Os mais de 12 mil alunos matriculados na educação infantil e no ensino fundamental I e II da Rede Municipal de Educação de Araras retornaram às aulas na segunda-feira, 27 de julho. O início do segundo semestre letivo aconteceu simultaneamente nas 47 escolas do município. Durante o recesso, as equipes da Secretaria de Educação realizaram pequenos serviços de manutenção e desinsetização nas unidades e repuseram os estoques da merenda escolar. A prefeita Elaine Maria Ferreira da Silva Brambilla e o secretário da pasta, Bruno Roza, acompanharam a volta dos estudantes do período da manhã na Emef "Prof. Júlio Ridolfo" e na Emei "Prof. Ângelo Carminatti", no Jardim São Luiz, região oeste da cidade. As informações são do portal Notícias de Araras.

"É sempre muito gratificante ver a alegria dos nossos alunos no retorno para mais um período letivo, perceber o quanto se sentem bem nas escolas e ver que estamos proporcionando o acolhimento necessário para que evoluam mais uma etapa na aprendizagem", disse a prefeita. Foi a primeira volta às aulas de Elaine Brambilla como chefe do Executivo — ela assumiu no início de julho, após a morte do prefeito Irineu Maretto.

O tamanho da rede

Doze mil alunos em 47 escolas fazem da Rede Municipal a maior operação pública de Araras: são creches, pré-escolas e escolas de fundamental do 1º ao 9º ano, com milhares de professores, monitores, merendeiras e funcionários de apoio, e um orçamento que consome o mínimo constitucional de 25% da receita de impostos — na prática, mais. A rede atende crianças de 0 a 14 anos em todas as regiões da cidade; o ensino médio fica com o Estado. Cada dia letivo movimenta transporte escolar, merenda para 12 mil refeições e a rotina de milhares de famílias que dependem da escola para trabalhar.

Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o número que importa não é o da volta, mas o do fim do ano. "Doze mil alunos voltando é rotina; o que faz diferença é quantos aprendem. Araras subiu no Ideb dos anos iniciais e tem escola municipal entre as melhores do estado — a Emef Antônia Marques Dahmen, por exemplo. O segundo semestre é quando se recupera quem ficou para trás no primeiro: reforço, busca ativa de quem faltou, avaliação diagnóstica. A prefeita foi à escola no primeiro dia; o teste é a Secretaria ir atrás do aluno que não apareceu", avalia.

O que se fez no recesso

"Muito além do retorno das aulas, é também o reencontro dos nossos alunos, com seus professores, com as nossas equipes e com toda a comunidade escolar. E para tornar essa retomada das aulas na Rede Municipal ainda mais agradável, buscamos atender durante o período de recesso algumas necessidades das escolas, deixando tudo pronto para recebê-los agora", frisou o secretário Bruno Roza. Os serviços — manutenção predial, desinsetização e reposição da merenda — são a rotina de julho: com as escolas vazias, é o único momento para dedetizar, consertar telhado, pintar e limpar caixa d'água sem interromper aula.

Merenda: a logística invisível

A reposição dos estoques de merenda garante que, no primeiro dia, as 47 cozinhas tenham arroz, feijão, proteína, hortifrúti e leite para servir. A alimentação escolar em Araras segue o Programa Nacional de Alimentação Escolar, com cardápio elaborado por nutricionistas e compra de ao menos 30% dos alimentos da agricultura familiar — o que conecta a merenda a produtores locais da região. Para muitas crianças, é a principal refeição do dia; a interrupção das aulas nas férias é sentida pelas famílias em vulnerabilidade, e o retorno restabelece essa rede de proteção.

Jardim São Luiz: a escolha da visita

A opção por acompanhar o retorno no Jardim São Luiz, na zona oeste, tem significado: é uma região de bairros populares em expansão, onde a demanda por vagas em creche e pré-escola pressiona a rede. A Emef Júlio Ridolfo, de fundamental, e a Emei Ângelo Carminatti, de educação infantil, ficam lado a lado e atendem a comunidade inteira, da creche ao 9º ano. É o tipo de unidade em que a prefeita vê, num só lugar, os dois desafios da rede: vaga na educação infantil e aprendizagem no fundamental.

Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a educação é a pasta em que a nova prefeita tem mais a ganhar — e a perder. "Maretto deixou a rede em situação boa: escola nova inaugurada, creche do Jardim Esmeralda em obra, Ideb subindo. Elaine herda isso e herda também a fila de creche, que é a reclamação número um de toda cidade do interior. O secretário Bruno Roza continua — o que é bom sinal de continuidade. O que a cidade vai medir em 2027 é se a fila diminuiu e se a nota se manteve. Volta às aulas é o primeiro dia dessa conta", observa.

