A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Araras, em parceria com a Nestlé, promoveu na quarta-feira (5) um processo seletivo para a contratação de jovens aprendizes de 18 a 22 anos, com 20 vagas em diversas áreas do setor administrativo da empresa. A seleção foi realizada na sede do PAT — Posto de Atendimento ao Trabalhador —, na Avenida Zurita, 681, no Jardim Belvedere, com distribuição de 100 senhas, 50 pela manhã e 50 à tarde. Uma semana antes, a mesma parceria havia realizado um processo exclusivo para pessoas com deficiência, com 10 vagas de auxiliar de fabricação, em que todas as senhas foram distribuídas e todos os candidatos entrevistados. As informações são do portal Notícias de Araras.
Para participar da seleção de aprendizes, os candidatos deveriam estar cursando ou ter concluído o ensino médio e apresentar documento oficial de identidade e currículo atualizado. Os benefícios anunciados pela empresa: salário de R$ 860, vale-transporte creditado no cartão ao fim de cada mês, vale-alimentação de R$ 300, convênio médico Amil e capacitação teórica semanal, em jornada de quatro horas diárias — 20 horas semanais.
O que é o programa de aprendizagem
A Lei da Aprendizagem obriga empresas de médio e grande porte a contratar aprendizes — jovens de 14 a 24 anos — em proporção de 5% a 15% do quadro de funções que exigem formação profissional. O contrato é especial: prazo determinado de até dois anos, jornada reduzida, salário-hora proporcional e obrigação de combinar o trabalho com curso de formação em instituição qualificada, como Senai ou Senac. Para o jovem, é a porta de entrada mais estruturada ao emprego formal, com carteira assinada, benefícios e certificado; para a empresa, é forma de cumprir a lei e de formar mão de obra com a própria cultura.
Em uma indústria do porte da unidade da Nestlé em Araras, a cota de aprendizes representa dezenas de contratações ao longo do tempo — e a seleção de 20 vagas de uma vez, pelo PAT, é a forma de preencher parte dela com jovens da própria cidade.
Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o valor do processo está no salário indireto. "Oitocentos e sessenta reais por 20 horas semanais parece pouco, até você somar: R$ 300 de alimentação, transporte, convênio Amil, curso pago e carteira assinada numa das maiores empresas de alimentos do mundo. Para um jovem de 19 anos com ensino médio, é o melhor começo de carreira que Araras oferece. E é dentro da cidade, sem precisar ir a Campinas. Cem senhas para 20 vagas mostra que a juventude sabe disso", avalia.
Aprendiz: o que a lei garante
O contrato de aprendizagem tem regras próprias que o distinguem do estágio e do emprego comum. É contrato de trabalho com carteira assinada e prazo de até dois anos; garante salário-mínimo-hora, férias coincidentes com as escolares para quem ainda estuda, recolhimento de FGTS em alíquota reduzida e todos os direitos trabalhistas proporcionais. A jornada máxima é de seis horas diárias — quatro, no caso da Nestlé —, e parte dela é obrigatoriamente dedicada à formação teórica em entidade qualificada, que emite certificado ao fim. A empresa não pode exigir do aprendiz funções perigosas ou insalubres, e a rescisão antecipada só é permitida em hipóteses específicas. Para o jovem sem experiência, é o vínculo mais protegido que o mercado oferece.
Da aprendizagem à efetivação
O objetivo do programa, para o jovem, é a efetivação: ao fim dos dois anos, a empresa pode contratá-lo em vaga regular, e parte expressiva dos aprendizes de grandes indústrias segue esse caminho — já treinados na cultura e nos processos da companhia, custam menos para integrar do que um contratado externo. Mesmo quem não é efetivado sai com dois anos de carteira, certificado profissional e uma referência de peso no currículo. Em Araras, onde a indústria é o maior empregador, um aprendiz da Nestlé tem vantagem competitiva nas seleções de outras fábricas da cidade.
