O Circuito Sesc de Artes 2026 reuniu mais de 1.500 pessoas na Praça Barão de Araras no domingo (12 de abril), com programação gratuita de música, dança, circo, artes visuais e tecnologia ao longo da tarde. A edição integrou a agenda cultural do município e o roteiro do Circuito, que percorre 132 cidades paulistas com espetáculos e oficinas em espaços públicos. A abertura ficou com o DJ Chakal; em seguida, o Núcleo Pé de Zamba apresentou o espetáculo de dança "Cor-Ação", o Núcleo Ferruada trouxe percussão e a Troupe Guezá encenou o circo-teatro "CORP+s". As informações são do portal Notícias de Araras.

Nas artes visuais, o Coletivo (in)pressão fez gravura ao vivo com o público e o Ateliê Olavo Tenório apresentou os robôs Tek-Nautas, instalação interativa que uniu arte e tecnologia e atraiu crianças. "O Circuito Sesc é uma oportunidade de levar arte de qualidade para a praça, de graça, para quem talvez não frequente teatro", disse o secretário de Cultura, Marcelo Daniel, o Mussa. A secretária de Turismo, Anete Monteiro dos Santos Casagrande, destacou a ocupação do centro histórico e a movimentação do comércio do entorno.

O que é o Circuito Sesc de Artes

Criado pelo Sesc São Paulo em 2008, o Circuito Sesc de Artes é a maior ação itinerante de cultura do estado: em um mês, dezenas de grupos artísticos percorrem mais de uma centena de municípios — em 2026, 132 —, apresentando-se em praças, parques e ruas, sempre de graça. A cada edição, o Sesc seleciona espetáculos de música, dança, circo, teatro, literatura, artes visuais e tecnologia, e as prefeituras entram com espaço, estrutura e divulgação. É a forma de levar a produção artística profissional a cidades sem unidade do Sesc, como Araras — a mais próxima é a de Piracicaba.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, 1.500 pessoas num domingo à tarde na Praça Barão é o número que importa. "Não é show de sertanejo com cachê; é dança contemporânea, circo-teatro, gravura e robô. E a praça encheu. O Circuito Sesc prova o que a Secretaria de Cultura sabe e a cidade às vezes esquece: quando a arte é boa e é de graça no centro, o ararense vai. A parceria custa quase nada à Prefeitura — estrutura, divulgação — e entrega uma tarde que a cidade não produziria sozinha. Mussa e Anete acertaram ao encaixar na semana dos 155 anos. É o tipo de evento que devia virar data fixa", avalia.

DJ Chakal: a abertura

O DJ Chakal, nome da cena de música eletrônica e black music paulista, abriu a tarde com set dançante que reuniu o público em frente ao coreto — formato que o Circuito adota para "aquecer" a praça antes dos espetáculos cênicos. A escolha de um DJ para abrir programação de artes é marca do Sesc: música como convite, sem palco distante.

Pé de Zamba: "Cor-Ação"

O Núcleo Pé de Zamba, companhia de dança de matriz afro-brasileira, apresentou "Cor-Ação", espetáculo que combina danças populares, percussão corporal e elementos de capoeira e maracatu, com bailarinos em interação direta com o público. É trabalho de dança de rua, feito para praças, que dialoga com a tradição negra brasileira — sintonizado com a agenda do Conselho da Comunidade Negra e com o Vozes e Tambores que Araras produz.

Ferruada e Troupe Guezá

O Núcleo Ferruada, grupo de percussão, levou tambores e ritmos brasileiros ao centro da praça; a Troupe Guezá, companhia de circo-teatro, encenou "CORP+s", espetáculo de acrobacia, palhaçaria e teatro físico que explora o corpo como matéria cômica e poética. Circo de rua é a linguagem mais popular do Circuito — reúne todas as idades e não exige palco.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, os Tek-Nautas são a atração que define a edição. "Robôs interativos numa praça de cidade do interior, num domingo, de graça, com criança mexendo. O Ateliê Olavo Tenório faz arte com tecnologia — e o Sesc leva a 132 cidades. Para uma criança de Araras, é o primeiro contato com robótica como arte, não como aula. A gravura ao vivo do (in)pressão faz o mesmo com a xilogravura: a pessoa vê a matriz, a tinta, a prensa, e leva a estampa. É educação artística sem sala de aula. O Circuito é isso: formação de público disfarçada de festa", observa.

