Quatro escolas de Araras receberam o Prêmio de Excelência Educacional do Governo do Estado de São Paulo, concedido no âmbito do programa Alfabetiza Juntos SP a unidades que apresentaram os melhores resultados de alfabetização no Saresp 2025: a Emef Adriano Ademir Lombi, a E.E. Lions Clube, a Emef Maria Terezinha Ulson e a Emef Thereza Colette Ometto. Cada uma recebe entre R$ 18 mil e R$ 33 mil, conforme o número de alunos e o índice alcançado, para investir em materiais pedagógicos, formação de professores e infraestrutura. Araras está entre os 411 municípios paulistas com escolas premiadas. As informações são do portal Notícias de Araras.

O município registrou alta de 13,7% no percentual de leitores fluentes ao fim do 2º ano do ensino fundamental, indicador central do programa, com mais de 13 mil alunos na rede municipal. "O prêmio é reconhecimento ao trabalho das professoras alfabetizadoras, das coordenadoras e das famílias; alfabetizar na idade certa é a base de tudo o que vem depois", disse o secretário de Educação, Bruno Roza.

Alfabetiza Juntos SP: o programa

Lançado pelo governo paulista em 2023 em regime de colaboração com os municípios, o Alfabetiza Juntos SP tem como meta alfabetizar todas as crianças até o fim do 2º ano do fundamental, com material estruturado, formação de professores, avaliação anual pelo Saresp e premiação de escolas e redes com melhores resultados e maior avanço. É a versão paulista do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, do MEC, e replica o modelo do Ceará — que elevou a alfabetização com foco no 2º ano e em prêmio por resultado. Em 2025, a avaliação abrangeu redes municipais de todo o estado.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o prêmio é a notícia de educação mais importante do semestre em Araras. "Treze vírgula sete por cento a mais de crianças lendo com fluência no fim do 2º ano — é o indicador que prevê tudo: repetência, evasão, Enem. Quatro escolas premiadas entre municipais e uma estadual mostram que o método está funcionando na rede. Bruno Roza herdou a rede em 2025 e entregou uniforme, material e agora resultado. O dinheiro do prêmio é pequeno — R$ 18 a R$ 33 mil —, mas vai direto à escola que fez, sem passar pela Secretaria. É o incentivo certo no lugar certo", avalia.

As quatro escolas

A Emef Adriano Ademir Lombi, a Emef Maria Terezinha Ulson e a Emef Thereza Colette Ometto são municipais, de bairros populares; a E.E. Lions Clube é estadual. As três municipais alfabetizam com o material do programa e formação continuada; a Lions Clube, com o currículo paulista. As quatro superaram a média estadual de leitores fluentes e tiveram avanço em relação a 2024 — critério duplo do prêmio.

Saresp: como se mede

O Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo aplica, ao fim do 2º ano, prova de leitura e escrita que classifica cada criança em níveis — pré-leitor, leitor iniciante, leitor fluente. O percentual de fluentes por escola e por rede é o indicador do Alfabetiza Juntos; escolas com maior percentual e maior avanço recebem o prêmio. A avaliação de 2025 foi aplicada em novembro.

Leitores fluentes: por que importa

Criança que lê com fluência aos 7 anos compreende texto, avança nas demais disciplinas e tem risco muito menor de repetência e evasão; a que chega ao 3º ano sem ler dificilmente recupera. A alfabetização na idade certa é a política educacional com maior retorno comprovado, e os 13,7% de avanço em Araras representam centenas de crianças a mais lendo. É o número que a Secretaria deve perseguir em 2026.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o prêmio conecta-se ao pacote de 2026. "Uniforme para 12 mil alunos, material escolar para 25 mil, JEMA de volta, Univesp e UAB formando, Fatec com vestibular — e quatro escolas premiadas por alfabetizar. A rede de Araras teve, em 2026, o ano mais estruturado em muito tempo. O prêmio do Estado é o selo externo: não é a Prefeitura dizendo que melhorou, é o Saresp. Bruno Roza tem o dado para cobrar as demais escolas — e a Prefeitura de Elaine Brambilla tem o argumento para manter o investimento", observa.

