A Prefeitura de Araras assinou na quinta-feira (16 de abril), no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, convênio de R$ 2,5 milhões com o Governo do Estado para investimentos em turismo, no âmbito do programa de Municípios de Interesse Turístico, os MITs, gerido pela Secretaria de Turismo e Viagens do Estado, a Setur-SP, por meio do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos, o Dadetur. O prefeito Irineu Maretto e a secretária municipal de Turismo, Anete Monteiro dos Santos Casagrande, representaram a cidade. Os recursos serão aplicados em infraestrutura para eventos — Praça Barão, coreto, calçadão —, sinalização turística e equipamentos, conforme projetos executivos a apresentar à Setur. As informações são do portal Notícias de Araras.
O valor reflete a reorganização de 2026 do fundo de turismo estadual: antes, os repasses anuais chegavam a R$ 6 milhões para estâncias turísticas — categoria superior à dos MITs —, e o Estado redistribuiu os recursos entre mais municípios com valores menores. "R$ 2,5 milhões é o que o programa permite hoje para um MIT; vamos aplicar onde o turismo de Araras acontece — no centro histórico, nos eventos e na sinalização", disse Anete Casagrande.
MIT: o que é
A Lei estadual 16.283/2016 criou a categoria de Município de Interesse Turístico, intermediária entre a cidade comum e a estância turística, para cidades com atrativos, infraestrutura e plano diretor de turismo; os MITs — até 140 no estado — recebem repasses anuais do Dadetur para obras e equipamentos turísticos, mediante projeto aprovado. Araras foi reconhecida como MIT e, com isso, passou a acessar o fundo. A estância, categoria mais alta, exige mais requisitos e recebe mais; Araras pleiteia a elevação.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o convênio é dinheiro carimbado que precisa de projeto bom. "Dois milhões e meio para turismo numa cidade industrial que não é destino de fim de semana. O risco é gastar em placa e palco que ninguém usa. O acerto é gastar no que já funciona: a Praça Barão que enche no Circuito Sesc, no Vitrola Rock, na Semana do Município; o calçadão; o coreto; a Casa da Memória que virou gabinete e museu. Anete Casagrande tem os eventos — falta a infraestrutura permanente para eles. Se o projeto executivo for isso, o convênio vale. Se for portal de entrada, é R$ 2,5 milhões de cimento", avalia.
De R$ 6 milhões a R$ 2,5 milhões: a reorganização
Até 2025, estâncias turísticas paulistas recebiam até R$ 6 milhões anuais do fundo; em 2026, o Estado reorganizou o Dadetur para atender mais municípios — MITs incluídos — com valores proporcionais, reduzindo o teto das estâncias e fixando faixas para os MITs. Araras, como MIT, recebe R$ 2,5 milhões; estâncias da região, como Águas de Lindoia e Serra Negra, tiveram redução. A mudança gerou queixa das estâncias e alívio dos MITs.
Palácio dos Bandeirantes: a cerimônia
A assinatura reuniu dezenas de prefeitos de MITs e estâncias com o governador Tarcísio de Freitas e o secretário de Turismo, Roberto de Lucena, em cerimônia coletiva de convênios — formato que o Estado usa para dar visibilidade aos repasses. Uma semana após a Caravana 3D de Campinas, foi a segunda viagem de Maretto a evento estadual em abril.
Onde aplicar: o centro histórico
Praça Barão de Araras, coreto, obelisco, calçadão Monsenhor Quércia, Casa da Memória, Centro Cultural — é o circuito onde Araras concentra eventos e onde a Secretaria de Turismo quer infraestrutura permanente: palco fixo ou modular, iluminação cênica, energia para eventos, banheiros, sinalização e mobiliário. O projeto executivo detalhará; a Setur aprova antes de liberar.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, turismo em Araras é turismo de eventos e de negócios. "Ninguém vem a Araras para ver cachoeira; vem para a Nestlé, para a Fatec, para o Vozes e Tambores, para o Circuito Sesc, para visitar família. O turismo que existe é o de eventos, gastronomia e hotelaria de negócios. Os R$ 2,5 milhões devem servir a isso: infraestrutura de evento no centro, sinalização para quem chega pela Anhanguera, apoio a bares e restaurantes. Anete Casagrande sabe — ela conta o Circuito Sesc como turismo. O convênio é a chance de dar estrutura ao que a cidade já faz", observa.