PCD: o processo que lotou
Na quarta-feira anterior (29), a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e a Nestlé realizaram seleção exclusiva para o preenchimento de 10 vagas de auxiliar de fabricação destinadas a pessoas com deficiência. "Foi bem produtiva a ação desta quarta. Todas as senhas que disponibilizamos foram distribuídas e todos os candidatos entrevistados. Agora, é só aguardar os resultados", comentou Wagner Moraes, diretor da secretaria.
A Lei de Cotas obriga empresas com mais de 100 funcionários a reservar de 2% a 5% das vagas a pessoas com deficiência — e a dificuldade de encontrar candidatos qualificados é a queixa mais comum das empresas. Um processo seletivo exclusivo, organizado pelo poder público, com divulgação dirigida e local acessível, resolve parte do problema: reúne, em um dia, candidatos que a empresa não alcançaria sozinha. Que todas as senhas tenham sido distribuídas indica demanda reprimida por vagas de PCD na cidade.
O PAT como intermediador
O Posto de Atendimento ao Trabalhador integra a rede estadual de intermediação de mão de obra e, em Araras, tem funcionado como palco de processos seletivos de empresas locais — Nestlé, TCA, Instituto Aprimorar, BC2 Infraestrutura — em vez de apenas cadastrar currículos. O modelo, em que a empresa vai ao PAT entrevistar, reduz custo para o empregador e barreira para o candidato, que não precisa descobrir onde e como se inscrever. Segundo a secretaria, é parte da estratégia que levou Araras a fechar o primeiro semestre com saldo de 1.532 empregos.
Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o PAT virou ferramenta de política de emprego. "Antes, o PAT era balcão de cadastro. Agora é onde a Nestlé seleciona aprendiz e PCD, onde a TCA escolhe motorista. A secretaria transformou o posto em ponte real entre empresa e trabalhador — e o Caged do semestre mostra o resultado. É um modelo que outras cidades da região deveriam copiar: custa o prédio, o funcionário e a articulação com o RH das empresas", observa.
Jovens: a faixa que mais contrata em Araras
O processo da Nestlé dialoga com o perfil do emprego na cidade. No primeiro semestre, o Caged registrou 634 contratações de jovens de 18 a 24 anos e 290 de menores de 17 — aprendizes e estagiários —, com o ensino médio completo como escolaridade dominante. É exatamente o público da seleção: jovens com ensino médio, sem experiência, para quem a aprendizagem é o primeiro registro em carteira. A indústria, com saldo de 1.091 vagas no semestre, é o setor que mais os absorve.
Nestlé em Araras
A unidade da Nestlé é uma das maiores empregadoras industriais do município e âncora do parque fabril local. Sua participação em processos seletivos públicos — para aprendizes e para pessoas com deficiência — é também ação de relacionamento com a cidade: a empresa cumpre obrigações legais de cotas e, ao fazê-lo pelo PAT, associa a marca à geração de oportunidades para moradores. Para a Prefeitura, é o tipo de parceria que dá visibilidade à política de emprego.
O que o jovem deve fazer
Quem não conseguiu senha na seleção de agosto deve manter cadastro atualizado no PAT e acompanhar os canais da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, que divulga os processos seletivos com antecedência. Documento de identidade, currículo atualizado e comprovante de escolaridade são os itens básicos; cursos de qualificação — como os oferecidos na Casa da Juventude e pelo Sebrae — aumentam a chance em seleções concorridas.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a seleção deveria ser rotina. "Vinte vagas de aprendiz e dez de PCD numa fábrica grande é um mês de cota. A Nestlé vai precisar de mais, e outras indústrias de Araras também. Se o PAT fizer isso todo mês, com empresa diferente, a cidade cria um calendário de primeiro emprego que o jovem sabe onde procurar. Cem senhas num dia mostram a demanda. Falta transformar o evento em agenda", analisa.
O PAT de Araras fica na Avenida Zurita, 681, no Jardim Belvedere, e atende trabalhadores e empresas de segunda a sexta-feira. Os resultados das seleções da Nestlé são comunicados diretamente aos candidatos pela empresa.



