Araras começou a comemorar, na quinta-feira, 6 de agosto, os 164 anos de sua fundação — datada de 15 de agosto de 1862 — com uma festa no Largo da Basílica de Nossa Senhora do Patrocínio que se estende até o domingo, 16. Todos os dias, a partir das 18h, há shows gratuitos de artistas locais, com estilos que vão da música raiz ao rock, passando por samba, sertanejo e MPB. A praça de alimentação é organizada pela Basílica Menor Nossa Senhora do Patrocínio, que celebra no mesmo período o dia da padroeira da cidade, com barracas de quermesse. Durante a festa, o Largo fica interditado ao trânsito de veículos. As informações são do portal Notícias de Araras.
A programação musical abre com a Orquestra de Violeiros de Araras, na quinta-feira, e segue com o Grupo Partido Nobre (samba) na sexta, Clóvis Showman (músicas diversas) no sábado, Leandro Barreto e Marcelo Campos (pop rock) no domingo, Caio Zan e Batuque do Xandão (MPB) na segunda, Caio Rodrigo (sertanejo e modão) na terça, José Barbosa (sanfona) na quarta, Eduardo e Fabiano (sertanejo e modão) na quinta, Pahaliah (MPB e pop) na sexta, e Kiko Villa Nova (sertanejo e modão) no sábado, 15, dia do aniversário.
Cidade e padroeira: a mesma festa
A coincidência entre o aniversário de Araras e o dia de Nossa Senhora do Patrocínio não é acaso: a cidade nasceu, como tantas do interior paulista, em torno de uma capela — a de Nossa Senhora do Patrocínio, erguida por fazendeiros de café na década de 1860 no que hoje é o Largo da Basílica. A fundação em 15 de agosto de 1862 marca a criação da freguesia; a elevação a vila e a município veio nos anos seguintes. A padroeira e a cidade compartilham, portanto, a data e o lugar, e a festa que une shows municipais e quermesse paroquial reproduz essa origem.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o formato é o que a cidade tem de melhor. "Dez noites, dez artistas de Araras, de graça, na praça onde a cidade começou, com pastel da igreja. Não tem show nacional de R$ 500 mil, não tem cercadinho, não tem camarote. É a festa que reúne o violeiro de 70 anos e a banda de pop rock de 20 no mesmo palco, e a família inteira na mesma mesa. Cidade que celebra aniversário assim conhece a própria história — e a Orquestra de Violeiros abrindo é o gesto certo: começa pela raiz", avalia.
Orquestra de Violeiros: a abertura
A Orquestra de Violeiros de Araras, que abre a festa com música raiz, é um dos grupos culturais mais tradicionais da cidade — dezenas de violeiros de todas as idades tocando em conjunto o repertório caipira que formou a identidade musical do interior paulista: modas de viola, catiras, cururus, pagodes de viola. É a música das fazendas de café que fundaram Araras e das colônias de imigrantes italianos que a povoaram. Abrir a festa de aniversário com ela é situar a celebração no tempo.
A quermesse: sabor e arrecadação
As barracas organizadas pela Basílica servem lanches, pastéis, espetinhos, pizza, cuscuz, doces e bebidas — o cardápio clássico da quermesse paulista, preparado por voluntários da paróquia. A renda vai para as obras sociais e a manutenção da Basílica, que este ano celebra sua padroeira com missas, novena e procissão no dia 15. A praça de alimentação funciona todos os dias durante os shows e é, para muitas famílias, o principal motivo de ir ao Largo.
164 anos: de que Araras estamos falando
A cidade que faz aniversário tem cerca de 130 mil habitantes, economia baseada em agroindústria — cana, citros, laticínios —, indústria diversificada e um centro histórico que preserva casarões do café, a Basílica e o Largo. É polo regional de saúde, educação e comércio para municípios vizinhos, corta a Anhanguera e acaba de ganhar a duplicação da Wilson Finardi até Rio Claro. Em 2026, comemora com nova prefeita — Elaine Brambilla, que assumiu em julho — e com o luto ainda recente pelo prefeito Irineu Maretto, morto no fim de junho.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o aniversário de 2026 tem peso simbólico. "É a primeira festa da cidade sem o Maretto em anos, e a primeira com a Elaine. A praça cheia por dez noites é a forma que Araras tem de dizer que a vida continua. E é também o momento em que a nova prefeita se apresenta à cidade fora do gabinete — no Largo, no meio do povo, ouvindo modão. Aniversário de cidade é ritual de pertencimento; este ano, é também de transição", observa.