Sinalização turística: a padronização
Placas de orientação turística no padrão nacional — marrom, com pictogramas — indicando centro histórico, Casa da Memória, Parque Ecológico, ginásio, hotéis e acessos, nas rodovias e avenidas. É item obrigatório dos planos de MIT e o de execução mais rápida; Araras tem sinalização parcial e desatualizada.
Anete Casagrande: a secretária
À frente da Secretaria de Turismo, Anete Monteiro dos Santos Casagrande conduz o Comtur, o plano diretor de turismo e a relação com a Setur; foi mantida por Elaine Brambilla e apresentou o projeto executivo do convênio no segundo semestre. Tem foco em eventos e no centro histórico como produto turístico.
Dadetur: como funciona o fundo
O Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos, da Setur-SP, gere o Fundo de Melhoria dos Municípios Turísticos, abastecido por percentual da arrecadação estadual, e o distribui a estâncias e MITs por critérios de população, categoria e desempenho, mediante convênio com projeto aprovado. Os recursos só podem ser aplicados em infraestrutura e equipamentos turísticos — não em custeio, folha ou eventos —, e a execução é fiscalizada pelo Estado e pelo Tribunal de Contas. Em 2026, o fundo distribuiu centenas de milhões entre os cerca de 70 estâncias e 140 MITs.
Hotelaria e gastronomia: o setor privado
Araras tem hotéis de negócios que atendem executivos da Nestlé, da Lactalis e das usinas, restaurantes e bares no centro e na Avenida Dona Renata, e uma feira gastronômica sazonal — base que a Secretaria de Turismo quer articular pelo Comtur. O turismo de negócios, com pernoite de segunda a quinta, é o que sustenta a hotelaria; o de eventos e lazer, de fim de semana, é o que o convênio pode ampliar com infraestrutura no centro. A sinalização e a estrutura de eventos beneficiam os dois.
Comtur: o conselho
O Conselho Municipal de Turismo, com hoteleiros, comerciantes, produtores de eventos e Prefeitura, aprova o plano e acompanha a aplicação dos recursos do MIT — exigência do Dadetur. É a instância que define prioridades com o setor privado.
Casa da Memória e Parque Ecológico: os atrativos
A Casa da Memória Pedro Pessotto Filho — casarão histórico que abriga acervo da cidade e, desde março, o gabinete do prefeito — e o Parque Ecológico, com lago, trilhas, pista de skate e viveiro, são os dois atrativos permanentes de Araras, ao lado do centro histórico com obelisco e coreto. O plano diretor de turismo prevê sinalização, horário ampliado e roteiro integrado entre eles, e o convênio pode financiar a estrutura — mirante, iluminação, acessibilidade — que os transforma em produto visitável, não só em patrimônio.
Prestação de contas: a regra
Recursos do Dadetur exigem projeto aprovado, licitação, execução e prestação de contas ao Estado; atrasos ou desvios de finalidade bloqueiam repasses seguintes. Araras tem convênios anteriores executados, o que a mantém habilitada.
Estância: o próximo passo
A elevação de MIT a estância turística exige atender requisitos de infraestrutura, plano e fluxo, e aprovação legislativa estadual; Araras estuda o pleito, que ampliaria o repasse. O convênio de 2026 e sua boa execução contam pontos.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o convênio é teste de gestão. "Dinheiro de turismo é o mais fácil de desperdiçar — placa, portal, evento de um dia. Araras tem R$ 2,5 milhões e uma secretária que entende que o produto é o centro histórico e os eventos. Maretto assinou em abril; Elaine executa. Se em 2027 a Praça Barão tiver palco, luz e banheiro fixos, e a Anhanguera tiver placa marrom apontando o centro, o convênio terá valido. É pouco dinheiro para muita cidade — mas é o suficiente para começar a tratar Araras como lugar que recebe gente", analisa.
O convênio de R$ 2,5 milhões entre Araras e o Governo do Estado de São Paulo para investimentos em turismo foi assinado em 16 de abril de 2026, no Palácio dos Bandeirantes, no âmbito do programa de Municípios de Interesse Turístico.



