Aproximadamente 3 mil pessoas passaram pela 3ª edição do Garimpo Urbano, no sábado (23 de maio), no Centro Cultural Leny de Oliveira Zurita, em Araras. Nem a chuva espantou o público da feira de artesanato, antiguidades e brechó com atrações culturais: 125 expositores e 16 food trucks de Araras e da região participaram. "O Garimpo Urbano vem se consolidando como um evento cultural do município e o público espera pela oportunidade de conferir os produtos, participar da troca de livros e assistir às apresentações", disse o secretário de Cultura, Marcelo Daniel, o Mussa. As informações são do portal Notícias de Araras.
Entre as atrações musicais: a banda Carulina, com MPB autoral; Felipe Custódio e banda, com blues; o grupo de folk Criança Vodu; e, fechando a noite, roda de samba com o Núcleo Cupinzeiro. Também se apresentaram o grupo Batuque Raízes, o Núcleo A Mala dos Mamulengos, com teatro, e o Circo Além da Lona. O evento teve ainda bate-papo literário com Cida Brandino sobre o livro "Cidade Gratidão". O Garimpo acontece duas vezes por ano, com apoio da APAA — Associação Paulista dos Amigos da Arte — e da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado.
O formato: feira, palco e livro
O Garimpo Urbano combina três coisas que, separadas, teriam público menor: a feira de artesanato, antiguidades e brechó, que atrai quem procura peça única e preço bom; o palco com programação contínua, que segura o público por horas; e a troca de livros, que dá ao evento um caráter de encontro. Os food trucks completam a permanência — quem come fica. É o modelo de feira cultural que cidades médias adotaram nos últimos anos, e Araras o executa no Centro Cultural, espaço com pátio, salas e estrutura para chuva.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o número importa pelo contexto. "Três mil pessoas num sábado de chuva, em Araras, para ver brechó, artesanato e banda local. Isso é 2% da cidade num evento cultural gratuito — proporção que São Paulo não alcança na Virada. Cento e vinte e cinco expositores são 125 pequenos negócios vendendo; 16 food trucks são 16 famílias faturando. O Garimpo é economia criativa em escala municipal: a Secretaria de Cultura dá o espaço e o palco, o Estado e a APAA dão apoio, e o comércio informal de arte vira renda. Duas vezes por ano é pouco; a demanda mostra que cabe quatro", avalia.
125 expositores: quem vende
Artesãos de Araras e cidades vizinhas — Leme, Rio Claro, Pirassununga, Limeira — com cerâmica, costura, bijuteria, madeira e papelaria; antiquários com móveis, louças, discos e objetos; brechós de roupa, calçado e acessório. A curadoria da Secretaria de Cultura seleciona por qualidade e diversidade, e a participação é gratuita ou de taxa simbólica — o que atrai o produtor pequeno, que não teria como pagar estande em feira comercial. Para muitos, o Garimpo é a principal venda do semestre.
A programação musical
MPB autoral com a Carulina, blues com Felipe Custódio, folk com Criança Vodu, samba com o Núcleo Cupinzeiro, percussão com o Batuque Raízes — a grade privilegiou artistas de Araras e da região, com gêneros diferentes ao longo do dia e a roda de samba como encerramento. É palco para músicos locais que raramente têm público de milhares, e é a Secretaria de Cultura usando o evento como circuito de apresentação.
Teatro, circo e literatura
O Núcleo A Mala dos Mamulengos, com teatro de bonecos, e o Circo Além da Lona atenderam o público infantil, o que faz do Garimpo evento de família; o bate-papo com Cida Brandino sobre "Cidade Gratidão" e a troca de livros ligaram a feira à agenda literária da Secretaria — que mantém clubes de leitura e a Biblioteca Martinico Prado. A programação cobre da criança ao leitor adulto no mesmo espaço.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o Garimpo é a política cultural de Mussa Daniel em sua forma mais visível. "A Secretaria de Cultura de Araras tem clube do livro, cineclube, credenciamento de oficineiros, Casa Afro, e o Garimpo Urbano — que é onde tudo isso aparece para 3 mil pessoas de uma vez. Mussa entendeu que cultura precisa de vitrine e de comércio: artista no palco, artesão na barraca, food truck na calçada. O apoio da APAA e do Estado é o selo que traz recurso e visibilidade. Três edições e o evento já é esperado. Quando a próxima for anunciada, vai lotar de novo — chova ou não", observa.
