A cerimônia de abertura dos Jogos Escolares do Município de Araras, o JEMA 2026, aconteceu na noite de quarta-feira (8 de abril) no Ginásio de Esportes Nelson Rüegger, reunindo alunos e professores das 22 escolas participantes e autoridades. Alunas de ginástica rítmica da Secretaria de Esportes abriram ao som de "Mamma Mia", do ABBA; depois, entraram os representantes das escolas. Neste ano, 800 alunos de escolas municipais, estaduais e particulares, entre 8 e 18 anos, disputam 12 modalidades: câmbio, queimada, pique-bandeira, ataque-defesa, vôlei, basquete, futsal, handebol, tênis de mesa, atletismo, xadrez e damas. As informações são do portal Notícias de Araras.

Criados em 2002 pela então secretária de Esportes e professora de educação física Paula Lopes de Castro, os Jogos não eram realizados desde 2018. "Fico muito feliz em ver o retorno do JEMA. Esporte não é gasto, é investimento", disse Paula, homenageada na cerimônia. O prefeito Irineu Maretto destacou a retomada e se comprometeu a torná-la política permanente: "O esporte tem que ser valorizado e confirmo que sancionarei a lei para que os Jogos Escolares aconteçam todos os anos, independente do governo."

Oito anos sem JEMA

Entre 2018 e 2025, Araras ficou sem competição escolar municipal — a pandemia interrompeu o que gestões anteriores já haviam deixado esvaziar. Uma geração inteira de alunos passou pelo fundamental sem disputar jogos entre escolas; as modalidades de salão sobreviveram nas escolinhas da Secretaria, mas sem o calendário que dá sentido ao treino. A retomada em 2026, com 22 escolas e 800 alunos na primeira edição, mostrou demanda represada — e a adesão de escolas particulares, estaduais e municipais na mesma competição é o que a torna evento de cidade.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a frase de Maretto é a mais importante da noite. "Prefeito prometer lei para que o JEMA aconteça todo ano 'independente do governo' é reconhecer que o problema não foi falta de dinheiro — foi falta de obrigação. O JEMA acabou em 2018 porque ninguém era obrigado a fazer. A lei muda isso: vira política de Estado municipal, com orçamento e calendário. Maretto morreu em junho e a lei ficou para Elaine sancionar — se ainda não sancionou, é a cobrança mais barata que a cidade pode fazer. Oitocentos alunos e 22 escolas em abril, 2 mil torcedores nas finais da primeira etapa: a demanda está provada. Falta a garantia", avalia.

Paula Lopes de Castro: a criadora

Professora de educação física e ex-secretária de Esportes, Paula Lopes de Castro criou o JEMA em 2002 como competição entre escolas de todas as redes, com modalidades para todas as idades — do pique-bandeira ao handebol. A homenagem na abertura de 2026 reconheceu a autora de uma política que sobreviveu 16 anos e parou 8; sua frase — "esporte não é gasto, é investimento" — virou o mote da retomada.

12 modalidades, 4 etapas

O JEMA 2026 organiza-se em quatro etapas: abril, com basquete, tênis de mesa e queimada; maio e junho, com vôlei, atletismo e câmbio; agosto, com futsal, xadrez e pique-bandeira; outubro e novembro, com handebol, damas e ataque-defesa. A cerimônia de encerramento, em 24 de novembro, premia as escolas por modalidade e no geral. A distribuição por etapas permite que cada escola monte times ao longo do ano e que o Nelson Rüegger acomode todas as disputas.

22 escolas: as três redes

Participam escolas municipais — Emefs Adalgisa Perim Balestro Franzini, Antonia Marques Dahmen, João Poletti, Júlio Ridolfo, Leonaldo Zornoff, Maria Zélia Padovani (CAIC), Thereza Colette Ometto, Emeiefs Ivan Inácio de Oliveira Zurita e Nadyr Rodini Vansetti —, estaduais — Carlota Fernandes de Sousa Rodini, Maximiliano Baruto, Cesário Coimbra, José Ometto, Lions Clube, Judith Ferrão Legaspe, Yolanda Salles Cabianca, Vicente Ferreira dos Santos e a Etec Prefeito Alberto Feres — e particulares — Anglo Alante, Colégio Educar, Cognus e Insa. A mistura é rara: a maioria das cidades separa jogos por rede.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a abertura foi desenhada para marcar. "Ginástica rítmica com ABBA, desfile das 22 escolas, homenagem à criadora, juramento do atleta lido por aluno de escola estadual, tocha e pira acesas por uma atleta ararense de crossfit que compete no exterior. É cerimônia olímpica em escala municipal — e é isso que faz a criança de 8 anos levar a sério. A pira fica acesa até novembro. O JEMA não é só competição; é ritual que a cidade perdeu por oito anos e recuperou numa noite de abril. Os 2 mil torcedores nas finais do basquete, duas semanas depois, foram a resposta", observa.

