As obras do Ginásio de Esportes José Alberto Rodini, no bairro Narciso Gomes, na região sul de Araras, estão 75% concluídas, informou a Secretaria Municipal de Planejamento, Gestão e Mobilidade. Segundo a Flex Comércio e Representações, construtora responsável, a previsão de entrega é de 60 dias a partir de 20 de julho — ou seja, o fim de setembro. "Em virtude de furtos e depredações no ginásio, durante o andamento da obra, o valor do investimento foi reajustado, finalizando em R$ 2.041.179,75", explicou o engenheiro da Secretaria, Luiz Aparecido Corrêa. As informações são do portal Notícias de Araras.
Os próximos serviços são pintura e revestimentos, gradil interno, rede elétrica e iluminação, revitalização do piso de granilite da quadra e a parte externa. "As obras de revitalização da parte externa estão em desenvolvimento na secretaria, e serão feitas de acordo com o que prevê o projeto em andamento", completou Corrêa. Quando concluído, o ginásio abrigará aulas da Secretaria de Esportes, atendendo principalmente a população da região sul. Os recursos são do Finisa, da Caixa Econômica Federal.
Furtos e depredações: o custo extra
O reajuste do investimento por furtos e depredações durante a obra é problema recorrente em equipamentos públicos em construção: fiação de cobre, luminárias, metais e materiais de acabamento são alvo de roubo, e a estrutura inacabada sofre vandalismo. Cada furto exige reposição e retrabalho, o que eleva o custo e atrasa o cronograma. A Prefeitura não detalhou o valor original; o final, de R$ 2,04 milhões, inclui as reposições. A solução usual — vigilância no canteiro e cercamento — tem custo próprio e nem sempre é contratada em obras de porte médio.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o detalhe dos furtos é o que mais diz sobre a obra. "Um ginásio público na região sul, em construção, sendo furtado e depredado pelo próprio bairro que vai usá-lo. É o círculo vicioso do equipamento público: sem uso, é abandonado; abandonado, é depredado; depredado, custa mais e demora mais. A resposta é ocupar rápido — entregar em setembro, colocar aula em outubro, encher de criança. Ginásio com judô às 18h e futsal às 19h não é furtado. O Narciso Gomes precisa do ginásio pronto exatamente para que pare de ser alvo", avalia.
Narciso Gomes: o bairro
O Conjunto Habitacional Narciso Gomes é um dos maiores bairros populares de Araras, na região sul, com milhares de moradores, o Cras Norte nas imediações e histórico de demanda por equipamentos de esporte e lazer. O ginásio existente, degradado, ficou anos sem uso adequado; a reforma o transforma em unidade descentralizada da Secretaria de Esportes, que hoje concentra as modalidades de salão no Ginásio Nelson Rüegger, no centro — a mesma lógica do projeto do Capixaba na zona leste.
Piso de granilite: a quadra
O granilite — argamassa de cimento com grãos de mármore ou granito, polida — é o piso tradicional de quadras poliesportivas brasileiras: durável, barato de manter e adequado a futsal, basquete e vôlei. A revitalização inclui recuperação de trincas, polimento e nova demarcação. É a etapa que define o uso esportivo do ginásio e uma das últimas do cronograma, porque precisa de ambiente fechado e limpo.
Elétrica e iluminação: uso noturno
A rede elétrica e a iluminação — parte do que foi furtado — são o que permite o uso à noite, horário de maior demanda para adultos que trabalham. Sem iluminação adequada, o ginásio opera só de dia, com escolas; com ela, recebe campeonatos, aulas noturnas e eventos de bairro. É por isso que a reposição, apesar do custo, é indispensável.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o ginásio faz parte de uma estratégia de descentralização. "Araras tem o Nelson Rüegger no centro, lotado. A resposta da Secretaria de Esportes é levar quadra ao bairro: Narciso Gomes na zona sul, Capixaba na zona leste. Os dois com recursos garantidos — Finisa e convênios —, os dois com entrega em 2026 ou início de 2027. É política de esporte de base: a criança treina perto de casa, o adulto joga depois do trabalho sem pegar ônibus. O custo dos furtos é o pedágio de fazer obra em bairro sem vigilância. Vale pagar, desde que o ginásio abra e fique aberto", observa.
