades do mês de combate à violência contra a mulher, abordou motoristas e pedestres com materiais informativos para sensibilizar sobre a identificação de situações de violência e os canais de denúncia, promovendo uma rede de apoio e proteção às vítimas. Alunos da Escola Municipal Ivan Inácio de Oliveira Zurita, a Escola do Campo, participaram. As informações são da Prefeitura de Araras.
A campanha Agosto Lilás 2026 foi lançada em Araras em 7 de agosto, em referência aos 20 anos da Lei Maria da Penha, a Lei Federal 11.340/2006, no enfrentamento da violência doméstica. Em caso de violência ou abuso físico, sexual, psicológico, moral, patrimonial ou vicária, a orientação é ligar 180; também é possível denunciar pelo aplicativo "Está Acontecendo", pelo 153 da GCM e pelo 190 da Polícia Militar.
Blitz educativa: como funciona
Diferentemente da blitz de fiscalização, a educativa não autua: agentes do Demutran e da Patrulha Maria da Penha param veículos e abordam pedestres na praça para entregar material e conversar — dois ou três minutos sobre como reconhecer sinais de violência, o que fazer ao presenciar e onde denunciar. O formato usa o trânsito como ponto de contato com um público amplo e aleatório, que não procuraria uma palestra. A presença de alunos da Escola do Campo, escola rural do município, traz a dimensão intergeracional: crianças distribuindo folhetos sobre um tema que ainda é tabu em casa.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a blitz é o formato certo para um tema que não chega a quem precisa. "Palestra sobre violência contra a mulher atrai quem já sabe. A blitz para o motorista que não vai a palestra — o homem, o marido, o pai — e coloca o folheto na mão dele, com um agente uniformizado e uma criança da escola rural ao lado. É constrangedor no bom sentido: obriga a olhar. Vinte anos de Lei Maria da Penha e o Brasil ainda mata uma mulher a cada seis horas. Araras está usando a Praça Barão para dizer isso a quem passa. É a política pública indo onde o problema está", avalia.
A programação do dia
Às 9h, a blitz informativa na Praça Barão, com Patrulha Maria da Penha, Demutran e Procuradoria da Mulher. Das 13h às 17h, orientação e panfletagem Agosto Lilás no Festival Cultura da Infância, no campo de futebol do Jardim Nova Olinda. Às 13h30, palestra sobre educação financeira com Fernanda Chiaradia, do Sicoob Mantiqueira, na Casa da Mulher Paulista Bruna Angleri, no Jardim Luiza Maria. Às 19h, roda de conversa na OSAF, Obra Salesiana de Apoio Fraterno, no Jardim Piratininga. Das 13h30 às 17h30, escuta e construção coletiva de programas voltados às mulheres, pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, na Câmara Municipal.
Educação financeira: por que na Casa da Mulher
A palestra de educação financeira na Casa da Mulher não é deslocada do tema: a dependência econômica é uma das principais razões pelas quais mulheres permanecem em relações violentas, e a violência patrimonial — controle do dinheiro, destruição de bens, impedimento de trabalhar — é uma das formas previstas na Lei Maria da Penha. Ensinar a organizar renda, abrir conta própria e planejar a saída é, na prática, prevenção. A parceria com uma cooperativa de crédito reforça o acesso a serviços financeiros.
Escuta coletiva: o Conselho na Câmara
A tarde de escuta e construção coletiva de programas, promovida pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher na Câmara, é o momento de planejamento: mulheres da cidade, entidades e poder público discutem o que falta na rede de proteção — vagas em abrigo, atendimento psicológico, capacitação profissional — e o que a Prefeitura e a Câmara podem propor. É o Agosto Lilás deixando de ser só campanha e virando política.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a rede de Araras é o que diferencia a cidade. "Araras tem Patrulha Maria da Penha na GCM, Casa da Mulher com apoio jurídico e psicológico, Delegacia da Mulher com delegada titular, Procuradoria da Mulher na Câmara e Conselho dos Direitos da Mulher. Cinco portas. Cidade de 135 mil habitantes com essa estrutura é exceção no interior. O Agosto Lilás é o mês em que as cinco portas aparecem juntas na praça — e a blitz é o jeito de dizer ao motorista que elas existem. O número que importa não é o de folhetos; é o de mulheres que, em setembro, vão ligar para a Patrulha porque souberam na sexta", observa.
