Estão abertas as inscrições para a oficina cultural "Vozes e Tambores", que será realizada na Casa SP Afro Brasil "Ângela Maria Bento", em Araras. A oficina acontece às quartas-feiras, das 19h às 21h, com início previsto para 19 de agosto, e é gratuita — os interessados podem se inscrever por formulário online ou presencialmente na Casa Afro, na Rua João Buzolin, 490, no Jardim das Flores, na Praça da Diversidade, que funciona de segunda a sexta, das 7h às 17h. Menores de 18 anos precisam comparecer acompanhados dos responsáveis para a assinatura da autorização. As informações são do portal Notícias de Araras.

O objetivo é apresentar aos participantes a dança afro-brasileira, promover rodas de conversa sobre ancestralidade, desenvolver percepção rítmica por meio do corpo, da música e do movimento, estimular o aprendizado de cantigas de tradição afro-brasileira e fortalecer a identidade cultural e o respeito às raízes ancestrais. É a primeira das oficinas ofertadas pelos novos oficineiros do Credenciamento 3/2026, que atenderão às secretarias de Cultura, Esportes e Assistência Social; as demais serão divulgadas nas redes e no site da Prefeitura.

A Casa SP Afro Brasil

A Casa SP Afro Brasil "Ângela Maria Bento" é o equipamento de Araras dedicado à cultura e à memória afro-brasileira, integrado à rede estadual de Casas Afro criada pelo Governo de São Paulo para descentralizar a política de igualdade racial e de valorização da cultura negra. Instalada na Praça da Diversidade, no Jardim das Flores, funciona como espaço de oficinas, rodas, exposições e atendimento, com nome que homenageia uma referência local da comunidade negra ararense. A oficina "Vozes e Tambores" é o tipo de atividade para a qual a Casa foi criada — cultura viva, transmitida por corpo e voz, em horário acessível a quem trabalha.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a oficina é política cultural de base. "Dança, tambor, cantiga, roda de conversa sobre ancestralidade, às quartas à noite, de graça, num bairro popular. Não é espetáculo para plateia; é formação para quem participa — a criança que aprende o ritmo, o adulto que reconhece a própria história, a família que sai de casa junta. A Casa Afro de Araras existe para isso, e o credenciamento de oficineiros é o que permite pagar quem ensina. É o mesmo modelo do credenciamento de artistas de julho: a Prefeitura contrata a cultura da cidade para a cidade", avalia.

O que se aprende

A dança afro-brasileira reúne matrizes das culturas iorubá, banto e fon trazidas ao Brasil e recriadas nas manifestações populares — os ritmos e movimentos do candomblé, do jongo, do maracatu, do samba de roda, da capoeira. A percepção rítmica se desenvolve pelo corpo: bater o pé, acompanhar o tambor, cantar a cantiga enquanto se move. As rodas de conversa sobre ancestralidade tratam de história, de identidade e de pertencimento — quem foram os africanos escravizados que construíram o interior paulista, o que resta de sua cultura em Araras, como as famílias negras da cidade se reconhecem nela. Cantigas de tradição — de trabalho, de roda, de louvação — completam o repertório.

Credenciamento 3/2026: os oficineiros

A oficina inaugura a atuação dos oficineiros credenciados pelo edital 3/2026, que selecionou profissionais para ministrar atividades formativas — culturais, esportivas e socioassistenciais — em equipamentos das três secretarias. O credenciamento remunera por hora-aula, com valor tabelado, e permite à Prefeitura montar programação diversificada sem contratar servidores: um oficineiro de dança afro na Casa Afro, outro de capoeira no Cras, outro de teatro na Casa da Juventude. As demais oficinas, segundo a Secretaria de Cultura, serão divulgadas em seguida — e o credenciamento de artistas 10/2026, aberto em julho, amplia a lista.