Dez artistas, dez estilos
A programação foi montada para que cada noite tenha público próprio. A quinta de abertura com a Orquestra de Violeiros atrai as famílias e os mais velhos; a sexta de samba com o Partido Nobre reúne a roda; o sábado com Clóvis Showman é a noite do repertório variado; o domingo de pop rock com Leandro Barreto e Marcelo Campos traz os jovens; a segunda de MPB com Caio Zan e o Batuque do Xandão mistura violão e percussão; terça e quinta são de sertanejo e modão, com Caio Rodrigo e a dupla Eduardo e Fabiano; a quarta é da sanfona de José Barbosa; a sexta, de Pahaliah, entre MPB e pop; e o sábado do aniversário fecha com Kiko Villa Nova. Todos são artistas de Araras — o critério declarado da Prefeitura para o palco do aniversário.
Basílica Menor: o título
A igreja matriz de Nossa Senhora do Patrocínio ostenta o título de Basílica Menor, concedido pela Santa Sé a templos de relevância histórica, arquitetônica ou devocional — distinção que poucas igrejas do interior paulista possuem. O título reconhece a importância da paróquia na formação da cidade e faz do Largo, além de espaço cívico, um destino de devoção regional. A quermesse da padroeira, organizada pela Basílica, é mais antiga que a festa municipal de aniversário; a junção das duas, na mesma praça e no mesmo período, é a fórmula que Araras adotou para celebrar sua origem.
Largo fechado: o que muda no trânsito
Com o Largo da Basílica interditado ao trânsito de 6 a 16 de agosto, o acesso ao Centro pelas ruas do entorno é desviado, e o estacionamento na região fica reduzido. A orientação da Prefeitura é usar as ruas paralelas e chegar a pé ao Largo, que fica a poucas quadras da Praça Barão. O fechamento garante segurança para o público, que se concentra em frente ao palco e nas mesas da quermesse.
Café, imigrantes e a cidade que cresceu
Os 164 anos que a festa celebra contam a história típica do interior paulista: a freguesia de 1862 nasceu do café, que ocupou as terras entre Limeira e Pirassununga na segunda metade do século XIX e trouxe a ferrovia — a Companhia Paulista chegou a Araras em 1877 —, os imigrantes italianos das colônias das fazendas e, com eles, a cultura que a Orquestra de Violeiros e a quermesse preservam. O ciclo do café deu lugar à cana e aos citros no século XX, à indústria a partir dos anos 1970 e à economia diversificada de hoje. O Largo da Basílica, onde a capela original foi erguida, é o ponto em que essa história começou — e o lugar onde a cidade escolhe comemorá-la.
A festa como economia
Dez noites de shows gratuitos no Centro têm efeito direto sobre o comércio do entorno: bares, lanchonetes, sorveterias e lojas que ficam abertas até mais tarde durante a festa. A quermesse movimenta fornecedores locais — padarias, açougues, distribuidoras — e emprega dezenas de voluntários da paróquia. Para os artistas, o palco do aniversário é cachê e vitrine: tocar para a praça cheia é o que garante contratações em festas de bairro, casamentos e bares nos meses seguintes. É economia criativa em escala municipal, e é uma das razões pelas quais a Prefeitura mantém o formato com artistas da cidade.
O dia 15: missa, procissão e sertanejo
O sábado, 15 de agosto, concentra a celebração: missa solene pela padroeira, procissão pelas ruas centrais e, à noite, o show de Kiko Villa Nova no Largo. É o dia em que a festa religiosa e a civil se encontram — e em que a cidade tradicionalmente lota a praça. A programação de domingo, 16, encerra a festa com a quermesse.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o modelo deveria inspirar o calendário cultural do ano inteiro. "Artista local, palco público, entrada franca, comida da igreja: Araras tem essa fórmula e a usa uma vez por ano. Por que não uma vez por mês, no Largo ou na Praça Barão, com os mesmos violeiros, sambistas e sanfoneiros? Custa pouco, movimenta o Centro, dá palco a quem toca em bar. O aniversário prova que a cidade vai — falta a Prefeitura transformar a festa em programa", analisa.
A festa de 164 anos de Araras acontece no Largo da Basílica de Nossa Senhora do Patrocínio até 16 de agosto, com shows gratuitos diários a partir das 18h e praça de alimentação organizada pela Basílica Menor.