Juramento e pira: os símbolos

O aluno Helyabe da Silva Soares, do 3º ano A da E.E. Judith Ferrão Legaspe, conduziu o juramento dos atletas; a atleta ararense Ana Laura Cattai, que representa o município em competições internacionais de crossfit, levou a tocha e acendeu a pira, mantida acesa durante todos os dias dos jogos. São os elementos do cerimonial olímpico adaptados ao escolar — e o reconhecimento a uma atleta da cidade como referência para os alunos.

Autoridades: Esportes, Educação, Câmara

Compuseram a mesa o secretário de Esportes, Luiz Paulo Franco; o secretário de Educação, Bruno Roza; o vereador e 1º secretário da Mesa Diretora, Lúcio Bittencourt de Andrade; e os vereadores Ana Júlia Casagrande e José Roberto Rimério, o Miqueira. A presença das duas secretarias — Esportes organiza, Educação mobiliza as escolas — é a parceria que sustenta o JEMA; a da Câmara, o sinal de que a lei prometida teria apoio legislativo.

Da abertura às finais: os primeiros resultados

A primeira etapa, de 13 a 28 de abril, teve basquete, tênis de mesa e queimada, com finais em 25 de abril que levaram cerca de 2 mil pessoas ao Nelson Rüegger — professores, pais e alunos na arquibancada. "Nos surpreendemos com a adesão e a empolgação das escolas e dos alunos nesse retorno dos jogos", disse o secretário Luiz Paulo Franco. A segunda etapa, em maio e junho, e a terceira, em agosto, seguiram o calendário; o futsal feminino da Etec Alberto Feres e o xadrez com 20 escolas foram destaques.

Esporte escolar: por que importa

Jogos escolares municipais são a base da pirâmide esportiva e da educação física: dão objetivo ao treino, ensinam regra e derrota, integram escolas de redes diferentes e revelam talentos para clubes e seleções. Cidades que os mantêm continuamente têm índices maiores de prática esportiva juvenil; as que os interrompem, como Araras entre 2018 e 2025, perdem o vínculo entre escola e esporte. A lei prometida é o instrumento para não repetir a lacuna.

Ginástica rítmica: a abertura

As alunas da escolinha de ginástica rítmica da Secretaria de Esportes — modalidade que Araras mantém com técnica própria e que revela atletas para competições regionais — abriram a cerimônia ao som de "Mamma Mia", com fitas, arcos e bolas. É a apresentação que costuma abrir eventos esportivos municipais e que serve de vitrine para a escolinha, cujas vagas são gratuitas e preenchidas por inscrição na Secretaria. A escolha do ABBA, hit de 1975 conhecido de pais e avós, foi pensada para a arquibancada.

A lei: onde está

Maretto prometeu sancionar lei que torne o JEMA anual e obrigatório. Com sua morte em junho, o projeto — se enviado à Câmara — cabe à prefeita Elaine Brambilla e ao secretário Edivaldo Silva, que assumiu a pasta em julho e manteve o calendário. A cerimônia de encerramento de 24 de novembro seria o momento adequado para a sanção; a Prefeitura não informou o andamento.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o JEMA de 2026 é a política pública mais bem-sucedida do ano em Araras. "Voltou depois de oito anos, com 22 escolas das três redes, 800 alunos, 12 modalidades, quatro etapas, pira acesa, 2 mil pessoas na final da primeira fase. Não custou obra nem convênio — custou organização das secretarias de Esportes e Educação e vontade de fazer. Paula Lopes de Castro criou em 2002 e viu voltar em 2026. Maretto prometeu a lei e não viveu para sanciná-la. Elaine Brambilla tem até 24 de novembro para fazer o que ele prometeu: garantir que o JEMA de 2027 não dependa de ninguém querer", analisa.

A cerimônia de abertura do JEMA 2026 foi realizada em 8 de abril, no Ginásio de Esportes Nelson Rüegger, em Araras, com 22 escolas e 800 alunos inscritos em 12 modalidades. A competição tem encerramento previsto para 24 de novembro de 2026.