Um homem foi preso na madrugada de sábado (5), em Araras, acusado de descumprir medida protetiva e ameaçar a ex-mulher. Segundo a Polícia Militar, a equipe foi acionada pelo Copom para ocorrência de violência doméstica na Rua Andorinha, no bairro Narciso Gomes; a vítima relatou ter sofrido violência psicológica e informou que o ex-marido descumpria reiteradamente a medida protetiva. Durante o atendimento, o homem chegou próximo aos policiais, teria ofendido a vítima e feito ameaça de morte contra ela. As partes foram encaminhadas a atendimento médico e depois ao Distrito Policial, onde o caso foi registrado como descumprimento de medida protetiva e ameaça. As informações são do portal Repórter Beto Ribeiro.

Dois dias antes, na noite de quinta-feira (3), a PM prendeu outro homem durante a Operação Impacto, após ocorrência de violência doméstica no Parque Dom Pedro: as vítimas relataram que o filho chegou à residência alterado, passou a fazer ameaças de morte e a danificar objetos da casa. Na abordagem, ele teria confirmado as ameaças e voltado a ameaçar uma das vítimas na presença dos policiais. Recebeu voz de prisão, foi levado a atendimento médico e apresentado na Central de Polícia Judiciária, onde permaneceu à disposição da Justiça.

Descumprir medida protetiva é crime

Desde 2018, o descumprimento de medida protetiva de urgência é crime autônomo, com pena de três meses a dois anos de detenção — e permite prisão em flagrante, como no caso do Narciso Gomes. A medida, concedida pelo juiz a pedido da vítima ou da delegacia, proíbe o agressor de se aproximar, de manter contato e de frequentar determinados lugares; sua violação "reiterada", como relatou a vítima, é o padrão que antecede agressões físicas graves. A Patrulha Maria da Penha da GCM de Araras existe para fiscalizar exatamente esse cumprimento.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, os dois casos são o Agosto Lilás em versão real. "Duas semanas depois da blitz na Praça Barão, com folheto e criança da Escola do Campo, a PM atende uma mulher no Narciso Gomes cujo ex descumpre a medida protetiva 'reiteradamente' — e a ameaça de morte na frente dos policiais. E pais no Parque Dom Pedro ameaçados pelo filho, que repete a ameaça com a viatura na porta. Isso é o que a rede enfrenta: agressor que não teme nem a farda. A boa notícia é que os dois foram presos — a lei de 2018 permite o flagrante por descumprimento. A má é que a medida protetiva, sozinha, não protegeu. Protegeu a PM chegando", avalia.

Violência psicológica: a forma que a lei reconhece

A vítima do Narciso Gomes relatou violência psicológica — uma das cinco formas previstas na Lei Maria da Penha, ao lado da física, sexual, patrimonial e moral, e tipificada como crime específico desde 2021: ameaça, humilhação, isolamento, vigilância, manipulação. É a mais difícil de provar e a mais frequente; costuma preceder a violência física. O registro policial da ocorrência, com a ameaça de morte testemunhada pelos policiais, é prova que a Delegacia da Mulher usará para pedir prisão preventiva.

Violência contra os pais: o outro perfil

O caso do Parque Dom Pedro — filho que chega alterado, quebra objetos e ameaça os pais — é violência doméstica de outro tipo, frequentemente ligada a uso de álcool ou drogas e a conflitos familiares crônicos. A Lei Maria da Penha protege mulheres; quando a vítima é o pai, aplica-se o Código Penal comum — ameaça, dano — com o agravante da relação familiar. Pais idosos ameaçados por filhos são um dos grupos mais silenciosos da violência doméstica: a vergonha e o afeto retardam a denúncia. Neste caso, a família chamou a PM.

