A Prefeitura de Araras, por meio da Secretaria Municipal de Esportes, desenvolveu um novo projeto para o Centro Esportivo Alcides Zaniboni, o Capixaba, na região leste. A prefeita Elaine Brambilla, o secretário de Esportes, Edivaldo Silva, e o secretário de Planejamento, Evaldo Sérgio Grigoletto, visitaram o local na sexta-feira (31). O investimento total será de R$ 3,25 milhões: R$ 2,25 milhões do Governo do Estado, para manutenção das estruturas existentes — como o campo de futebol — e construção de novos equipamentos; R$ 1 milhão do Governo Federal, para iluminação adequada; e R$ 350 mil de contrapartida municipal. As informações são do portal Notícias de Araras.
"O Esporte manifestou esse desejo de reforma do espaço para melhor aproveitamento da área e melhor desenvolvimento das modalidades, a verba já está disponível, agora o Planejamento vai finalizar o projeto fazendo as adequações necessárias para atender às necessidades, dentro do orçamento existente", explicou Grigoletto. A previsão é iniciar as obras ainda em 2026.
O que o projeto prevê
O projeto inicial inclui duas quadras de areia para beach tênis e futevôlei; uma quadra de basquete 3x3; uma pista de atletismo completa para treinamento de 100, 200 e 400 metros, lançamento de dardo e de disco, salto triplo e salto com vara; reforma dos vestiários; e construção de módulos cobertos para modalidades hoje realizadas no Ginásio Nelson Rüegger, como balé e judô. É a transformação de um centro esportivo de campo de futebol em complexo multiesportivo — o primeiro da zona leste com esse perfil.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a pista de atletismo é a peça que muda o patamar. "Araras nunca teve pista de atletismo completa. O JEMA faz atletismo improvisado, as assessorias de corrida treinam na Dona Renata, e quem quer salto com vara ou lançamento de disco vai a Rio Claro ou Piracicaba. Uma pista com 100, 200, 400 metros e campo de lançamentos no Capixaba coloca a cidade no mapa do atletismo escolar e amador da região. Beach tênis e futevôlei são a moda — e a moda enche quadra. Basquete 3x3 é olímpico. O projeto lê bem o que a zona leste e a cidade querem", avalia.
Três fontes de dinheiro
A composição do financiamento — R$ 2,25 milhões estaduais, R$ 1 milhão federal e R$ 350 mil municipais — é típica de equipamentos esportivos municipais: convênios com a Secretaria de Esportes do Estado e emendas parlamentares federais cobrem o grosso, e o município entra com contrapartida e projeto. A separação da verba federal para iluminação atende à exigência de que emendas tenham objeto definido; a estadual cobre manutenção e construção. "A verba já está disponível", diz Grigoletto — o que diferencia este projeto de tantos que esperam liberação.
Capixaba: o centro esportivo da zona leste
O Centro Esportivo Alcides Zaniboni, conhecido como Capixaba pelo nome do bairro, é o principal equipamento esportivo da região leste de Araras — área densa, com conjuntos habitacionais e bairros populares que concentram parte significativa da população jovem. Hoje, o centro é essencialmente um campo de futebol com vestiários; a reforma o transforma em espaço de uso diário para múltiplas modalidades, com iluminação para uso noturno.
Balé e judô: descentralizar o Ginásio
Os módulos cobertos para balé e judô respondem a um problema de capacidade: o Ginásio Nelson Rüegger, no centro, concentra as modalidades de salão da Secretaria de Esportes e opera no limite. Levar turmas à zona leste reduz o deslocamento de crianças e adolescentes do bairro ao centro e libera horários no Ginásio. É descentralização de serviço, com efeito direto na frequência — criança que precisa de ônibus para o judô falta; criança que vai a pé, não.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o projeto é continuidade com marca própria. "O Capixaba estava na lista de Irineu Maretto — o secretário de Esportes de maio era Luiz Paulo Franco, o de agosto é Edivaldo Silva, e o projeto atravessou a troca. Elaine Brambilla visitou, o Planejamento vai desenhar, a verba está na conta. É a nova gestão executando o que estava encaminhado, com a assinatura de quem chegou: pista de atletismo e beach tênis não estavam no plano original. Se as obras começarem em 2026, como prometido, será a primeira entrega esportiva da prefeita — e na zona leste, onde mais faz diferença", observa.