O dinheiro: para que serve

Os valores — R$ 18 mil a R$ 33 mil por escola — são transferidos à Associação de Pais e Mestres e aplicados em livros, jogos pedagógicos, equipamentos, formação de professores e pequenas reformas, com prestação de contas. É recurso de gestão direta da escola, que decide onde investir — modelo que valoriza a autonomia da unidade.

Formação de professores: a base

O avanço vem da formação continuada das alfabetizadoras — encontros mensais, acompanhamento pedagógico, uso de material estruturado com sequências didáticas — que a Secretaria de Educação implantou com o programa. Professora bem formada, com material e apoio, alfabetiza; o prêmio reconhece isso.

O modelo do Ceará: a inspiração

O Alfabetiza Juntos SP replica o Programa de Alfabetização na Idade Certa do Ceará, criado em Sobral nos anos 2000 e estadualizado em 2007, que levou o estado do fim para o topo dos rankings nacionais de alfabetização com quatro pilares: foco no 2º ano, material estruturado, formação de professores e avaliação externa anual com premiação — inclusive repasse de ICMS por resultado. O MEC adotou o modelo no Compromisso Nacional Criança Alfabetizada em 2023, e São Paulo o aplicou com o Saresp como métrica. Araras entrou no regime de colaboração em 2024; o prêmio de 2026 é o primeiro resultado mensurável.

Pandemia: a defasagem a recuperar

As crianças que fizeram o 2º ano em 2025 foram as que iniciaram a educação infantil durante a pandemia, com creche e pré-escola fechadas ou remotas em 2020 e 2021 — a geração com maior defasagem de linguagem oral e prontidão para leitura. O avanço de 13,7% em Araras é sobre essa base: as alfabetizadoras recuperaram, em dois anos de programa, o que a pandemia atrasou. É o dado que o Ministério da Educação acompanha nacionalmente e que faz do 2º ano de 2025 o teste mais duro da década.

Recomposição de aprendizagem: o que a rede fez

A Secretaria de Educação de Araras adotou, desde 2024, avaliações diagnósticas trimestrais, reforço no contraturno para alunos em nível pré-leitor, acompanhamento individual por coordenadora pedagógica e reuniões de formação com foco em consciência fonológica e fluência. É o pacote que o Alfabetiza Juntos oferece e que a rede executou nas escolas premiadas — e que a Secretaria quer estender às demais Emefs em 2026, usando as quatro como escolas-referência.

411 municípios: o cenário

Das 645 cidades paulistas, 411 tiveram escolas premiadas — sinal de que o programa alcançou a maioria das redes. Araras, com quatro, está acima da média de cidades do mesmo porte. O governo estadual distribuiu dezenas de milhões em prêmios na edição 2025.

A rede municipal: 13 mil alunos

A rede de Araras atende mais de 13 mil alunos em creches, pré-escolas, fundamental e EJA, com Emefs e Emeiefs em todos os bairros. As três municipais premiadas são exemplo para as demais; a Secretaria planeja compartilhar as práticas em formação de rede.

O que vem em 2026

Nova avaliação em novembro, com meta de ampliar o percentual de fluentes; expansão da formação; e o uso do prêmio nas quatro escolas. A Secretaria quer mais unidades premiadas na edição 2026.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a alfabetização é o indicador que a cidade deveria acompanhar como acompanha o Caged. "Treze mil alunos, quatro escolas premiadas, 13,7% a mais de leitores fluentes. Isso vale mais que qualquer inauguração. Criança que lê aos 7 anos é adulto que trabalha aos 25. Bruno Roza e as alfabetizadoras da Lombi, da Ulson, da Ometto e da Lions fizeram o trabalho que muda a cidade em 20 anos. O prêmio é pequeno em dinheiro e grande em sinal. Que Araras repita em 2026 com mais escolas", analisa.

O Prêmio de Excelência Educacional do programa Alfabetiza Juntos SP, concedido pelo Governo do Estado de São Paulo com base no Saresp 2025, contemplou quatro escolas de Araras, anunciadas em março de 2026. O município registrou alta de 13,7% em leitores fluentes ao fim do 2º ano.