Por que às quartas, à noite

O horário — 19h às 21h — é escolha deliberada: permite a participação de quem trabalha em horário comercial e de estudantes do período diurno, e transforma a Casa Afro em ponto de encontro noturno num bairro que tem poucas opções de cultura à noite. Para menores, a exigência de autorização presencial dos responsáveis é cuidado legal e também convite: o pai que vem assinar conhece o espaço e, muitas vezes, fica.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a Casa Afro é o equipamento cultural mais subestimado de Araras. "A cidade conhece o Centro Cultural, a Casa da Memória, a Casa da Juventude. A Casa SP Afro Brasil, na Praça da Diversidade, é menos visível — e é onde a política de igualdade racial acontece de verdade, com oficina, roda e atendimento. 'Vozes e Tambores' às quartas é o tipo de programação que precisa ser regular para criar público. Se a Secretaria de Cultura mantiver oficineiro credenciado lá o ano inteiro, a Casa vira referência regional. Araras tem população negra grande e história pouco contada; a Casa é onde ela se conta", observa.

Três secretarias, um edital

O Credenciamento 3/2026 atende simultaneamente às secretarias de Cultura, Esportes e Assistência Social — o que significa que o mesmo oficineiro pode dar aula de dança afro na Casa Afro, oficina de percussão no Cras e atividade rítmica na Casa da Juventude, com o mesmo contrato e o mesmo valor-hora. A integração evita que cada pasta contrate por conta própria, com editais e preços diferentes, e permite montar uma grade municipal de oficinas em que cultura, esporte e assistência se cruzam. "Vozes e Tambores" inaugura essa grade; as próximas oficinas, segundo a Prefeitura, serão anunciadas nas redes e no site — e é de esperar capoeira, teatro, artesanato e música nos equipamentos das três secretarias.

Cultura afro-brasileira e a lei

A Lei 10.639, de 2003, tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas, e o Estatuto da Igualdade Racial, de 2010, prevê políticas de valorização cultural. As Casas Afro do estado de São Paulo são a versão territorial dessas políticas — espaços físicos onde a cultura negra é praticada, não só ensinada. Uma oficina de dança e cantigas na Casa Afro de Araras é, nesse sentido, cumprimento de lei e também o que a lei sozinha não faz: colocar o tambor na mão de quem nunca tocou.

Jongo, maracatu, samba de roda: as matrizes

O repertório da dança e das cantigas afro-brasileiras que uma oficina como "Vozes e Tambores" mobiliza vem de tradições vivas do país: o jongo do Vale do Paraíba e do interior paulista — dança de roda com tambores e pontos cantados, patrimônio imaterial do Brasil —, o maracatu de Pernambuco, o samba de roda do Recôncavo Baiano, as cantigas de trabalho das fazendas de café e as rodas de capoeira. No interior paulista, o jongo é a matriz mais próxima: comunidades de Piquete, Guaratinguetá e da região de Campinas o mantêm há gerações, e é dele que vem boa parte das cantigas que oficinas de cultura afro ensinam. Para Araras, cidade formada por fazendas de café que dependeram do trabalho escravizado, a oficina é reencontro com uma história que a cidade pouco conta.

Como se inscrever

As inscrições são gratuitas, pelo formulário online divulgado pela Prefeitura ou presencialmente na Casa SP Afro Brasil, de segunda a sexta, das 7h às 17h. Não há pré-requisito de experiência em dança ou música — a oficina é de iniciação. Menores de 18 anos devem ir com o responsável para assinar a autorização. As aulas começam em 19 de agosto e seguem às quartas, das 19h às 21h; a Secretaria de Cultura informa sobre vagas e duração.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a oficina precisa de palco no fim. "Toda oficina de dança e tambor termina em apresentação — é assim que o grupo se forma e a cidade vê. 'Vozes e Tambores' deveria se apresentar no Dia da Consciência Negra, em novembro, na Praça da Diversidade ou no Largo da Basílica, com a Prefeitura divulgando. Oficina que acaba em roda fechada forma pessoas; oficina que acaba em palco forma público. A Casa Afro de Araras tem o nome de Ângela Maria Bento — a cidade deveria conhecer quem foi ela, e a oficina é a chance de contar", analisa.

A oficina "Vozes e Tambores" acontece às quartas-feiras, das 19h às 21h, na Casa SP Afro Brasil "Ângela Maria Bento", na Rua João Buzolin, 490, Jardim das Flores, a partir de 19 de agosto. Inscrições gratuitas por formulário online ou no local, de segunda a sexta, das 7h às 17h.