Bruno Roza: continuidade na pasta

A permanência de Bruno Roza na Secretaria de Educação após a transição de governo é um dos sinais mais relevantes do retorno às aulas. A pasta responde pelo maior orçamento e pelo maior contingente de servidores da Prefeitura, e trocas de secretário no meio do ano letivo costumam desorganizar calendário, contratos de merenda e transporte e programas pedagógicos em curso. Ao manter o titular, a prefeita Elaine Brambilla garantiu que o segundo semestre começasse com a mesma equipe que planejou o primeiro — e sinalizou que a política educacional de Maretto, com escola nova inaugurada e Ideb em alta, será mantida.

Desinsetização e caixa d'água: o protocolo do recesso

Os "pequenos serviços" citados pela Secretaria seguem protocolo sanitário: desinsetização contra baratas, formigas e escorpiões — praga crescente em Araras, que exige atenção especial em escolas com pátios e áreas verdes —, limpeza de caixas d'água, revisão de extintores, conserto de bebedouros e reparo de telhados antes do período de chuvas da primavera. São intervenções que a Vigilância Sanitária recomenda a cada semestre e que só podem ser feitas com o prédio vazio. Feitas no recesso de julho, evitam interrupções de aula por infestação ou por falta d'água nos meses seguintes.

Educação infantil: a fila de vagas

A creche é a etapa mais demandada da rede municipal em todo o país: é direito da criança de 0 a 3 anos, mas não é obrigatória, e a oferta raramente acompanha a procura. Em Araras, a Prefeitura mantém obras de novas unidades e amplia turmas em escolas existentes, mas a lista de espera persiste, especialmente nas regiões norte e oeste. O retorno de julho reabre também as inscrições e a atualização do cadastro de espera, que as famílias devem manter em dia na Secretaria de Educação.

Fundamental II: a etapa crítica

Do 6º ao 9º ano, a rede municipal enfrenta o desafio que as redes de todo o país enfrentam: é a etapa em que a aprendizagem desacelera, o desempenho em matemática cai e a evasão começa — o aluno de 13 ou 14 anos que repete, se desinteressa e abandona. Araras tem escolas de fundamental II com resultados acima da média estadual, mas a diferença entre unidades é grande. Programas de reforço no contraturno, monitoria entre alunos e acompanhamento individual de quem tem muitas faltas são as ações que a Secretaria precisa concentrar no segundo semestre, quando ainda há tempo de evitar a reprovação.

Transporte e uniforme: o que a família recebe

A volta às aulas mobiliza também o transporte escolar — ônibus da Prefeitura e contratados que levam alunos da zona rural e de bairros distantes — e a distribuição de uniformes e material, que a rede fornece gratuitamente. Doze mil uniformes foram entregues no primeiro semestre, e a reposição para quem cresceu ou perdeu é feita nas escolas. Para famílias de baixa renda, o kit completo — uniforme, material, merenda e transporte — representa economia de centenas de reais por criança e é uma das razões pelas quais a rede municipal, e não a particular, atende a maioria das crianças de Araras.

Calendário: até dezembro

O segundo semestre vai de 27 de julho a meados de dezembro, com 100 dias letivos aproximadamente, incluindo o recesso de outubro, as avaliações externas — o Saresp estadual e as avaliações da própria rede — e o encerramento com formaturas do 9º ano e da pré-escola. É o período em que se consolida a alfabetização do 1º e 2º anos, prioridade nacional desde o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, do qual Araras participa.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a rede municipal é o maior ativo social da cidade. "Quarenta e sete escolas, 12 mil crianças, merenda, transporte, professor concursado: é o SUS da educação, e funciona. O que falta é a cidade olhar para isso com a mesma atenção que dá à saúde. Cada volta às aulas deveria vir com o balanço: quantos alunos, quantos professores, quanto custa, qual a nota. A Prefeitura publicou o número de alunos e de escolas. Faltam os outros três — e são eles que dizem se os 12 mil estão aprendendo", analisa.

O segundo semestre letivo da Rede Municipal de Araras segue até dezembro, nas 47 unidades de educação infantil e ensino fundamental. Informações sobre matrículas e lista de espera em creches estão disponíveis na Secretaria Municipal de Educação.