Tek-Nautas: arte e robótica

Os Tek-Nautas, do Ateliê Olavo Tenório, são robôs-esculturas interativos — construídos com sucata, motores e sensores — que respondem ao movimento do público, acendem, giram e "conversam" com as crianças. A instalação circula pelo Circuito como ponte entre artes visuais e tecnologia, e foi a mais concorrida da tarde em Araras, com fila de crianças ao redor.

Coletivo (in)pressão: gravura ao vivo

O Coletivo (in)pressão montou oficina aberta de gravura — xilogravura e linóleo — em que o público entinta matrizes e imprime suas próprias estampas em papel e tecido, levando o resultado para casa. A prática, comum em unidades do Sesc, aproxima o público de uma técnica tradicional da arte brasileira, da literatura de cordel às gravuras de Goeldi.

Cultura: o papel da Secretaria

A Secretaria de Cultura, sob Marcelo Mussa, coordenou estrutura, licenciamento, segurança e divulgação, e articulou a edição com a Semana do Município e com o Plano Municipal de Cultura, cuja primeira escuta ocorreu em março. O Circuito integra a agenda que a pasta constrói ao longo de 2026 — Vozes e Tambores, Cabra Marcado, oficinas da PNAB — como política de ocupação de espaço público.

Turismo: o centro como destino

A Secretaria de Turismo, sob Anete Casagrande, vê no Circuito o modelo de evento que traz gente ao centro histórico — Praça Barão, coreto, calçadão Monsenhor Quércia — e movimenta bares, sorveterias e comércio no domingo. Com os R$ 2,5 milhões do convênio estadual de turismo assinados em abril, a pasta planeja infraestrutura para eventos na praça.

Sesc São Paulo: quem financia

O Serviço Social do Comércio é mantido pela contribuição compulsória de 1,5% sobre a folha das empresas do comércio de bens, serviços e turismo, e administrado pela Fecomercio-SP; em São Paulo, mantém mais de 40 unidades com teatro, esporte, saúde e cultura, e um dos maiores orçamentos culturais do país. O Circuito é a forma de o Sesc alcançar as cidades sem unidade — Araras entre elas —, cumprindo a missão estatutária de atender comerciários e a comunidade em todo o estado. A Prefeitura não paga cachê nem produção; oferece espaço, energia, segurança e divulgação.

Praça Barão: a praça como palco

A Praça Barão de Araras, com coreto, obelisco, fonte e calçadão, é o centro cívico e cultural da cidade — sede do ato dos 155 anos, da tenda de vacinação, do Vitrola Rock e das noites de flashback. Sua configuração — área ampla, sombra de árvores, comércio ao redor — a torna adequada a espetáculos de rua sem palco, como os do Circuito, e à circulação do público entre atrações simultâneas. O Circuito escolhe praças com essa característica em todas as cidades do roteiro.

132 municípios: a escala

O Circuito Sesc 2026 percorreu 132 cidades entre março e abril, com mais de 60 atrações e centenas de apresentações — a maior edição desde a criação. Araras, no roteiro da região de Campinas e Piracicaba, dividiu a semana com Leme, Rio Claro, Limeira e Pirassununga. A logística — grupos viajando em circuito, montando e desmontando em horas — é o que permite a escala e o custo baixo para as prefeituras.

O que fica

Uma tarde de 1.500 pessoas, estampas levadas para casa, crianças que viram robô como arte e um argumento para a Cultura repetir o formato. A Secretaria já negocia a edição de 2027 com o Sesc e estuda um festival próprio de artes de rua no calendário do município.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o Circuito é a melhor relação custo-benefício da cultura municipal. "O Sesc paga artista, transporte e produção; a Prefeitura dá praça e cartaz; a cidade ganha 1.500 pessoas numa tarde de arte de qualidade. Mussa fez bem em encaixar nos 155 anos — e Anete, em contar como turismo. Araras não tem Sesc; o Circuito é o Sesc que vem à cidade uma vez por ano. Cabe à Secretaria fazer o resto do ano parecer com esse domingo: praça ocupada, arte de graça, criança na fila do robô", analisa.

O Circuito Sesc de Artes 2026 foi realizado em Araras em 12 de abril, na Praça Barão de Araras, com público estimado em mais de 1.500 pessoas. A edição percorreu 132 municípios do estado de São Paulo.