O Fundo Social de Solidariedade de Araras (Fuss) realiza no sábado, 23 de maio, o "Dia D" da Campanha do Agasalho 2026, das 9h às 16h, em frente ao Ginásio de Esportes "Nelson Rüegger". Com o tema "Araras unida, comunidade aquecida", a ação funciona no sistema drive-thru, como em anos anteriores: o morador para o carro em frente ao ginásio, e os atiradores do Tiro de Guerra e a equipe do Fuss retiram a doação do veículo. Podem ser doados roupas, sapatos, meias, luvas, cachecóis, mantas e cobertores, novos ou usados em boas condições, infantis ou de adulto. Além do Dia D, mais de 50 pontos de coleta espalhados pela cidade recebem doações. As informações são do portal Notícias de Araras.

"Por mais um ano realizaremos essa força-tarefa para arrecadarmos mais peças que vão aquecer muitas pessoas neste inverno. Basta parar o carro em frente ao ginásio, que os atiradores e pessoal do Fuss retiram a doação dos veículos. É simples, rápido e muito importante para ajudar quem precisa", disse a presidente do Fuss, Áurea Bolli Maretto — então primeira-dama, mulher do prefeito Irineu Maretto, que morreria no mês seguinte.

Como funciona o drive-thru

O modelo drive-thru, adotado durante a pandemia e mantido pela praticidade, resolve o principal obstáculo à doação: o esforço. O morador junta as peças em sacos, coloca no porta-malas e, no sábado, passa em frente ao ginásio — os atiradores do Tiro de Guerra, jovens em serviço militar, fazem o descarregamento em segundos, sem fila e sem estacionar. A parceria com o Tiro de Guerra dá à campanha mão de obra organizada e presença visível; para os atiradores, é atividade de serviço comunitário prevista na formação.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o formato é o que faz a campanha render. "Toda campanha de agasalho tem o mesmo problema: as pessoas querem doar e não doam porque dá trabalho — separar, levar, entregar. O drive-thru elimina duas das três etapas. Quem tem roupa de inverno parada no armário passa de carro no sábado e resolve. O Tiro de Guerra na porta é a garantia de que o descarregamento é rápido e respeitoso. Araras repete esse modelo há anos porque funciona: é o Dia D que enche o estoque do Fuss para o inverno inteiro", avalia.

Triagem: o trabalho invisível

Todas as peças doadas passam por triagem no Fuss, onde a equipe verifica o estado e separa por tamanho e tipo — infantil, adulto, masculino, feminino; casaco, calça, cobertor. "Nosso time está preparado para fazer esse trabalho que demanda muito tempo, mas é essencial para entregarmos o que realmente é necessário e termos certeza que estão em boas condições de uso", explicou Áurea Bolli Maretto. E fez o pedido de sempre: "contamos com o apoio da nossa população para que colabore com itens que realmente são úteis, que estejam limpos e sem furos ou rasgos". Peça inservível não aquece ninguém e custa tempo de triagem.

Os 50 pontos de coleta

Para quem não puder ir ao Dia D, as caixas da Campanha do Agasalho estão em mais de 50 pontos: escolas municipais — entre elas as Emefs Profª Maria Terezinha Pires Barbosa Ulson e Profª Maria Zélia Padovani Martins Pereira e as Emeis Dona Manoela Lacerda de Vergueiro e Profª Francisca Maria Mendes Marques —, supermercados, empresas, comércios, associações, condomínios residenciais e prédios públicos. A rede de escolas como ponto de coleta tem função dupla: facilita a doação das famílias e ensina as crianças, que veem a caixa encher, o valor do gesto.

Para onde vão as peças

Após a triagem, as roupas e cobertores são distribuídos pelo Fuss a famílias em vulnerabilidade cadastradas no CadÚnico e a entidades assistenciais — asilos, casas de acolhimento, albergues, associações de bairro. Em Araras, o fundo atende mais de 15 entidades e 10 projetos sociais, além das famílias atendidas pelos Cras. A demanda concentra-se em cobertores e casacos para crianças e idosos, os grupos mais vulneráveis ao frio, e em roupas de trabalho para adultos que enfrentam a madrugada — trabalhadores rurais, entregadores, catadores.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a campanha é termômetro da solidariedade local. "O Fuss de Araras funciona como distribuidor: recebe da cidade que tem e entrega à cidade que precisa. A Campanha do Agasalho é o momento em que essa transferência fica visível — a fila de carros no Nelson Rüegger é a classe média doando ao Cras. O que a cidade poderia fazer melhor é publicar o resultado: quantas peças, quantas famílias, quantas entidades. Em 2026, com o Fuss também distribuindo óculos, enxoval e verduras, o agasalho é uma das cinco frentes do fundo — e a que mais depende da população", observa.

