O município de Araras já recebeu R$ 2.000.338 do Programa SuperAção SP, iniciativa do Governo do Estado que busca ajudar famílias em situação de vulnerabilidade social a superar a pobreza de forma estruturada e duradoura. Coordenado pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social, o programa integra assistência social, qualificação profissional, geração de renda e inclusão no mercado de trabalho, e atende famílias inscritas no CadÚnico com renda per capita inferior a meio salário mínimo. Em Araras, 105 famílias estão validadas. As informações são do portal Notícias de Araras.

"A iniciativa atende famílias inscritas no CadÚnico, com renda per capita inferior a meio salário mínimo, oferecendo acompanhamento personalizado por agentes sociais durante até dois anos. As famílias recebem apoio para acesso a serviços públicos, capacitação profissional e benefícios financeiros", explicou a secretária municipal de Assistência Social, Mirian Vanessa Pires Franzini. As famílias que aderiram estão na etapa de levantamento das políticas públicas necessárias, conforme diagnóstico realizado no módulo Proteger, do sistema do programa.

Como o SuperAção funciona

O programa se diferencia da transferência de renda tradicional por um componente: o acompanhamento. Cada família recebe um agente social que faz o diagnóstico — quem mora na casa, quem trabalha, quem estuda, que serviços faltam, que problemas de saúde existem — e constrói um plano de até dois anos com metas: matricular criança na escola, tirar documentos, fazer curso profissionalizante, tratar doença, conseguir emprego formal. Os benefícios financeiros são condicionados ao cumprimento das etapas. A aposta é que, com apoio dirigido e tempo, a família saia da pobreza por conta própria, e não apenas receba um valor mensal.

Atualmente o programa está presente em 48 municípios e prevê beneficiar 105 mil famílias até 2027, com investimento superior a R$ 1,5 bilhão, com recursos do Tesouro Estadual e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A Fundação Getúlio Vargas é uma das apoiadoras do projeto junto ao Estado.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o modelo é o certo — e o difícil. "Dar dinheiro é fácil e necessário; acompanhar família por dois anos, com agente social, plano e meta, é o que realmente tira alguém da pobreza. É caro por família, exige gente treinada e dá resultado devagar. Araras tem 105 famílias no programa e R$ 2 milhões recebidos. A pergunta de 2028 é quantas dessas 105 estarão com emprego formal e fora do CadÚnico. Se forem sessenta, o programa é um sucesso. É esse o número a acompanhar", avalia.

O comitê municipal

Na sexta-feira (22 de maio), a Casa da Memória "Pedro Pessotto Filho" sediou reunião do Comitê Municipal Intersetorial do Programa Superação da Pobreza, com representantes da FGV e da Coordenadoria Regional do Programa. O encontro foi presidido pelo então prefeito Irineu Maretto — que morreu no fim de junho e foi sucedido pela vice, Elaine Brambilla — e reuniu os secretários de Assistência Social, Saúde (representada por Vanda Bressan), Desenvolvimento Econômico, Educação, Meio Ambiente e Agricultura e Habitação, além de Daniela Franco, representando a presidente do Fuss, Áurea Bolli Maretto. O comitê foi nomeado pela Portaria 12.703/2025.

"O recurso está sendo aplicado na política pública de assistência social em todas as suas necessidades", disse Maretto na ocasião. A composição do comitê — seis secretarias e o Fuss — reflete a natureza intersetorial do programa: superar a pobreza exige saúde, educação, emprego, moradia e assistência atuando sobre a mesma família ao mesmo tempo.

Meio salário mínimo por pessoa: quem é o público

O critério de renda per capita inferior a meio salário mínimo delimita as famílias em situação de pobreza segundo o CadÚnico — em Araras, majoritariamente famílias chefiadas por mulheres, com crianças, em bairros periféricos das regiões norte, leste e sul, muitas beneficiárias do Bolsa Família. São as mesmas famílias atendidas pelos Cras, pelo Fuss e pelos programas de óculos, enxoval e alimentos da Prefeitura. O SuperAção adiciona a essa rede o acompanhamento individualizado que os serviços de rotina, sobrecarregados, não conseguem oferecer.

