A Secretaria Municipal de Cultura de Araras divulgou nesta terça-feira (1º) a programação cultural de setembro, que tem dois destaques: a 4ª edição do Garimpo Urbano, no dia 19, no Centro Cultural "Leny de Oliveira Zurita", e o Festival Cultural da Infância, no dia 26, no Jardim Nova Olinda — evento inédito na cidade, realizado pela Secretaria de Cultura, Economia e Indústrias Criativas do Governo do Estado de São Paulo. Completam a agenda o Cineclube Entretrilhos, o Arte no Coreto, a Hora de Leitura e as atividades permanentes da secretaria, dos ensaios da Orquestra de Violeiros às aulas de capoeira e passinho. As informações são do portal Notícias de Araras.
"Serão dois eventos com grande apelo para a população. O Garimpo, nas três primeiras edições, foi um sucesso de público e de oportunidades para os expositores que participaram. Já o festival destinado às crianças, no Nova Olinda, será recheado de atrações incríveis para a molecada e toda a família", afirmou o secretário de Cultura, Marcelo Daniel, o Mussa.
O que é o Garimpo Urbano
O Garimpo Urbano é um festival de exposição, troca e venda de antiguidades, peças retrô, livros usados, roupas de brechó, artesanato, obras de arte e outros itens "a serem garimpados" pelos visitantes — daí o nome. A estrutura vai além das bancas: há praça de alimentação, atrações musicais, espetáculos culturais e área kids, o que transforma a feira em programa de dia inteiro para famílias, e não apenas em ponto de compras.
A quarta edição consolida um formato que a Secretaria de Cultura vem testando desde a primeira: reunir, em um mesmo espaço público, o pequeno comerciante de usados, o artesão local, o colecionador e o artista, com música ao vivo e comida. O saldo das edições anteriores, segundo o secretário, foi positivo tanto em público quanto em oportunidades de venda para os expositores — o que explica a permanência do evento no calendário.
Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o Garimpo é mais do que uma feira. "Brechó, antiguidade, livro usado e artesanato são a base da economia criativa de uma cidade média — gente que produz ou revende em pequena escala e não tem loja de rua. O Garimpo Urbano dá a esse pessoal um dia por edição com público garantido, sem aluguel, num centro cultural municipal. Quatro edições em sequência mostram que Araras tem demanda dos dois lados: quem vende e quem compra. É política de fomento com custo baixo e retorno visível", avalia.
Segunda mão em alta
O crescimento do Garimpo acompanha um movimento mais amplo. O mercado de produtos de segunda mão — roupas de brechó, móveis antigos, discos, livros — cresce no Brasil e no mundo, impulsionado por três fatores: a busca por preços menores em tempos de renda apertada, a preocupação ambiental com o descarte e a valorização estética do retrô entre consumidores jovens. Plataformas digitais popularizaram a revenda, mas a experiência presencial — tocar a peça, conversar com quem a vende, achar o inesperado — continua sendo o apelo das feiras físicas.
Ao dar a esse mercado um espaço institucional, a Prefeitura reconhece nele uma atividade econômica legítima e a associa à agenda cultural, com música e espetáculos. É o que diferencia o Garimpo de uma simples feira de rua.
Festival Cultural da Infância: estreia no Nova Olinda
O segundo destaque de setembro é o Festival Cultural da Infância, que acontece pela primeira vez em Araras no dia 26, no campo de futebol do Jardim Nova Olinda, na Rua Vitória Régia. O festival é gratuito e oferece programação diversificada e interativa para crianças — apresentações, teatro, pintura, música, recreação e outras atividades —, com o objetivo declarado de promover acesso à cultura e inclusão social. A realização é do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústrias Criativas.
A escolha do Jardim Nova Olinda, bairro periférico, e de um campo de futebol como palco é significativa: leva o evento a uma região distante do centro cultural e o instala em um espaço que a comunidade já usa. É o modelo de descentralização que programas estaduais de cultura vêm adotando — o festival vai até o público, em vez de esperar que o público se desloque.
Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a parceria com o Estado é o dado relevante. "Araras conseguiu entrar no circuito de um festival estadual de infância, gratuito, na periferia. Isso não cai do céu: exige que a Secretaria de Cultura tenha cadastro, projeto e diálogo com o governo paulista. Se a estreia der certo, o festival tende a voltar — e a cidade ganha um evento anual sem tirar dinheiro do orçamento municipal. É o tipo de articulação que pequenas secretarias deveriam fazer o tempo todo", observa.
Cineclube, coreto e leitura: a agenda fixa
Além dos destaques, setembro tem o Cineclube Entretrilhos, que exibe às 19h30 no Centro Cultural "Leny de Oliveira Zurita" os documentários "Babilônia 2000" e "Jogo de Cena" — dois filmes de Eduardo Coutinho, um dos mais importantes documentaristas brasileiros, que retratam, respectivamente, a virada do milênio vista de uma favela carioca e o jogo entre atrizes e depoimentos reais. O Arte no Coreto traz uma noite de flashback com o DJ Buiu, às 20h, e a Hora de Leitura segue na programação.
"Também temos as atividades fixas da Secretaria, como as aulas do núcleo de produção musical, canto, capoterapia, teclado, capoeira, passinho, os ensaios da orquestra de violeiros e do coral municipal e as apresentações do Grupo Talismã", completou Mussa. O Centro Cultural concentra boa parte dessas atividades — a Orquestra de Violeiros ensaia às 19h30 e a aula de teclado, com "José, o pianista", acontece às 18h45.
Eduardo Coutinho na tela do Centro Cultural
A escolha dos dois filmes do Cineclube Entretrilhos merece destaque. Eduardo Coutinho (1933-2014) é considerado o maior documentarista brasileiro, autor de "Cabra Marcado para Morrer" e "Edifício Master". "Babilônia 2000" registra a virada do milênio no Morro da Babilônia, no Rio de Janeiro, ouvindo moradores sobre o que esperam do futuro na noite de 31 de dezembro de 1999. "Jogo de Cena", de 2007, coloca mulheres comuns e atrizes profissionais contando as mesmas histórias de vida — e desafia o espectador a distinguir o depoimento real da interpretação.
São obras que exigem tela, silêncio e conversa depois — exatamente o que um cineclube oferece e uma plataforma de streaming não. Exibi-las gratuitamente em Araras, em uma terça-feira à noite, é uma forma de colocar a cidade em contato com o cinema brasileiro de autor, longe do circuito comercial.
O Centro Cultural como endereço
O Centro Cultural "Leny de Oliveira Zurita" é o eixo físico de toda essa programação. É onde acontece o Garimpo, onde o cineclube exibe, onde a Orquestra de Violeiros ensaia às 19h30, onde a aula de teclado com "José, o pianista" acontece às 18h45, onde o coral municipal e os grupos de capoeira se reúnem. Concentrar as atividades em um único espaço tem custo — deslocamento para quem mora longe — e vantagem: cria um endereço reconhecido, com movimento constante, que o morador associa a cultura. O Festival da Infância no Nova Olinda e o Arte no Coreto são a contrapartida descentralizada.
Cultura como rotina, não como evento
A leitura da agenda mostra uma secretaria que trabalha em duas camadas. A primeira é a dos eventos de grande público — Garimpo, festival infantil —, que atraem visitantes e dão visibilidade. A segunda, menos vistosa, é a das atividades permanentes: aulas semanais, ensaios de grupos, sessões de cinema, leitura. É essa base que forma público, revela talentos e mantém o Centro Cultural ocupado nos dias em que não há festa.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, é a segunda camada que sustenta a primeira. "Orquestra de violeiros, coral municipal, aula de capoeira e cineclube com Eduardo Coutinho numa terça à noite: isso é cultura de todo dia, e é o que faz o Garimpo Urbano ter público na quarta edição. Uma cidade que ensaia toda semana tem quem apareça no evento. Araras montou a rotina antes de montar a festa — e é por isso que a festa funciona", analisa.
A programação completa de setembro, com dias e horários de cada atividade, está disponível nos canais da Secretaria Municipal de Cultura de Araras. O Garimpo Urbano acontece no dia 19, no Centro Cultural "Leny de Oliveira Zurita"; o Festival Cultural da Infância, no dia 26, no campo de futebol do Jardim Nova Olinda. Ambos são gratuitos.



