Araras encerrou o primeiro semestre de 2026 com saldo positivo de 1.532 empregos com carteira assinada, segundo o Novo Caged, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e Emprego. Nos seis primeiros meses do ano, a cidade registrou 11.126 admissões e 9.594 desligamentos. Do saldo, 734 vagas foram ocupadas por mulheres e 798 por homens. A indústria respondeu por 1.091 dos novos postos — mais de dois terços do total —, seguida pelos serviços, com 501. A agropecuária foi o único setor com resultado negativo: -111. As informações são da Prefeitura de Araras.

"Esse é um reflexo das ações que a Secretaria Municipal de Desenvolvimento vem realizando desde o final do ano passado. Atualmente, o carro-chefe da pasta é desenvolver mais empregabilidade, com mutirões, processos seletivos, ações mensais com empresas no PAT, mais divulgações e um relacionamento maior com os departamentos de recursos humanos de empresas parceiras. Graças a esses mecanismos, nós fechamos no positivo nesse semestre", explicou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Sergio Marcos Zurita Fernandes.

Setor por setor

Os números detalhados mostram onde o emprego cresceu. A indústria teve 3.840 admissões e 2.749 desligamentos, saldo de 1.091 e variação relativa de 7,54% — o maior crescimento proporcional entre os setores. Os serviços registraram 3.837 admissões e 3.336 desligamentos, saldo de 501 e variação de 4,10%. A construção civil ficou praticamente estável, com 573 contratações e 540 demissões (saldo 33, variação 2,30%), assim como o comércio, com 2.372 admissões e 2.354 desligamentos (saldo 18, variação 0,22%). A agropecuária teve 504 admissões e 615 desligamentos, saldo negativo de 111 e variação de -6,94%.

O peso da indústria confirma o perfil econômico de Araras: cidade com distrito industrial ativo, agroindústria sucroalcooleira, metalurgia e alimentos, em que a fábrica — e não o comércio — é o principal empregador formal. O comércio, com mais de 2.300 admissões e quase o mesmo número de desligamentos, mostra a rotatividade típica do setor.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a composição do saldo é o dado relevante. "Mil e quinhentos empregos em seis meses, numa cidade de 130 mil habitantes, é bom. Mil e noventa e um deles na indústria é ótimo — emprego industrial paga mais, dura mais e puxa serviço em volta. Araras não está crescendo em vaga de balcão; está crescendo em vaga de chão de fábrica. É o tipo de saldo que uma cidade do interior paulista quer ver, e que muitas não veem", avalia.

Agropecuária: o único negativo

O saldo negativo da agropecuária tem explicação sazonal e estrutural. Sazonal porque o primeiro semestre inclui a entressafra de várias culturas e o início da colheita da cana, com contratações concentradas em outros meses; estrutural porque a mecanização da colheita, consolidada no interior paulista, reduziu ano a ano a demanda por trabalho manual no campo. Uma variação de -6,94% sobre uma base de 504 admissões indica um setor que emprega menos e demite em ciclos — e que não é mais, há tempos, o motor do emprego local.

Jovens e ensino médio: quem foi contratado

Por faixa etária, as contratações se concentraram nos mais jovens: 634 vagas para pessoas de 18 a 24 anos, 290 para menores de 17 — aprendizes e estagiários — e 192 para a faixa de 30 a 39 anos. Por escolaridade, o ensino médio completo foi o nível com mais admissões, 947. O perfil é o do primeiro emprego formal e do trabalhador de produção: jovem, com ensino médio, entrando na indústria ou nos serviços.