Narciso Gomes e Parque Dom Pedro

O Conjunto Habitacional Narciso Gomes, na região norte, e o Parque Dom Pedro, na região sul, são bairros populosos de Araras, com conjuntos habitacionais e presença regular da PM e da GCM. O Parque Dom Pedro recebeu mutirão contra a dengue na semana anterior; o Narciso Gomes abriga o Cras Norte, onde acontecem as palestras de energia e onde a rede de assistência social atende famílias — inclusive as que vivem situações de violência.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a resposta da PM nos dois casos foi a correta — e o que vem depois é o teste. "A polícia chegou, ouviu a vítima, viu a ameaça, prendeu. É o que se espera. O teste é a próxima etapa: a Delegacia da Mulher pede preventiva? O juiz concede? A Patrulha Maria da Penha passa a visitar a casa da Rua Andorinha? Se o agressor sair na audiência de custódia e voltar à porta da ex-mulher, a medida protetiva vira papel de novo. Araras tem delegada titular na DDM, Patrulha na GCM, Casa da Mulher. A rede existe. O caso do Narciso Gomes vai mostrar se ela fecha o circuito", observa.

A rede de Araras: onde buscar ajuda

Patrulha Maria da Penha, da GCM: (19) 99703-4966 e (19) 3541-1532. Casa da Mulher Paulista Bruna Angleri: (19) 3541-1881, com acolhimento e suporte jurídico e psicológico. Delegacia de Defesa da Mulher: (19) 3542-1054, para registro de ocorrência e pedido de medida protetiva. Procuradoria Especial da Mulher da Câmara: (19) 3543-3300. Emergência: 190 (PM) e 153 (GCM). Central de Atendimento à Mulher: 180, 24 horas, gratuita. Aplicativo "Está Acontecendo" para denúncia discreta.

Operação Impacto e a violência doméstica

A prisão do Parque Dom Pedro ocorreu durante a Operação Impacto — patrulhamento ostensivo que, além de tráfico e roubo, atende chamados de violência doméstica em tempo reduzido pela presença de mais viaturas nas ruas. É efeito colateral positivo do policiamento intensivo: a resposta ao 190 é mais rápida, e o agressor é surpreendido antes de a situação escalar. Na mesma operação, na sexta, a PM prendeu um homem por tráfico no Parque Industrial.

Reincidência: o que os dados mostram

Estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que a maioria dos feminicídios é precedida de episódios anteriores de violência conhecidos pela rede — ameaças, medidas protetivas descumpridas, boletins. O descumprimento "reiterado" relatado no Narciso Gomes é o sinal de alerta que a literatura identifica; a prisão em flagrante é a resposta que interrompe a escalada. O acompanhamento posterior — preventiva, monitoramento, apoio à vítima — é o que evita o desfecho.

20 anos da Lei Maria da Penha

Em agosto de 2026, a Lei 11.340 completou 20 anos, e Araras marcou a data com o Agosto Lilás. Os casos desta semana ilustram por que a lei segue necessária: a medida protetiva, o flagrante por descumprimento, a tipificação da violência psicológica — tudo veio da lei e de suas atualizações. O que a lei não resolve sozinha é a mudança de comportamento do agressor, que depende de responsabilização efetiva e de rede que acompanhe.

O que muda para as vítimas

Nos dois casos, os agressores foram presos e passaram por audiência de custódia. Para as vítimas, o próximo passo é procurar a DDM para reforçar a medida protetiva — ou pedir uma, no caso do Parque Dom Pedro — e a Casa da Mulher para apoio. A Patrulha Maria da Penha deve incluir os endereços nas rondas. A rede existe; ativá-la depende do registro, que as duas famílias fizeram.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, os dois boletins deveriam ser lidos por quem passou pela blitz da Praça Barão. "A campanha diz: reconheça os sinais e denuncie. As duas famílias reconheceram e denunciaram — uma ex-mulher com medida protetiva, pais ameaçados pelo filho. A PM veio e prendeu. Funcionou. Agora, o que a cidade não vê: a audiência de custódia, a preventiva, a visita da Patrulha. É aí que a violência doméstica se decide, longe do boletim. Araras tem a estrutura mais completa da região; a pergunta de cada semana é se ela acompanha o caso até o fim. Esta semana, dois casos entraram no circuito. Cabe ao circuito não soltar", analisa.

As duas prisões por violência doméstica em Araras ocorreram em 3 e 5 de setembro de 2026, nos bairros Parque Dom Pedro e Narciso Gomes. Denúncias de violência contra a mulher: 180, 190 (PM), 153 (GCM) e Patrulha Maria da Penha (19) 99703-4966.