Iluminação: R$ 1 milhão federal
A iluminação adequada — projetores de LED em campo, quadras e pista — é o que permite uso noturno, quando a maioria dos adultos trabalhadores pode praticar esporte, e é também segurança: espaço público iluminado é ocupado, e ocupado é vigiado. O R$ 1 milhão federal, vindo de emenda, cobre exclusivamente esse item, o que garante que a iluminação não seja sacrificada em ajustes de orçamento.
Beach tênis e futevôlei: a demanda
O beach tênis é o esporte que mais cresce no Brasil, com quadras de areia surgindo em clubes e condomínios; o futevôlei, tradicional nas praias, ganhou o interior. Quadras públicas de areia são raras em cidades sem litoral — e a zona leste de Araras terá duas. Para a Secretaria de Esportes, é oferta de modalidade de baixo custo de manutenção e alta adesão, inclusive de adultos que não jogam futebol.
Basquete 3x3: o olímpico de rua
O basquete 3x3, modalidade olímpica desde Tóquio 2020, exige meia quadra e seis jogadores — formato de rua que dispensa ginásio. A quadra no Capixaba é aposta em modalidade jovem, com regras simples e jogos curtos, que pode gerar torneios locais. Araras tem tradição em basquete de base, e o 3x3 é porta de entrada.
Pista de atletismo: o que exige
Uma pista de treinamento com retas de 100 e 200 metros e circuito de 400, mais setores de lançamento de dardo e disco e caixas de salto triplo e com vara, exige terreno nivelado, base drenante, piso sintético ou de saibro compactado e áreas de segurança para os lançamentos — o item mais caro e tecnicamente complexo do projeto. É por isso que o Planejamento fala em "adequações necessárias dentro do orçamento existente": a versão final pode ser de treinamento, sem homologação para competição oficial, o que ainda assim atende escolas, assessorias e o JEMA.
Zona leste: a demanda reprimida
A região leste de Araras concentra bairros como Jardim Morumbi, Capixaba, Nova Olinda, Aeroporto e conjuntos habitacionais que cresceram nas últimas duas décadas sem equipamentos esportivos à altura. As atividades da Secretaria de Esportes — escolinhas, judô, balé, ginástica para idosos — funcionam majoritariamente no centro, e o deslocamento é barreira para famílias sem carro. O Capixaba reformado inverte a lógica: o equipamento vai ao bairro, e o Ginásio central deixa de ser o único destino.
"Contamos com a comunidade"
"Vamos revitalizar o que já existe e passar a ofertar novas modalidades esportivas para a população da zona leste. Contamos com a comunidade para cuidar e zelar desse espaço tão importante", disse a prefeita. O apelo ao cuidado comunitário é recorrente em equipamentos esportivos de bairro, sujeitos a vandalismo; a iluminação e a ocupação constante são as melhores defesas.
Próximos passos
O Planejamento finaliza o projeto executivo com as adequações ao orçamento; depois, licitação da obra e início, previsto para 2026. O cronograma de execução dependerá do porte da empresa contratada; obras dessa natureza levam de oito a doze meses. A pista de atletismo, por exigir base e piso específicos, é o item mais complexo.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o Capixaba é o tipo de investimento que rende por décadas. "Três milhões e duzentos e cinquenta mil reais para um complexo esportivo na zona leste — com pista, quadras, iluminação e salas — é dinheiro que volta em saúde, em segurança e em atleta. A criança do Capixaba que hoje só tem campo vai ter pista de atletismo e judô a pé de casa. É política de esporte de verdade: equipamento onde mora o povo. Se a Prefeitura entregar em 2027, será o melhor centro esportivo público da cidade. E estará na zona leste, não no centro. Isso diz tudo", analisa.
O projeto de reforma e ampliação do Centro Esportivo Alcides Zaniboni, o Capixaba, na zona leste de Araras, foi apresentado pela Prefeitura em agosto de 2026, com investimento de R$ 3,25 milhões e início de obras previsto ainda para 2026.