O dado conversa com outras notícias da cidade: a Casa da Juventude promovendo oficinas de empregabilidade, a Feira das Profissões da FHO atraindo estudantes de ensino médio, a Univesp formando turmas em Administração e TI. A demanda por jovens com ensino médio é o que essas iniciativas tentam atender — e o que o Caged mostra que a economia local está absorvendo.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o número dos jovens merece atenção dupla. "Seiscentos e trinta e quatro vagas para gente de 18 a 24 anos é a cidade dando primeiro emprego. Isso é bom. Mas ensino médio completo como escolaridade dominante mostra o limite: são vagas de entrada, de salário baixo. O desafio de Araras é a segunda etapa — o jovem que entrou na fábrica em 2026 precisa de curso técnico, de Univesp, de FHO, para não ficar no mesmo salário em 2036. O emprego chegou; a qualificação é o próximo passo", observa.

Homens e mulheres: saldo quase igual

Das 1.532 vagas líquidas, 734 foram ocupadas por mulheres e 798 por homens — uma divisão próxima do equilíbrio, incomum em cidades onde a indústria pesada domina o emprego formal. Como a indústria respondeu por 71% do saldo, o dado sugere que as fábricas de Araras — alimentos, embalagens, metalurgia leve — estão contratando mulheres em linhas de produção e áreas administrativas em proporção relevante, e que os serviços, tradicionalmente mais femininos, complementam. É um indicador de inserção da mulher no mercado formal que a cidade deveria acompanhar nos próximos semestres, junto com a diferença salarial entre os dois grupos, que o Caged não mede.

Mutirões e PAT: o que a Prefeitura faz

O secretário atribui parte do resultado ao trabalho da Secretaria de Desenvolvimento Econômico: mutirões de emprego, processos seletivos organizados com empresas, ações mensais no Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT), divulgação de vagas e relacionamento com os departamentos de recursos humanos das empresas locais. O PAT, que integra a rede estadual de intermediação de mão de obra, funciona como ponte: cadastra o trabalhador, recebe as vagas das empresas e faz o encaminhamento — e, em Araras, vem realizando processos seletivos específicos, como o de motoristas para a TCA e o de atendentes para o Instituto Aprimorar.

Prefeituras não criam empregos privados, mas podem reduzir o atrito entre quem procura e quem oferece. É esse o papel que a secretaria reivindica no saldo do semestre.

Como se lê o Caged

O Novo Caged consolida as estatísticas do emprego formal a partir do eSocial, do Caged tradicional e do Empregador Web — os sistemas em que as empresas registram cada admissão e cada desligamento. O saldo é a diferença entre os dois, e a variação relativa compara o saldo com o estoque de empregos do setor no início do período. Um saldo positivo significa mais gente com carteira assinada no fim do semestre do que no começo; não mede informalidade, autônomos nem qualidade dos postos.

Araras no contexto regional

O resultado se soma a outros indicadores recentes da cidade: 94ª posição em inserção econômica e 110ª em inovação e dinamismo econômico no Ranking de Competitividade dos Municípios, entre 423 cidades; selos Ouro e Inovação no programa FacilitaSP, do governo estadual, por desburocratização do licenciamento; e a abertura de um supermercado com 100 vagas em julho. São sinais de uma economia local em expansão moderada, sustentada pela indústria e pelo comércio de bairro.

O segundo semestre

O saldo do ano dependerá do segundo semestre, que historicamente concentra contratações temporárias no comércio, para o fim de ano, e a colheita da cana na agroindústria. Se a indústria mantiver o ritmo do primeiro semestre, Araras pode fechar 2026 com saldo acima de 2.500 empregos — o que seria um dos melhores resultados da década para o município.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a Prefeitura deveria publicar o dado mensalmente. "O Caged sai todo mês, por município, de graça. Uma cidade que tem saldo positivo deveria mostrar isso — e uma que tem saldo negativo, também, para explicar. Araras fez bem em divulgar o semestre. Melhor ainda seria um painel no site com o número de cada mês, setor por setor, para que empresário, trabalhador e vereador acompanhem. Transparência de emprego é a melhor propaganda que uma cidade pode fazer para atrair investimento", analisa.

Os dados do Novo Caged por município são publicados mensalmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O PAT de Araras atende trabalhadores em busca de vaga e empresas com postos abertos, com processos seletivos divulgados pela Prefeitura.