Brechó e antiguidade: o consumo que cresce
O mercado de segunda mão — roupas, móveis, discos, objetos — cresce no Brasil por razões econômicas e ambientais: preço menor, peça única, consumo consciente. Feiras como o Garimpo são o ponto de encontro entre quem vende o que não usa e quem procura o que não se fabrica mais. Em Araras, brechós e antiquários que operam por Instagram encontram no evento o público presencial; para o consumidor, é a chance de ver e tocar antes de comprar. A curadoria evita a feira de usados genérica e mantém o padrão de garimpo — o nome não é acaso.
Troca de livros: a estante coletiva
A troca de livros do Garimpo funciona como estante aberta: quem leva um livro pode levar outro, sem custo, e a Secretaria de Cultura repõe o acervo com doações. É ação de fomento à leitura ligada aos clubes do livro e à Biblioteca Martinico Prado, e uma das mais procuradas do evento — famílias levam livros infantis, leitores adultos trocam romances. O bate-papo com Cida Brandino sobre "Cidade Gratidão", livro sobre Araras, ancorou a programação literária na cidade.
Chuva: o teste de público
A Secretaria havia anunciado dias antes que o Garimpo aconteceria mesmo com chuva, usando as áreas cobertas do Centro Cultural. O público de 3 mil confirmou que a decisão foi correta e que o evento tem base fiel — quem sai de casa debaixo de chuva para uma feira de artesanato é público que volta. Para os expositores, a chuva reduziu o pico da tarde, mas a permanência maior nos espaços cobertos compensou em vendas, segundo relatos.
Centro Cultural Leny de Oliveira Zurita
O Centro Cultural, no centro de Araras, é o principal equipamento da Secretaria de Cultura: abriga teatro, salas de oficina, exposições, o Cineclube Entretrilhos e eventos como o Garimpo. Seu pátio e áreas cobertas permitiram que a feira acontecesse apesar da chuva de maio — condição que a Secretaria já havia anunciado dias antes: o evento aconteceria com ou sem chuva.
APAA e Estado: o apoio
A Associação Paulista dos Amigos da Arte é organização social que gere programas culturais do governo paulista — como a Virada Cultural do interior e circuitos de apresentação — e apoia eventos municipais com recursos e artistas. A parceria com a Secretaria estadual de Cultura, Economia e Indústria Criativas coloca o Garimpo no mapa de eventos do estado e abre acesso a editais e a programação itinerante.
Economia criativa em Araras
A feira movimenta cadeia local: artesãos, antiquários, brechós, músicos, técnicos de som e luz, food trucks, e o comércio do entorno. A Secretaria de Cultura, com o credenciamento de oficineiros e o apoio a artistas, e a de Desenvolvimento Econômico, com o Sebrae, tratam a economia criativa como setor — e o Garimpo é seu evento de referência. Dois por ano; a demanda sugere mais.
Próxima edição
A Secretaria divulga a data da próxima edição pelas redes da Prefeitura e da Cultura; o padrão é uma no primeiro semestre e outra no segundo, com inscrição de expositores aberta semanas antes. Interessados em expor devem acompanhar os canais oficiais.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o Garimpo é o sábado que a cidade merece. "Três mil pessoas, chuva, brechó, samba no fim. É Araras se encontrando no Centro Cultural para ver o que a própria cidade produz — artesanato, música, comida, livro. Não tem cachê de artista nacional, não tem patrocínio de cerveja, não tem palco de 20 metros. Tem gente. O secretário disse que o evento se consolidou; o público disse antes, aparecendo debaixo de chuva. A quarta edição vai ser no segundo semestre. Quem foi já sabe; quem não foi, deveria", analisa.
A 3ª edição do Garimpo Urbano foi realizada em 23 de maio de 2026, no Centro Cultural Leny de Oliveira Zurita, em Araras, com cerca de 3 mil visitantes, 125 expositores e 16 food trucks. O evento acontece duas vezes por ano.



