A Prefeitura de Araras realiza, desde fevereiro de 2026, a entrega quinzenal de cestas de verduras, frutas e legumes para 17 entidades beneficentes do município e para 20 famílias em situação de vulnerabilidade selecionadas pelo Projeto SuperAção, da Secretaria de Assistência Social. As cestas são adquiridas pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do Governo Federal, com todos os produtos comprados de produtores familiares locais a preços tabelados pela Conab. O repasse total é de R$ 320 mil e garante a distribuição até novembro. A entrega de quinta-feira, 30 de julho, foi acompanhada pela prefeita Elaine Brambilla e pela diretora da Secretaria de Meio Ambiente e Agricultura, Bruna Martins. As informações são do portal Notícias de Araras.
"O objetivo é levar alimento saudável para essas pessoas que têm pouco acesso e, ao mesmo tempo, incentivar e garantir renda à agricultura familiar da cidade", explicou a prefeita. As entidades atendidas incluem a OSAF — Obra Salesiana de Apoio Fraterno e Casa Puríssimo Coração de Maria —, a Avida, associação de valorização de pessoas com deficiência, a Alara — Associação Laço Rosa —, a Amcra — Amigos das Crianças de Araras —, a Santa Casa de Misericórdia, o Ceren — Centro de Estimulação Educacional e Neurológico — e a Funsayão, além das 20 famílias do SuperAção.
Como funciona o PAA
O Programa de Aquisição de Alimentos, criado em 2003 e relançado em 2023, compra alimentos de agricultores familiares — com dispensa de licitação e preço de referência fixado pela Conab, a Companhia Nacional de Abastecimento — e os destina a entidades socioassistenciais, equipamentos públicos de alimentação e famílias em insegurança alimentar. O município adere, cadastra produtores e entidades, organiza a logística e presta contas; o governo federal paga o produtor. Em Araras, a operação é da Secretaria de Meio Ambiente e Agricultura, que seleciona os produtores, e da Assistência Social, que define os beneficiários. É política de duas pontas: renda no campo, comida na mesa.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o PAA é o programa mais eficiente que existe para cidade com zona rural. "Trezentos e vinte mil reais que saem do Tesouro, entram no bolso do pequeno produtor de Araras — que planta alface, tomate, banana, mandioca — e viram cesta na Santa Casa, na Amcra, na casa da família do SuperAção. Nenhum atravessador, nenhum licitação, preço justo tabelado. É o dinheiro público circulando duas vezes na cidade: primeiro no sítio, depois na entidade. Araras aderiu, cadastrou e está entregando quinzenalmente desde fevereiro. É o tipo de programa que não dá manchete e muda a vida de quem planta e de quem come", avalia.
Quem produz: a agricultura familiar de Araras
A zona rural de Araras, além da cana e dos citros das grandes propriedades, tem sítios e chácaras de produção familiar — hortaliças, frutas, mandioca, ovos, mel — que abastecem feiras e o comércio local. O PAA dá a esses produtores um comprador certo, com contrato anual e preço estável, o que permite planejar plantio e investir. Para participar, o agricultor precisa da Declaração de Aptidão ao Pronaf (a DAP, hoje CAF) e do cadastro junto à Secretaria de Agricultura, que organiza as entregas na periodicidade acordada.
As "cestas verdes"
Diferentemente da cesta básica tradicional — arroz, feijão, óleo, itens secos —, a cesta verde é composta de alimentos frescos: verduras, legumes e frutas da estação, colhidos nos dias anteriores à entrega. É o que falta na alimentação de famílias em vulnerabilidade, cuja dieta se concentra em carboidratos baratos. Para entidades como a Santa Casa, o Ceren e as casas de acolhimento da OSAF, os produtos frescos complementam a alimentação de pacientes, crianças e idosos com o que o orçamento próprio raramente cobre. A distribuição quinzenal garante regularidade e evita perda.
