A Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Civil de Araras realizou na manhã desta quinta-feira (3) uma reunião de alinhamento entre a administração municipal e todas as forças de segurança que atuam na cidade. O encontro aconteceu no gabinete da prefeita Elaine Brambilla, na Casa da Memória "Pedro Pesotto Filho", e reuniu representantes da Polícia Civil, da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros, do Tiro de Guerra, da Guarda Civil Municipal, da Defesa Civil e do Departamento Municipal de Trânsito (Demutran). A pauta principal foi a importância do trabalho integrado e a formalização de futuras parcerias e ações conjuntas. As informações são do portal Notícias de Araras.
"Somente trabalhando integrados vamos conseguir melhorar, ainda mais, os índices de criminalidade em nossa cidade, com ações preventivas e ostensivas. Nossa principal missão é deixar uma Araras cada vez mais segura", afirmou o secretário de Segurança Pública, João Tranquilo Beraldo.
Quem sentou à mesa
A lista de presentes dá a dimensão do encontro. Pela Polícia Militar, a capitã Tárcila Miranda Santos, comandante da 2ª Companhia em Araras, e a cabo Erislandia da Silva Oliveira Moscardo. Pela Guarda Civil Municipal, o inspetor Daniel Ponessi Alves, comandante da corporação. Pelo Corpo de Bombeiros, o 1º tenente Paulo César Olivato Júnior e o subtenente Washington Norberto Silva. Pela Polícia Civil, o delegado titular de Araras, Edgar Albanez; o delegado Alexandre Ferracioli Pereira; e a delegada Evelyn Kafa Loiola Domiate, da Delegacia de Defesa da Mulher.
Pelo Tiro de Guerra 02-053, o subtenente André Vinícius de Melo, chefe de instrução, e o subtenente Fabrício Bruno Santos. Pela Prefeitura, além da prefeita e do secretário Beraldo, o secretário de Governo, João Victor Teixeira; Wanderlein Geraldo Júnior, diretor-geral da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Civil; Marcus Vinícius Cabral, chefe de divisão da Defesa Civil; e Cristiano Rogério Barbosa, diretor do Demutran.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a composição é o que dá valor à reunião. "Não é comum ver, na mesma sala, a comandante da PM, o delegado titular, a delegada da Mulher, o comandante da GCM, os bombeiros e o Tiro de Guerra — com a prefeita presidindo. Cada um responde a uma esfera diferente: Estado, município, Exército. Juntá-los é o primeiro passo para que a segurança em Araras funcione como sistema, e não como sete instituições que se cruzam por acaso", avalia.
Quem faz o quê na segurança de uma cidade
A segurança pública no Brasil é compartilhada entre entes que não se subordinam uns aos outros. A Polícia Militar, estadual, faz o policiamento ostensivo — a viatura na rua, o atendimento ao 190. A Polícia Civil, também estadual, investiga crimes e registra ocorrências na delegacia. O Corpo de Bombeiros, vinculado à PM em São Paulo, cuida de incêndios, resgates e vistorias. A Guarda Civil Municipal, do município, protege o patrimônio público, apoia o trânsito e, cada vez mais, atua na prevenção — em Araras, inclusive com a Patrulha Maria da Penha e o programa Anjos da Guarda. A Defesa Civil responde a desastres e alertas climáticos. O Demutran fiscaliza o trânsito. O Tiro de Guerra, do Exército, forma reservistas e apoia ações cívicas.
Nenhuma dessas instituições comanda a outra. A integração, portanto, não pode ser imposta — precisa ser construída por acordo, com rotinas de troca de informação, operações conjuntas e canais de comunicação. É o que a reunião desta quinta-feira se propôs a formalizar.
O papel do município
A prefeita Elaine Brambilla afirmou que a segurança pública é uma das maiores reivindicações da sociedade. "Por isso seguiremos fazendo a nossa parte e auxiliando no que pudermos todas as forças de segurança, garantindo pessoal necessário para o funcionamento das repartições administrativas e estruturas que couberem ao município", disse.