Finisa: o mesmo financiamento da Ponte da Delegacia
O ginásio é financiado pelo Finisa — Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento —, a linha da Caixa que a Prefeitura contratou para um pacote de obras que inclui a Ponte da Delegacia. O recurso está disponível, o que explica por que a obra, apesar dos furtos, não parou por falta de dinheiro — ao contrário da Estrada do Canil, dependente de repasse federal. A dívida é paga ao longo de anos, com juros abaixo do mercado.
Vigilância de obra: a lição
Obras públicas em bairros periféricos enfrentam furto de material de forma sistemática — cobre, alumínio, ferramentas, luminárias — e a solução, vigilância 24 horas ou cercamento com alarme, custa de 3% a 5% do valor da obra. Muitas prefeituras não a contratam para economizar e acabam pagando mais em reposição, como aconteceu no Narciso Gomes. A experiência deve orientar o projeto do Capixaba, na zona leste, que começa em 2026: incluir vigilância no orçamento desde o início é mais barato que repor fiação três vezes.
Rede de ginásios: centro, sul, leste
Com o Nelson Rüegger no centro, o José Alberto Rodini no Narciso Gomes e o futuro complexo do Capixaba, Araras terá três equipamentos de salão distribuídos pelas regiões — o desenho que a Secretaria de Esportes persegue para descentralizar escolinhas e competições. O JEMA, hoje concentrado no ginásio central, poderá ter etapas nos bairros; os campeonatos de servidores e de base ganham sedes alternativas. É rede que se completa em 2027, se os prazos forem cumpridos.
José Alberto Rodini: o patrono
O ginásio leva o nome de José Alberto Rodini, figura ligada à história esportiva e comunitária de Araras — a família Rodini dá nome também a uma EMEI da cidade. A denominação de equipamentos públicos com nomes de personalidades locais é prática que preserva a memória e cria vínculo do bairro com o espaço.
Parte externa: o projeto em andamento
A revitalização da área externa — acessos, estacionamento, paisagismo, cercamento — está em desenvolvimento na Secretaria de Planejamento e será executada conforme o projeto. É etapa que costuma ficar para depois da entrega do prédio e que define a integração do ginásio ao bairro; cercamento e iluminação externa são, também, a proteção contra novas depredações.
O que o ginásio vai oferecer
Quando aberto, o ginásio receberá aulas da Secretaria de Esportes — futsal, basquete, vôlei, judô, balé, ginástica — para crianças, adolescentes e adultos da região sul, além de sediar etapas do JEMA e campeonatos de bairro. A grade será definida pela Secretaria conforme a demanda; a expectativa é aliviar o Nelson Rüegger e ampliar o número de vagas nas escolinhas.
Setembro: a entrega
Com o prazo de 60 dias a partir de 20 de julho, a entrega está prevista para o fim de setembro de 2026 — sujeita à conclusão da elétrica e do piso. A inauguração, se cumprido o cronograma, será uma das primeiras entregas esportivas da prefeita Elaine Brambilla, com o secretário Edivaldo Silva.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o ginásio merece ser cobrado até abrir. "Setenta e cinco por cento em julho, entrega em setembro, R$ 2 milhões do Finisa, furtos no meio. É obra que a cidade vai esquecer até a inauguração — e é aí que se deve cobrar: o cronograma de 60 dias vence agora. A região sul de Araras espera um ginásio há anos. Se abrir em setembro com aula em outubro, a Prefeitura terá feito o que prometeu e o bairro terá o que precisa. Se atrasar para 2027, o piso de granilite vai virar mais um alvo de depredação. A diferença está em semanas", analisa.
As obras do Ginásio de Esportes José Alberto Rodini, no Narciso Gomes, em Araras, estavam 75% concluídas em julho de 2026, com entrega prevista para o fim de setembro. O investimento final é de R$ 2.041.179,75, com recursos do Finisa, da Caixa Econômica Federal.



