Araras registrou 495 novos postos de trabalho formais nos dois primeiros meses de 2026, com 3.639 admissões e 3.144 desligamentos — variação relativa de 1,29% sobre o estoque —, segundo o Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego. Das vagas líquidas, 252 foram ocupadas por homens e 243 por mulheres. A indústria liderou com saldo de 356 — 1.231 admissões e 875 desligamentos, variação de 2,44% —, seguida dos serviços, com 307 — 1.349 admissões, 1.042 desligamentos, 2,49% —, e da construção civil, com 65 — 228 admissões, 163 desligamentos, 4,07%. As informações são do portal Notícias de Araras.
Dois setores fecharam o bimestre no negativo: a agropecuária, com saldo de -162 — 76 admissões e 238 desligamentos, variação de -10,13% —, e o comércio, com -71 — 755 admissões e 826 desligamentos, -0,86%. Por faixa etária, as maiores contratações líquidas foram de 18 a 24 anos, com 198, e de 40 a 49, com 66; por escolaridade, o ensino médio completo concentrou 372 admissões líquidas. O Caged consolida informações do eSocial, do Caged e do Empregador Web.
Indústria: o motor de Araras
O saldo de 356 na indústria em dois meses reflete o polo de alimentos — Nestlé, Lactalis —, a metalurgia — Fuganholi, LOT, Laminação de Metais Paulista —, o papel e a agroindústria, que contratam no início do ano para reposição e expansão de turnos. A variação de 2,44% em dois meses é elevada para um setor de estoque grande; o mutirão de emprego de fevereiro, com Nestlé e Lactalis recrutando operadores, mostrou a demanda. É o setor que define a renda média da cidade e o que mais absorve o jovem com ensino médio.
Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, os números confirmam o que os mutirões mostravam. "Quase quinhentas vagas líquidas em dois meses, com indústria e serviços puxando e o jovem de 18 a 24 anos sendo o mais contratado. Araras tem emprego formal crescendo acima da média regional — o problema é o perfil: ensino médio completo, operacional, salário de R$ 2 mil a R$ 3 mil. A agropecuária perdeu 162 na entressafra e vai recuperar em abril com a moagem. O comércio perdeu 71 depois do Natal, o que é sazonal. O dado que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico deve olhar é a construção civil: 65 vagas e 4% de crescimento — obra pública e loteamento privado começando o ano", avalia.
Serviços: 307 vagas
Saúde — Unimed, Santa Casa, clínicas —, educação privada, logística, alimentação fora do lar e serviços administrativos compõem o setor que mais admitiu em números absolutos, 1.349, com rotatividade também alta. O saldo de 307 e a variação de 2,49% acompanham a expansão da saúde privada e da distribuição — a Via Campos e o comércio atacadista contratam motoristas e ajudantes o ano todo.
Construção civil: 4,07%
O setor teve a maior variação relativa — 4,07% — com 65 vagas líquidas, sinal de obras em andamento: loteamentos, condomínios, obras públicas como as pontes e o ginásio, reformas. É setor sensível a juros e a licenciamento; o crescimento no início de 2026 sugere carteira de obras contratada em 2025.
Agropecuária: a entressafra
O saldo negativo de 162 — com apenas 76 admissões contra 238 desligamentos e queda de 10,13% — é o padrão da entressafra da cana: usinas e fornecedores dispensam safristas em dezembro e janeiro e recontratam a partir de março e abril, quando a moagem começa. A Usina São João recrutou no mutirão de fevereiro para a safra 2026/27; o Caged de abril e maio deve inverter o sinal.
Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o comércio é o dado a acompanhar. "Menos 71 no comércio em janeiro e fevereiro é normal — desligamento pós-Natal. Mas 755 admissões e 826 desligamentos em dois meses mostram rotatividade enorme: o varejo de Araras contrata e demite o tempo todo, com salário baixo e sem carreira. É o setor que mais emprega mulher e jovem sem qualificação e o que menos retém. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico e o Sebrae Aqui deveriam olhar para o comércio como o lugar onde a qualificação faz mais diferença — vendedor treinado fica, vende mais e ganha mais", observa.