BID e FGV: o desenho técnico

A participação do Banco Interamericano de Desenvolvimento no financiamento e da FGV no apoio técnico indica que o SuperAção SP segue modelos de programas de superação da pobreza testados em outros países da América Latina, com avaliação de impacto — comparação entre famílias atendidas e não atendidas para medir o efeito real. É uma exigência típica de financiamento do BID e uma garantia de que os resultados serão medidos, e não apenas declarados.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a presença do banco e da fundação muda o padrão. "Programa social com dinheiro do BID e avaliação da FGV é programa que vai ser medido de verdade. Isso protege o município de duas coisas: de gastar sem saber se funcionou, e de ser acusado de gastar mal. Araras entrou cedo — está entre 48 cidades de 645 — e vai ter os dados antes das outras. Se o modelo funcionar, a cidade sabe o que fazer; se não funcionar, sabe o que evitar", observa.

O elo com emprego e qualificação

O componente de inclusão no mercado de trabalho dialoga com o que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico vem fazendo: processos seletivos no PAT, mutirões de emprego, parceria com empresas como a Nestlé. Para a família do SuperAção, o caminho previsto é qualificação — cursos do Sebrae, do Senai, da Casa da Juventude — seguida de encaminhamento a vaga formal. O saldo de 1.532 empregos no primeiro semestre, com 947 contratações de pessoas com ensino médio completo, sugere que há vagas na ponta; o desafio é conectar a família acompanhada à vaga aberta.

Do CadÚnico ao plano: as etapas

O percurso da família no SuperAção começa pela busca ativa: a equipe municipal identifica, no CadÚnico, as famílias elegíveis pelo critério de renda e as convida a aderir — a participação é voluntária. Na adesão, o agente social faz o diagnóstico registrado no módulo Proteger do sistema estadual: composição familiar, escolaridade, situação de trabalho, documentação, saúde, moradia, acesso a serviços. É a fase em que as 105 famílias de Araras estão agora. Em seguida, vem o plano familiar, com metas e prazos, e o acompanhamento em visitas periódicas ao longo de até dois anos. Os benefícios financeiros do programa são liberados à medida que as etapas são cumpridas — o que dá ao agente instrumento de incentivo e à família um horizonte concreto.

A validação das 105 famílias significa que elas passaram pela checagem de elegibilidade e estão formalmente no programa; o número pode crescer conforme a busca ativa avança e mais famílias aderem. Em cidades do porte de Araras, com cerca de 130 mil habitantes, o público potencial — famílias no CadÚnico abaixo de meio salário mínimo per capita — é de algumas centenas.

Bolsa Família e SuperAção: complementares

O SuperAção não substitui o Bolsa Família, programa federal de transferência de renda que a maioria das famílias elegíveis já recebe. A lógica é de complementaridade: o Bolsa garante o mínimo mensal; o SuperAção acrescenta o acompanhamento e as portas de saída — qualificação, emprego, regularização de documentos, acesso a creche e a tratamento de saúde. Programas desse tipo, chamados de "acompanhamento familiar intensivo", foram testados no Chile e em outros países latino-americanos com resultados positivos na inserção no trabalho formal, e é esse modelo que o BID financia e a FGV avalia em São Paulo.

O que os R$ 2 milhões pagam

O recurso repassado ao município financia os agentes sociais, a estrutura de acompanhamento, os benefícios financeiros condicionados e as ações de qualificação — aplicado, segundo a Prefeitura, "na política pública de assistência social em todas as suas necessidades". Para uma secretaria com orçamento apertado, R$ 2 milhões é reforço significativo, que permite contratar e treinar equipe dedicada em vez de sobrecarregar os Cras existentes.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a transição de governo é o ponto de atenção. "O comitê foi presidido por Maretto em maio; Elaine assumiu em julho. Programa de dois anos não pode perder ritmo na troca de gestão — as 105 famílias estão no meio do diagnóstico. A nova prefeita manteve a secretária de Assistência Social, o que é bom sinal. O que a cidade precisa ver é o comitê se reunindo de novo, com a mesma equipe, e as famílias avançando de etapa. Continuidade, aqui, é o programa inteiro", analisa.

O SuperAção SP acompanha as 105 famílias validadas em Araras por até dois anos. Famílias inscritas no CadÚnico com renda per capita inferior a meio salário mínimo podem buscar informações sobre o programa nos Cras do município.