A paratleta Erivanha de Moura Sousa visitou na quinta-feira (23 de abril) as escolas municipais de Araras Professor Joel Job Fachini e Professora Adalgisa Perim Balestro Franzini, em ação do projeto Caminhos Esportivos, do Sesc Piracicaba, que promove vivência esportiva, inclusão e cidadania para crianças e jovens. Os alunos conheceram a história da atleta e as modalidades paralímpicas, com as possibilidades de desenvolvimento no esporte. As informações são do portal Notícias de Araras.

Erivanha integra a Seleção Brasileira de Futebol de Cegas desde 2024 e passou pelo goalball e pelo atletismo, que ainda treina; com a seleção, ficou em 4º lugar no Campeonato Mundial da Índia em 2025; no atletismo, é tricampeã paulista, com 3º lugar em 2019 e 2025 e 2º em 2024. Nascida no Piauí, é deficiente visual desde o nascimento, por síndrome que afetou a formação dos olhos; mudou-se para São Paulo em 2015, onde iniciou a trajetória paralímpica.

Futebol de cegas: a modalidade

O futebol de 5 — futebol de cegos, paralímpico desde Atenas 2004 — é jogado por atletas com deficiência visual total, vendados para igualar condições, com bola de guizo, goleiro vidente, guias atrás do gol e campo cercado por bandas laterais; o Brasil masculino é pentacampeão paralímpico e nunca perdeu uma final. A seleção feminina, criada nos anos 2020, disputou o primeiro Mundial em 2023 e ficou em quarto no de 2025, na Índia — do qual Erivanha participou. A modalidade exige orientação espacial, escuta e coragem de correr no escuro; para crianças de Araras, ver uma atleta que joga futebol sem enxergar é lição sobre o que o corpo e o treino conseguem.

Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a visita vale mais que uma aula. "Uma mulher cega desde o nascimento, piauiense, que joga pela seleção brasileira e é tricampeã paulista de atletismo, contando a história para crianças da Joel Job e da Adalgisa — no mês em que o JEMA voltou e a cidade discutia o Fundo da Pessoa com Deficiência. Não há discurso de inclusão que ensine o que Erivanha ensinou em uma manhã: deficiência não é limite de esporte. O Sesc Piracicaba trouxe; a Educação de Araras abriu a escola. Os alunos com deficiência das duas Emefs — e os sem — saíram sabendo que existe goalball, futebol de 5 e pódio paralímpico. É formação de atleta e de cidadão ao mesmo tempo", avalia.

Caminhos Esportivos: o projeto do Sesc

O Caminhos Esportivos, do Sesc Piracicaba, leva atletas e paratletas a escolas da região para vivências, palestras e demonstrações — mostrando modalidades pouco conhecidas e trajetórias de superação —, com foco em inclusão e cidadania; a unidade de Piracicaba, a mais próxima de Araras, estende programação a cidades sem Sesc. A visita de Erivanha integrou a edição de 2026, com escolas municipais selecionadas pela Secretaria de Educação.

Goalball e atletismo: as outras modalidades

Antes do futebol, Erivanha jogou goalball — esporte criado para cegos, com bola de guizo lançada rente ao chão e defesa com o corpo — e compete no atletismo com guia, em provas de corrida; o tricampeonato paulista e os pódios de 2019 a 2025 vêm da pista. Apresentar três modalidades às crianças amplia o repertório do que é esporte paralímpico.

Joel Job Fachini e Adalgisa Perim: as escolas

Duas Emefs da rede municipal com alunos em educação especial e participantes do JEMA — a Joel Job teve quadra e alambrado reformados em 2026; a Adalgisa Perim foi das primeiras a receber manutenção em 2025 —, escolhidas pela Educação para a ação. Os professores de educação física prepararam as turmas e integraram a visita ao conteúdo de esporte adaptado.

Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a história pessoal é o que fica. "Menina cega do Piauí, síndrome rara, mudou para São Paulo em 2015 sem nada, e em 2025 estava num Mundial. Erivanha é o exemplo que o esporte paralímpico brasileiro produz e que raramente chega a escola de cidade média. Os alunos da Joel Job e da Adalgisa ouviram de quem viveu. Com o Comdef regulamentando o fundo e o JEMA incluindo alunos com deficiência, Araras está construindo o caminho — e o Sesc trouxe a prova de que ele leva a algum lugar. Que a Secretaria de Esportes crie a escolinha paralímpica que a visita pede", observa.

