Representantes da Prefeitura de Araras e do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, o Sindsepa, reuniram-se na manhã de quarta-feira (11 de março) para nova rodada de negociação da data-base, em meio à greve decretada pela categoria a partir de 9 de março. O governo apresentou proposta de reajuste de 5% — os 4,41% do IPCA-E já ofertados mais 0,59% de ganho real —, manteve o aumento de pouco mais de 42% no vale-alimentação, que passa a R$ 500, e reafirmou o compromisso de concluir ainda em 2026 o Plano de Carreira dos Servidores, pedido da categoria há mais de 25 anos. O Sindsepa reivindicava 20% de reajuste e 186% de aumento no vale. As informações são da Prefeitura de Araras.
Dois dias antes, em comunicado à população, a administração dissera-se "surpresa e preocupada" com a sugestão do sindicato de decretar greve "sem que a proposta do governo tenha sido amplamente debatida pela categoria", alertando para prejuízos em coleta de lixo, transporte, atendimento médico e aulas. Na reunião de 11 de março, a Prefeitura solicitou formalmente ao sindicato o cumprimento da decisão judicial que determina a manutenção de 70% dos servidores em atividade durante a greve, com Samu e Guarda Civil Municipal em 100%. Uma reunião sobre o convênio médico com a Luminar, que começaria a atender em 16 de março, foi marcada para a sexta-feira (13).
A distância entre as propostas
O sindicato pedia 20% no salário e vale de R$ 1.000 — 186% sobre os R$ 350 vigentes; a Prefeitura ofereceu 4,41% e R$ 500, depois 5% e R$ 500. A diferença é de quatro vezes no reajuste e de duas no vale. Entre uma e outra, a Lei de Responsabilidade Fiscal: com gasto com pessoal perto do limite prudencial e R$ 87 milhões de dívidas pagas em 2025, o governo argumentou que 20% seria inexequível. O sindicato respondeu que a perda acumulada desde 2020 justificava recomposição maior. A greve foi o instrumento para forçar a subida — e a Prefeitura subiu 0,59 ponto.
Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a greve de março revelou o limite da negociação. "Sindicato pede 20% e vale de mil reais; Prefeitura oferece inflação e vale de 500. Greve é a arma quando o argumento acaba. Maretto subiu para 5% — pouco, mas foi o primeiro ganho real em anos — e disse que o Plano de Carreira sai em 2026. O comunicado 'surpreso' foi erro de tom: greve nunca surpreende quem está negociando. O que definiu o fim da greve não foi o 0,59%, foi a promessa do Plano — que ficou sem o prefeito em junho. Elaine herdou a categoria com a memória de março e o prazo de dezembro", avalia.
Comunicado à população: o tom
O comunicado de 9 de março expôs os números do sindicato — 20% e 186% — e classificou a oferta municipal como "dentro das possibilidades econômicas da Prefeitura, que vem enfrentando grave crise financeira e pagando dívidas atrasadas", com o vale de 42% "um dos maiores aumentos desde sua implantação". É peça de disputa de opinião pública: o governo fala ao morador que ficará sem coleta e sem aula. O sindicato respondeu com assembleia e piquetes.
70% em atividade: a decisão judicial
A Justiça, acionada pela Prefeitura, determinou a manutenção de 70% do efetivo nos serviços essenciais durante a greve e de 100% no Samu e na GCM — padrão do Supremo para greves de servidores públicos, que exige continuidade dos serviços essenciais. O sindicato contestou a aplicação a setores como educação; a Prefeitura cobrou o cumprimento formalmente na reunião de 11 de março, apontando "prejuízos que vêm sendo causados à população".
Plano de Carreira: 25 anos
O Plano de Cargos, Carreiras e Salários dos servidores de Araras é reivindicação com mais de 25 anos — o Estatuto é dos anos 1990 e as carreiras não têm progressão estruturada. O compromisso de concluí-lo em 2026, repetido no comunicado e na reunião, foi o item que deu ao sindicato argumento para encerrar a greve. O envio à Câmara, previsto para junho, não ocorreu antes da morte do prefeito.
Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o vale de R$ 500 foi a concessão real, e o sindicato sabia. "Quarenta e dois por cento no vale é muito para orçamento apertado — e o sindicato pediu 186% para ancorar alto. O governo não cedeu no vale e cedeu meio ponto no salário. É negociação clássica. O que a greve conseguiu foi visibilidade e a promessa de Plano de Carreira com prazo. A conta que fica: uma semana de serviços reduzidos, decisão judicial, comunicado ácido, e o resultado quase igual à oferta inicial. Os servidores voltaram com 5%, R$ 500 e uma promessa. A promessa é o que vale — e vence em dezembro", observa.
Luminar no meio da greve
A troca do convênio médico — Salusmed até 15 de março, Luminar a partir de 16 — coincidiu com a greve e entrou na pauta: os servidores queriam a rede credenciada antes do início. A reunião de 13 de março apresentou Santa Casa, São Luiz Saúde e Unimed, app e telemedicina. O plano de saúde foi, ao lado do salário, o tema que mais mobilizou a categoria em março.
Serviços afetados: a semana
Escolas com aulas suspensas ou reduzidas, coleta de lixo parcial, unidades de saúde com atendimento mínimo, TCA com frota reduzida — foram os efeitos relatados na primeira semana. Samu e GCM mantiveram 100% por determinação judicial. A Prefeitura divulgou diariamente os serviços em funcionamento.
Como terminou
A assembleia do Sindsepa, após a reunião de 11 de março, avaliou a proposta de 5% e R$ 500 com o compromisso do Plano de Carreira; a categoria encerrou a greve nos dias seguintes e o projeto de lei da data-base foi enviado à Câmara e aprovado ainda em março, com o reajuste na folha. O sindicato manteve a pauta do Plano como cobrança permanente.
Direito de greve no serviço público: as regras
A Constituição garante o direito de greve aos servidores públicos, mas a lei específica nunca foi editada; o Supremo, em 2007, mandou aplicar a Lei de Greve da iniciativa privada, com a exigência de manter serviços essenciais — saúde, segurança, limpeza, transporte — em percentual mínimo, fixado pela Justiça caso a caso. Em 2016, o STF decidiu que o desconto dos dias parados é a regra, salvo acordo de compensação ou greve motivada por conduta ilícita do poder público. É esse arcabouço que a decisão judicial de Araras aplicou: 70% em atividade, 100% no Samu e na GCM, e a possibilidade de desconto dos dias, negociada no fim do movimento.
Sindsepa: o sindicato e a assembleia
O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Araras, presidido por Eliana Ferreira Lopes, representa servidores da Prefeitura, do Saema, do TCA e do Araprev e conduz a data-base desde os anos 1990; a assembleia geral extraordinária que sugeriu a greve reuniu centenas de servidores no início de março e deliberou pela paralisação a partir do dia 9, com comando de greve por setor. A decisão de encerrar, após a proposta de 5%, foi tomada em nova assembleia, com a categoria dividida entre aceitar o ganho real modesto e apostar na promessa do Plano de Carreira.
Greves de servidores em 2026
Cidades da região — Limeira, Rio Claro, Piracicaba — tiveram negociações tensas em 2026, com reajustes na inflação e greves curtas; a de Araras foi das mais visíveis pelo comunicado público e pela decisão judicial. O padrão regional confirma o aperto fiscal dos municípios após 2024.
O que ficou para o segundo semestre
O Plano de Carreira prometido para 2026 tornou-se a principal pendência da relação entre a Prefeitura de Elaine Brambilla e o funcionalismo; a greve de professores de julho, por condições de trabalho, mostrou que a tensão de março não se dissipou. O sindicato cobra prazo; a Prefeitura diz que o plano está em elaboração.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a greve de março é o episódio que explica o segundo semestre. "Servidor que parou em março por 20% e voltou com 5% guardou a conta. Em julho, professores pararam de novo. O que a Prefeitura prometeu — Plano de Carreira em 2026 — é o que pode fechar a conta ou reabri-la. Maretto fez a promessa; morreu; Elaine herdou. Se o plano chegar à Câmara até dezembro, março terá valido. Se não, 2027 começa em greve, e a prefeita não terá o argumento de que foi surpreendida", analisa.
A greve dos servidores municipais de Araras começou em 9 de março de 2026; a Prefeitura apresentou nova proposta de 5% de reajuste em reunião com o Sindsepa em 11 de março. O vale-alimentação foi fixado em R$ 500.