O inverno em Araras

O interior paulista tem inverno seco e com madrugadas frias — em Araras, as mínimas de junho e julho chegam a poucos graus, e as ondas de frio polar levam a temperaturas próximas de zero. Para famílias em casas sem isolamento, com crianças pequenas e idosos, o cobertor faz a diferença entre uma noite dormida e uma noite de doença respiratória — que termina no pronto-socorro. É por isso que a campanha acontece em maio: para que o estoque esteja triado e distribuído antes das primeiras frentes frias de junho.

O Fuss e a primeira-dama

A presidência do Fundo Social de Solidariedade é tradicionalmente exercida pela primeira-dama do município, e em Araras Áurea Bolli Maretto comandou o fundo durante a gestão do marido, ampliando as frentes de atuação — agasalho, óculos, enxoval, hortifrúti, distribuição de alimentos arrecadados em campanhas como o Trote Solidário da FHO. Com a morte de Irineu Maretto em junho e a posse de Elaine Brambilla, o Conselho Deliberativo do Fuss foi renomeado em agosto, com Áurea mantida na presidência — sinal de continuidade em um trabalho que a cidade reconhece.

Escolas como ponto de coleta: pedagogia da doação

Colocar as caixas da campanha nas escolas municipais e estaduais tem efeito além da logística. A criança que leva de casa o casaco que não serve mais e o coloca na caixa da escola participa do gesto; a turma que acompanha a caixa encher entende que a comunidade cuida de quem precisa; o professor usa a campanha para falar de inverno, de desigualdade, de solidariedade. É educação para a cidadania sem aula expositiva. Em Araras, com 47 escolas municipais e dezenas de estaduais, a rede de ensino é a maior malha de pontos de coleta da cidade — e a que mais aproxima a campanha das famílias.

Tiro de Guerra: serviço à comunidade

O Tiro de Guerra de Araras — a unidade do Exército que forma atiradores em serviço militar de um ano, jovens de 18 anos da própria cidade — é presença constante nas ações comunitárias do município: Dia D do Agasalho, palestra do Agosto Lilás, desfile de 7 de Setembro, apoio a campanhas do Fuss. A participação em ações cívicas e sociais integra a formação dos atiradores, e a organização militar — disciplina, rapidez, hierarquia — é o que faz o drive-thru funcionar sem fila. Para os jovens, é o primeiro contato com o trabalho voluntário organizado; para a cidade, é mão de obra confiável em dia de grande movimento.

O que doar — e o que não doar

A orientação do Fuss é objetiva. Doar: casacos, blusas de frio, calças, meias, luvas, cachecóis, gorros, mantas, cobertores, sapatos fechados — limpos, inteiros, de qualquer tamanho e gênero. Não doar: peças rasgadas, furadas, manchadas, sujas ou com odor; roupas de verão, que não atendem à finalidade; sapatos abertos. A regra de ouro é a mesma de toda campanha: doar o que se usaria. A triagem descarta o que não serve, mas cada peça descartada é tempo de voluntário perdido.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o Dia D é a cidade se olhando. "Numa manhã de sábado, quem tem passa de carro e quem precisa recebe pelo Cras. Não há intermediário, não há burocracia — há o Tiro de Guerra, o Fuss e a caixa na escola. Araras faz isso há anos com o mesmo tema: unida, aquecida. É pequeno, é local, e é o tipo de coisa que faz uma cidade funcionar quando o Estado não chega. O inverno de 2026 vai ser medido em cobertores entregues — e o Fuss deveria contar em voz alta", analisa.

O Dia D da Campanha do Agasalho 2026 de Araras acontece no sábado, 23 de maio, das 9h às 16h, em frente ao Ginásio de Esportes "Nelson Rüegger", em sistema drive-thru. As caixas de coleta permanecem nos mais de 50 pontos da cidade durante todo o inverno.