Esporte paralímpico no Brasil: o contexto

O Brasil é potência paralímpica — quinto lugar em Paris 2024, com 89 medalhas —, com o Centro de Treinamento Paralímpico em São Paulo e programas de detecção de talentos em escolas; a base começa na educação física escolar inclusiva, e visitas como a de Erivanha são a porta de entrada. Cidades do interior fornecem atletas que treinam na capital, como ela.

Educação inclusiva: a rede de Araras

A rede municipal atende centenas de alunos com deficiência em salas comuns com apoio de educação especial — dois professores convocados em janeiro reforçaram —, e a educação física inclusiva é parte do currículo; a visita mostrou aos professores modalidades adaptáveis e, aos alunos, referência. O Comdef acompanha a política.

Seleção feminina de futebol de cegas: a história recente

Enquanto a seleção masculina de futebol de 5 acumula cinco ouros paralímpicos — de Atenas 2004 a Paris 2024 —, a feminina é recente: a Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais estruturou a modalidade para mulheres a partir de 2019, e a seleção disputou o primeiro Mundial feminino em 2023, na Inglaterra, e o segundo em 2025, na Índia, onde ficou em quarto lugar — o resultado que Erivanha levou a Araras. A inclusão do futebol feminino de cegas nos Jogos Paralímpicos é pauta para 2032; as atletas de hoje, como ela, são a primeira geração.

Guia, bola de guizo e venda: como se joga

No futebol de 5, todos os jogadores de linha usam venda para igualar diferentes graus de deficiência visual; a bola tem guizos internos que soam ao rolar; o goleiro é vidente e orienta a defesa; um guia atrás do gol adversário orienta o ataque; e o técnico, do lado, o meio-campo; as bandas laterais evitam saídas de bola. A demonstração dessas regras às crianças da Joel Job e da Adalgisa — com venda e bola de guizo em quadra — é o que transforma a palestra em vivência, e o que o Caminhos Esportivos leva às escolas.

Sesc Piracicaba: a unidade regional

A unidade do Sesc em Piracicaba, a 60 quilômetros, atende a região com programação cultural e esportiva e projetos itinerantes — o Circuito Sesc de Artes que ocupou a Praça Barão em abril e o Caminhos Esportivos nas escolas; para Araras, sem unidade própria, é a fonte de ações que a cidade não produziria sozinha.

Do Piauí a São Paulo: a trajetória

Nascida no Piauí com deficiência visual congênita, Erivanha mudou-se para São Paulo em 2015, onde encontrou no Instituto e nos clubes paralímpicos da capital a estrutura que o interior nordestino não oferecia — técnicos, guias, competições; em dez anos, passou de iniciante no goalball a atleta de seleção. É a trajetória típica do paradesporto brasileiro: talento do interior que precisa migrar para treinar — e o argumento para que cidades como Araras criem a base local.

Deficiência visual: os números

Mais de 6 milhões de brasileiros têm deficiência visual, cerca de 500 mil cegos; em Araras, centenas de pessoas, com atendimento em educação especial, no CAEM e no Fuss — que distribui óculos — e sem escolinha esportiva específica. A visita expôs a lacuna e a oportunidade.

O que a visita deixou

Alunos que conheceram goalball e futebol de 5, professores com repertório de esporte adaptado, e a possibilidade de a Secretaria de Esportes incluir modalidades paralímpicas no JEMA de 2027 — proposta que o Comdef e o Sesc apoiam.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, Erivanha é a notícia esportiva mais inspiradora do ano em Araras. "Não é o União São João, não é o JEMA — é uma atleta cega da seleção brasileira numa escola municipal, dizendo a criança de 10 anos que dá para correr no escuro. O Sesc Piracicaba fez o que o Sesc faz: levar o que a cidade não tem. Bruno Roza abriu as portas. O que Araras pode fazer com isso é criar a primeira turma de goalball da cidade — bola de guizo custa pouco e o Nelson Rüegger tem quadra. Erivanha mostrou o caminho; falta a cidade andar", analisa.

A visita da paratleta Erivanha de Moura Sousa às Emefs Professor Joel Job Fachini e Professora Adalgisa Perim Balestro Franzini, em Araras, aconteceu em 23 de abril de 2026, em ação do projeto Caminhos Esportivos do Sesc Piracicaba.