A fala descreve com precisão o que uma prefeitura pode fazer: ceder funcionários administrativos para delegacias e companhias, manter prédios, fornecer veículos e combustível por convênio, instalar câmeras de monitoramento, iluminar ruas, integrar a GCM às operações estaduais. Não pode contratar policiais militares nem delegados — isso é do Estado —, mas pode fazer com que os que existem trabalhem melhor.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, é nesse espaço que a gestão municipal faz diferença. "Prefeito não manda na PM, mas manda na GCM, no Demutran, na Defesa Civil, na iluminação e nas câmeras. Se ele integra o que é dele com o que é do Estado — GCM patrulhando onde a PM não chega, câmera municipal alimentando a investigação da Civil —, o resultado aparece nos índices. Araras tem secretaria de Segurança própria e um secretário que fala em 'ações preventivas e ostensivas'. Isso é linguagem de quem entende que a cidade é parte do sistema, não espectadora", observa.
Araras em 103º no pilar segurança
Há uma medida externa para o ponto de partida. No Ranking de Competitividade dos Municípios de 2026, que avalia 423 cidades brasileiras, Araras aparece na 103ª posição no pilar segurança — praticamente a mesma colocação geral do município, 105ª. É um resultado intermediário: melhor do que a maioria das cidades do país, mas longe do topo, e abaixo do que a cidade alcança em saneamento (49ª) e educação (51ª). A própria Prefeitura, ao divulgar o ranking em agosto, reconheceu que "em muitos deles precisamos melhorar".
O pilar segurança do ranking combina indicadores de homicídios, mortes no trânsito e outros crimes violentos com dados oficiais do Estado. Melhorar a posição, portanto, depende de reduzir números que as sete instituições reunidas nesta quinta-feira produzem em conjunto — o que dá à reunião de alinhamento um objetivo mensurável.
A GCM como braço municipal
Entre as forças presentes, a Guarda Civil Municipal é a única sob comando direto da Prefeitura — e a que mais se transformou nos últimos anos. Em Araras, a GCM mantém a Patrulha Maria da Penha, que acompanha mulheres com medida protetiva; o programa Anjos da Guarda, que leva os cães do canil da corporação a escolas e ações educativas; e participa das blitze de trânsito e de campanhas como o Agosto Lilás. É a face preventiva e comunitária da segurança municipal, complementar ao policiamento ostensivo da PM.
A integração discutida na reunião passa, em grande parte, por ampliar o que a GCM pode fazer em apoio às polícias estaduais — rondas em áreas de menor cobertura, apoio a operações, compartilhamento de imagens do monitoramento municipal — sem ultrapassar os limites legais de atuação de uma guarda municipal.
Prevenção e ostensividade: dois caminhos
O secretário Beraldo resumiu a estratégia em duas palavras. Ações ostensivas são as visíveis — viaturas, rondas, blitz, presença policial que inibe o crime pela dissuasão. Ações preventivas atuam antes: iluminação, câmeras, programas sociais para jovens, Patrulha Maria da Penha acompanhando vítimas, blitz educativas de trânsito. A primeira reduz o crime de oportunidade; a segunda reduz as condições que o produzem.
Cidades que combinam as duas, com dados compartilhados entre as forças — onde os crimes acontecem, em que horário, contra quem —, conseguem direcionar o policiamento com mais eficiência. É esse compartilhamento que uma reunião de alinhamento pode destravar.
Da reunião ao resultado
Encontros como este são o começo, não o fim. O que se espera, a partir da formalização de parcerias, são instrumentos concretos: convênios entre Prefeitura e Estado para cessão de pessoal e estrutura, protocolo de integração entre GCM e PM, acesso das polícias às câmeras municipais, calendário de operações conjuntas e um canal permanente de comunicação entre os comandantes — que a reunião, ao colocá-los frente a frente, já iniciou.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a cobrança deve ser por resultado mensurável. "Reunião de alinhamento é foto boa. O que interessa é o que vem depois: os índices de roubo, furto e violência doméstica em Araras daqui a seis meses. A Prefeitura tem os dados, o Estado tem os dados. Se a integração for real, os números caem e a cidade fica sabendo. Se for só foto, a próxima reunião vai ter a mesma pauta. O secretário prometeu melhorar índices — é por isso que ele vai ser cobrado", analisa.
A Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Civil não divulgou calendário de novas reuniões nem os termos das parcerias a serem formalizadas. A população pode acionar a GCM pelo 153, a Polícia Militar pelo 190 e os Bombeiros pelo 193.