As entidades atendidas
A lista reflete a rede filantrópica de Araras: a OSAF, salesiana, com a Casa Puríssimo Coração de Maria, de acolhimento; a Avida, de pessoas com deficiência; a Alara, que apoia mulheres com câncer de mama; a Amcra, de atendimento a crianças; a Santa Casa, principal hospital da cidade; o Ceren, de estimulação neurológica; e a Funsayão, fundação de educação especial que também forma os Profissionais de Apoio Escolar da rede municipal. São 17 entidades no total, atendidas junto com as 20 famílias do SuperAção — o programa estadual que acompanha por dois anos famílias em pobreza.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a inclusão das famílias do SuperAção é o detalhe mais inteligente. "O SuperAção acompanha 105 famílias com agente social e plano de dois anos. Vinte delas recebem cesta verde a cada quinze dias — comida fresca, do sítio de Araras, entregue pela Prefeitura. É a assistência social usando o PAA como ferramenta do acompanhamento: a família que está sendo ajudada a sair da pobreza come melhor enquanto isso. Se as outras 85 entrarem em 2027, quando o próximo repasse do PAA vier, o programa terá dobrado de alcance sem dobrar de custo — porque produtor há", observa.
PNAE e PAA: as duas compras públicas
O PAA não é o único canal de compra pública da agricultura familiar em Araras. O Programa Nacional de Alimentação Escolar exige que ao menos 30% dos recursos federais da merenda sejam gastos com produtos da agricultura familiar — o que, numa rede de 12 mil alunos, representa compra regular de hortifrúti dos mesmos sítios que abastecem o PAA. Juntos, os dois programas formam um mercado institucional estável para o pequeno produtor local: a escola compra durante o ano letivo, o PAA compra para as entidades. Municípios que organizam bem os dois — cadastro único de produtores, logística compartilhada — conseguem que a agricultura familiar viva das compras públicas e ainda abasteça a feira.
Conab: o preço de referência
O preço tabelado pela Conab protege as duas partes: o produtor recebe valor compatível com o mercado regional, sem depender de negociação com a Prefeitura, e o município paga preço justo, sem risco de superfaturamento. A companhia divulga tabelas por produto e região, atualizadas periodicamente, e o município executa as compras dentro delas. É o mecanismo que permite dispensar licitação sem abrir mão de controle — e que o Tribunal de Contas aceita.
Até novembro — e depois
Os R$ 320 mil garantem a distribuição até novembro de 2026. A continuidade em 2027 depende de nova adesão do município ao PAA e de novo repasse federal — em geral anual —, além da manutenção do cadastro de produtores e entidades. Com a demanda crescente das entidades e o número de famílias no SuperAção, a Prefeitura tem argumento para pedir cota maior; o histórico de execução regular desde fevereiro é o que pesa na análise.
Segurança alimentar em Araras
As cestas verdes se somam a uma rede de ações de alimentação em 2026: as 16 toneladas do Trote Solidário da FHO, a arrecadação da Festa do Peão, as campanhas do Fuss, a merenda escolar para 12 mil alunos — com compra da agricultura familiar pelo PNAE — e o Conselho de Segurança Alimentar, que se reuniu com a prefeita em agosto. É um sistema que combina doação, compra pública e programa federal, e em que o PAA é a peça que liga a produção local à demanda social.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o programa merece visibilidade e ampliação. "Todo mundo conhece a cesta básica; quase ninguém sabe que Araras entrega cesta verde do produtor local a 17 entidades e 20 famílias há seis meses. A prefeita foi à entrega em julho — bom. O próximo passo é levar as famílias às feiras dos produtores, colocar os sítios do PAA no mapa, mostrar de onde vem a alface. Programa que conecta quem planta e quem come precisa que os dois se vejam. E precisa de mais dinheiro: R$ 320 mil por ano é começo, não teto", analisa.
A entrega de cestas de verduras, frutas e legumes do Programa de Aquisição de Alimentos em Araras segue quinzenalmente até novembro de 2026. Produtores familiares interessados em participar devem procurar a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agricultura, na Rua Emílio Ferreira, 70, Vila Queiroz.