Jovens de 18 a 24: 198 vagas
A faixa de 18 a 24 anos concentrou 198 das 495 vagas líquidas — 40% —, seguida da de 40 a 49, com 66. É o perfil do primeiro emprego formal na indústria e nos serviços, e reflete a demografia de Araras, com escolas técnicas — Etec Alberto Feres, Fatec — formando para a indústria local. A faixa de 40 a 49 indica recolocação de trabalhadores experientes.
Ensino médio completo: 372
O ensino médio completo foi a escolaridade com mais admissões líquidas, 372 — três quartos do total —, o que mostra o mercado de Araras como operacional e técnico, não de nível superior. É o argumento para a Fatec, a Univesp e a UAB: o salto de renda vem com o diploma técnico ou superior, e a cidade ainda contrata pouco nesse nível.
Homens e mulheres: quase paridade
Com 252 vagas líquidas para homens e 243 para mulheres, o bimestre teve paridade incomum — a indústria costuma contratar mais homens, e os serviços, mais mulheres; o equilíbrio indica que a saúde e a educação compensaram a metalurgia. É dado que a Secretaria e o CMDM podem usar em políticas de empregabilidade feminina.
Novo Caged: como funciona
Desde 2020, o Novo Caged usa os registros do eSocial — obrigatório para todas as empresas — para computar admissões e desligamentos mensais com carteira assinada, substituindo a declaração voluntária antiga; o dado é mais completo e mais rápido, mas sofre revisões nos meses seguintes. Não inclui informais, autônomos nem servidores estatutários.
Variação relativa: o que o percentual diz
A variação relativa do Caged compara o saldo do período com o estoque de empregos formais do setor no início dele: 1,29% no total significa que Araras tinha cerca de 38 mil vínculos formais e ganhou 495; os 2,44% da indústria e os 2,49% dos serviços indicam setores com estoque grande crescendo rápido; os 4,07% da construção, um setor pequeno em expansão acelerada; e os -10,13% da agropecuária, a perda de um décimo do estoque na entressafra — normal para a cana, mas forte. Ler o percentual junto com o saldo evita superestimar setores pequenos e subestimar os grandes.
Rotatividade: admissões versus saldo
Os 3.639 admitidos contra 495 de saldo mostram que, para cada vaga criada, sete pessoas foram contratadas e seis demitidas — rotatividade típica do mercado brasileiro, mais alta no comércio e nos serviços e mais baixa na indústria. Alta rotatividade custa às empresas em treinamento e ao trabalhador em insegurança e ausência de progressão; políticas de qualificação e de retenção — plano de carreira na fábrica, curso técnico no PAT — são as respostas que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e o Sebrae Aqui podem oferecer com o dado em mãos.
Comparação: 2025 e a região
Araras fechou 2025 com saldo positivo e abriu 2026 no mesmo ritmo; cidades vizinhas — Leme, Rio Claro, Limeira — tiveram bimestres positivos, com a indústria de alimentos e a metalurgia puxando a região. O acumulado janeiro–julho, divulgado em agosto, chegou a 1.532 vagas em Araras, mantendo o ritmo do bimestre.
O que a Prefeitura faz com o dado
O PAT usa o Caged para orientar o cadastro e os feirões — setores que contratam, perfis exigidos —; a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, para atrair empresas e planejar qualificação. O mutirão de fevereiro e os feirões mensais no CAM são a resposta operacional ao dado.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o Caged é o termômetro que Araras deveria ler todo mês. "Quinhentas vagas em dois meses, indústria em alta, jovem contratado, paridade de gênero. É boa notícia com ressalva: a vaga é de ensino médio, operacional, e a rotatividade no comércio e nos serviços é altíssima. A cidade gera emprego; precisa gerar carreira. Zurita Fernandes tem o dado para cobrar as empresas por qualificação e o Sebrae por curso. O Caged de abril, com a safra, vai mostrar se a agropecuária recupera os 162. Até lá, Araras está no azul", analisa.
Os dados do Novo Caged referentes a janeiro e fevereiro de 2026 foram divulgados pela Prefeitura de Araras em abril de 2026, com saldo de 495 postos de trabalho formais no período.



