A Festa da Mandioca de Araras, com apoio da Secretaria Municipal de Turismo, aconteceu de 5 a 7 de junho no Parque Ecológico e Cultural Gilberto Rüegger Ometto — evento do calendário turístico do município que, até então, era realizado no bairro rural Morro Grande. Na sexta (5) e no sábado (6), a festa começou às 18h; no domingo (7), às 10h; entrada franca, com cobrança apenas do estacionamento. Moradores das comunidades rurais Caio Prado, Morro Grande, Marimbondo e dos assentamentos estiveram à frente, com vaca atolada, caldo, mandioca frita, carne assada, coxinha de mandioca, tapioca, escondidinho de mandioca, pastel, milho e doces. As informações são do portal Notícias de Araras.

O entretenimento teve a Orquestra de Violeiros na sexta, às 19h30; o cantor Kiko Villa Nova no sábado, às 20h; e Gel & Julio e Priscila Saldanha no domingo, às 12h e às 15h, além de espaço kids. A mudança do Morro Grande para o parque seguiu a mesma lógica que levaria o Arraial da Praça Barão ao Parque Ecológico em julho: estrutura, acesso e segurança para um público maior.

Mandioca: a raiz da zona rural de Araras

A mandioca — raiz nativa da América do Sul, base da alimentação indígena e cabocla, plantada em pequenas propriedades por não exigir irrigação nem solo rico — é cultura de agricultura familiar nos núcleos rurais de Araras: Caio Prado, assentamento com dezenas de famílias; Morro Grande e Marimbondo, bairros rurais na Rodovia Wilson Finardi; e Cascata. A festa, criada pelas comunidades para vender a produção e a culinária — vaca atolada é mandioca cozida com costela; escondidinho, purê de mandioca com carne —, virou evento turístico municipal e, em 2026, mudou de endereço para caber mais gente. O produtor continua à frente das barracas, e a receita fica nas comunidades.

Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a festa é a zona rural entrando na cidade. "Caio Prado, Morro Grande, Marimbondo, assentamentos — as comunidades que o dentista só voltou a atender em janeiro e que a Folia de Reis visitou — vieram ao Parque Ecológico vender vaca atolada e coxinha de mandioca para a cidade inteira. É renda direta para o produtor, é cultura caipira com Orquestra de Violeiros e é turismo de verdade, no calendário oficial. Anete Casagrande apoiou; o parque deu estrutura. O risco de tirar a festa do Morro Grande é perder o lugar; o ganho é o público. Se a festa cresceu em 2026, a mudança valeu — e a mandioca continua sendo do Morro Grande", avalia.

Do Morro Grande ao parque: por que mudar

O Morro Grande, a mais de 15 quilômetros do centro por estrada parcialmente pavimentada, limitava o público — sem transporte coletivo, sem estacionamento, sem estrutura de evento; o Parque Ecológico tem tudo isso e fica na cidade. A Secretaria de Turismo e as comunidades optaram pelo parque para ampliar a venda; a identidade rural ficou com quem serve, não com o endereço.

O cardápio: mandioca em tudo

Vaca atolada, caldo de mandioca, mandioca frita, coxinha de mandioca, tapioca, escondidinho, pastel, milho, carne assada e doces de mandioca — a raiz em todas as formas, preparada pelas famílias rurais com receita própria; é a gastronomia caipira do interior paulista, que festas gastronômicas de cidades vizinhas também exploram e que Araras tem nas comunidades de origem.

Orquestra de Violeiros: a música caipira

A Orquestra de Violeiros de Araras — dezenas de violeiros tocando moda de viola, cateretê e clássicos caipiras — é a atração que abriu a festa na sexta e que se apresenta nos eventos do Fuss para a terceira idade; é patrimônio cultural da cidade e a trilha natural de uma festa rural. Kiko Villa Nova, Gel & Julio e Priscila Saldanha, do sertanejo regional, completaram o fim de semana.

Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a Festa da Mandioca é a política de agricultura familiar mais saborosa da cidade. "Prefeitura não precisa subsidiar produtor quando dá a ele três dias de festa com público de milhares para vender o que planta e cozinha. É o que a Feira do Agricultor faz toda semana e a Festa da Mandioca faz uma vez por ano em escala. A Secretaria de Agricultura de Raquel Metzner e o Turismo de Anete Casagrande estão do mesmo lado: o produtor rural de Araras precisa de mercado, e a cidade precisa saber que ele existe. Vaca atolada no parque é a melhor propaganda do Caio Prado", observa.

Calendário turístico: a lei

A Festa da Mandioca integra o calendário turístico oficial de Araras — como o Encontro de Autos Antigos e a Festa do Peão —, definido por lei municipal, o que garante apoio da Secretaria de Turismo em estrutura, divulgação e articulação com o convênio estadual; eventos do calendário contam para a classificação da cidade como Município de Interesse Turístico.

Estacionamento cobrado: a única receita

Entrada franca e estacionamento pago — modelo que financia a estrutura sem afastar público; a receita do estacionamento cobre segurança e limpeza, e a das barracas fica com as comunidades. Espaço kids gratuito atrai famílias.

Assentamentos e agricultura familiar: quem está atrás da barraca

O Núcleo Caio Prado é assentamento de reforma agrária com dezenas de famílias em lotes de agricultura familiar — mandioca, hortaliças, frutas, leite —, escoados pela Feira do Agricultor, pelo PAA e pela merenda escolar; Morro Grande e Marimbondo são bairros rurais de pequenos produtores e trabalhadores das usinas. Para essas famílias, a festa é a venda concentrada do ano — três dias de público urbano pagando por prato e produto — e a chance de mostrar que a zona rural de Araras produz alimento, não só cana. A Secretaria de Agricultura, com a diretora Bruna Martins, apoia a organização das comunidades.

Mandioca no Brasil: a raiz que alimenta

O Brasil é o maior produtor de mandioca fora da África — mais de 18 milhões de toneladas por ano —, com a raiz presente em farinha, tapioca, polvilho, fécula industrial e mesa; é cultura de pequeno produtor, resistente a seca e solo pobre, e base alimentar de Norte e Nordeste. No interior paulista, a mandioca de mesa — a "mansa", cozida ou frita — é produto da agricultura familiar vendido em feiras; a festa de Araras celebra essa tradição caipira com pratos que misturam a raiz à carne e ao queijo, como a vaca atolada e o escondidinho.

Junho: a festa que abre o inverno

Primeira semana de junho, antes das festas juninas e do Arraial, a Festa da Mandioca inaugura o calendário de inverno do parque — que segue com Arraial em julho e Festa do Peão em agosto; três eventos em três meses no mesmo espaço, com públicos diferentes.

Agricultura familiar em Araras: o contexto

Entre canaviais e usinas, a agricultura familiar de Araras — hortaliças, mandioca, milho, frutas, leite — sobrevive nos assentamentos e bairros rurais, com apoio da Secretaria de Agricultura, da Feira do Agricultor e do PAA; a Festa da Mandioca é sua vitrine anual e um dos poucos momentos em que a cidade urbana encontra a rural.

O que se espera

Público maior que o do Morro Grande, renda para as comunidades, consolidação do parque como sede e, na avaliação da Secretaria de Turismo, a decisão sobre 2027 — no parque ou de volta ao bairro rural, conforme o que as comunidades preferirem.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a festa é o tipo de evento que define uma cidade. "Não é show de fora nem festa de cachê — é o agricultor do Marimbondo fritando mandioca para o vizinho da cidade, com violeiro tocando. Araras é cidade de usina e de assentamento; a Festa da Mandioca é o assentamento sendo protagonista por três dias. Mudou de lugar para caber mais gente. Que tenha cabido — e que o dinheiro tenha voltado para o Caio Prado. É a melhor forma de a cidade dizer que a zona rural existe: comendo o que ela planta", analisa.

A Festa da Mandioca de Araras foi realizada de 5 a 7 de junho de 2026 no Parque Ecológico e Cultural Gilberto Rüegger Ometto, com apoio da Secretaria Municipal de Turismo e organização das comunidades rurais de Caio Prado, Morro Grande, Marimbondo e assentamentos.