Patrulha Maria da Penha: o braço da GCM
A Patrulha Maria da Penha é a equipe da Guarda Civil Municipal dedicada ao acompanhamento de mulheres com medida protetiva: visita periódica, verificação do cumprimento da ordem de afastamento, resposta rápida a chamados. Atende pelo (19) 99703-4966 e pelo (19) 3541-1532, e atua na prevenção e no combate à violência doméstica. É o elo entre a decisão judicial e a proteção real — a medida protetiva só funciona se alguém fiscaliza.
Casa da Mulher e Delegacia da Mulher
A Casa da Mulher Paulista Bruna Angleri, no Jardim Luiza Maria, oferece acolhimento e suporte jurídico e psicológico pelo (19) 3541-1881. A Delegacia de Defesa da Mulher, com a delegada Evelyn Kafa Loiola Domiate, registra ocorrências e solicita medidas protetivas pelo (19) 3542-1054. A Procuradoria Especial da Mulher da Câmara, pelo (19) 3543-3300, atua no combate a todas as formas de violência e discriminação. São os quatro contatos que a blitz distribuiu.
Violência vicária: a forma menos conhecida
A lista de formas de violência citada pela Prefeitura inclui a vicária — quando o agressor atinge a mulher por meio dos filhos, com ameaças, alienação, sequestro ou violência contra as crianças. É categoria recente no debate público e ainda pouco reconhecida; sua inclusão na comunicação oficial de Araras é sinal de atualização da rede. O aplicativo "Está Acontecendo", desenvolvido para denúncia discreta, é o canal para situações em que ligar é impossível.
20 anos da Lei Maria da Penha
Sancionada em 7 de agosto de 2006, a Lei 11.340 criou os mecanismos de proteção — medidas protetivas de urgência, juizados especializados, prisão preventiva do agressor — e tipificou as formas de violência doméstica. É considerada pela ONU uma das três legislações mais avançadas do mundo no tema. Vinte anos depois, o desafio é a aplicação: a lei existe, a rede em muitas cidades não. Araras lançou o Agosto Lilás na data exata do aniversário.
Escola do Campo: por que as crianças
A Escola Municipal Ivan Inácio de Oliveira Zurita, a Escola do Campo, atende filhos de trabalhadores rurais da zona norte de Araras — comunidade em que a violência doméstica é subnotificada pela distância dos serviços e pelo isolamento. Trazer os alunos à blitz na praça central tem duplo efeito: eles levam a informação para casa, onde ela mais falta, e a presença de crianças entregando folhetos desarma o motorista que, diante de um agente, fecharia o vidro. É pedagogia e estratégia ao mesmo tempo.
Festival Cultura da Infância: o público certo
A panfletagem no Festival Cultura da Infância, no Jardim Nova Olinda, leva a campanha a famílias com crianças — o ambiente em que a violência doméstica costuma ser testemunhada por filhos. Orientar mães e responsáveis num evento infantil é abordar quem está mais próximo do problema, num contexto em que a conversa é possível.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a blitz deveria ser mensal. "A Praça Barão é o lugar por onde Araras inteira passa. Um dia por mês com agente, folheto e criança da escola distribuindo — sem multa, só conversa — custa quase nada e alcança quem nenhuma palestra alcança. O Agosto Lilás é bom porque concentra; o problema é que a violência não é sazonal. A rede de Araras existe o ano inteiro; a divulgação deveria também. A blitz de sexta mostrou o modelo. Cabe à Secretaria de Segurança repetir", analisa.
A blitz de trânsito educativa do Agosto Lilás foi realizada em 21 de agosto de 2026 na Praça Barão de Araras. Denúncias de violência contra a mulher: 180, 153 (GCM), 190 (PM) e aplicativo "Está Acontecendo".




