A Prefeitura de Araras incluiu 17 novos medicamentos na Relação Municipal de Medicamentos Essenciais, a Remume, disponíveis a partir de 1º de março nas cinco farmácias municipais, mediante receita e cartão SUS. A lista passa de 113 para 130 itens, na primeira atualização desde 2013. Entram três antibióticos, vermífugo infantil, antifúngicos, antieméticos, expectorantes e broncodilatadores, corticoides e anti-inflamatórios, e medicações para próstata, ácido úrico e tireoide. O custo adicional é de R$ 400 mil ao ano, elevando o gasto total com a Remume a R$ 3,5 milhões anuais. As informações são do portal Notícias de Araras.
"Eram 13 anos com a mesma lista; a medicina mudou, os protocolos mudaram, e o paciente saía da consulta com receita de remédio que a farmácia não tinha", disse o secretário de Saúde, Romildo Benedito Borelli, o Baiano da Farmácia, farmacêutico de formação. Somados os 243 medicamentos do componente especializado do Estado, dispensados nas farmácias de alto custo, Araras passa a oferecer 373 fármacos gratuitos. O prefeito Irineu Maretto incluiu a atualização no pacote de R$ 14 milhões da saúde de 2026.
Remume: o que é
A Relação Municipal de Medicamentos Essenciais é a lista dos remédios que o município compra e dispensa gratuitamente na atenção básica — o chamado componente básico da assistência farmacêutica, financiado por União, Estado e município. Cada cidade define a sua com base na Rename, a relação nacional, e no perfil epidemiológico local; a atualização deve ser periódica, com comissão de farmácia e terapêutica. Araras ficou 13 anos sem atualizar — o que gerava receitas não atendidas e compra do bolso pelo paciente.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, é a medida de saúde com melhor custo-benefício do ano. "Quatrocentos mil por ano — menos que o custo de uma ambulância equipada — para colocar 17 remédios que o médico da unidade receita todo dia e o paciente não achava. Antibiótico, vermífugo de criança, remédio de tireoide. Quem tem plano não percebe; quem depende da farmácia municipal sabe o que é sair da consulta e não ter o remédio. Baiano da Farmácia é farmacêutico e fez a atualização que 13 anos de secretários não fizeram. É o tipo de decisão técnica que não rende inauguração e rende saúde", avalia.
Os 17: o que entra
Três antibióticos de uso comum em infecções respiratórias, urinárias e de pele; vermífugo pediátrico; antifúngicos para candidíase e micoses; antieméticos para náusea; expectorantes e broncodilatadores para bronquite e asma; corticoides e anti-inflamatórios; medicação para hiperplasia de próstata; alopurinol para ácido úrico e gota; e levotiroxina em dosagens adicionais para hipotireoidismo. São os itens mais receitados que faltavam.
13 anos sem atualização: por quê
Atualizar a Remume exige comissão técnica, estudo de demanda, licitação e orçamento — e gestões sucessivas adiaram, mantendo a lista de 2013 enquanto a medicina incorporava novos protocolos. O resultado era a "receita órfã": o médico prescreve o que o protocolo indica, a farmácia não tem, o paciente compra ou não trata. A atualização de 2026 corrige a defasagem acumulada.
As cinco farmácias municipais
As farmácias municipais de Araras ficam no Centro de Saúde e em unidades de referência dos bairros, com farmacêutico responsável e sistema de dispensação informatizado — o mesmo que registra o cartão SUS e a receita. Os 17 novos itens estão nas cinco desde 1º de março, com estoque calculado pela demanda histórica das unidades.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a assistência farmacêutica é onde a cidade mais economiza em saúde. "Cada antibiótico que a farmácia tem evita uma infecção que vira internação; cada levotiroxina evita descompensação; cada vermífugo evita anemia em criança. O custo é R$ 400 mil; a economia em pronto-socorro e internação é múltipla. Araras gasta R$ 3,5 milhões por ano com a Remume — 2,5% do orçamento da saúde — e é o gasto mais eficiente. Baiano da Farmácia entende de balcão. A próxima atualização não pode esperar 13 anos", observa.
Farmácia de alto custo: os 243 do Estado
O componente especializado — medicamentos de alto custo para doenças crônicas graves, como esclerose múltipla, artrite reumatoide, hepatite, transplante — é fornecido pelo Estado nas farmácias de alto custo, com 243 itens disponíveis para Araras mediante processo administrativo. Somados aos 130 da Remume, são 373 fármacos gratuitos.
Como retirar
Receita de profissional do SUS ou de convênio — válida por prazo definido — e cartão SUS do paciente, na farmácia municipal de referência; medicamentos de uso contínuo têm renovação. Antibióticos exigem receita em duas vias, retida. A Secretaria orienta procurar a unidade de saúde em caso de falta para registro e reposição.
Financiamento tripartite: quem paga
O componente básico da assistência farmacêutica é financiado por União, Estado e município, com valores per capita fixados em portaria — em 2026, cerca de R$ 6,05 por habitante ao ano da União, R$ 2,36 do Estado e R$ 2,36 do município como piso. Para Araras, com 135 mil habitantes, isso soma pouco mais de R$ 1,4 milhão; os R$ 3,5 milhões gastos com a Remume mostram que a Prefeitura complementa com recursos próprios mais do que o dobro do piso. A ampliação de R$ 400 mil é inteiramente municipal, o que explica por que a atualização dependia de decisão política e de caixa — e por que ficou 13 anos parada.
Levotiroxina e próstata: o público idoso
Hipotireoidismo e hiperplasia benigna de próstata são condições crônicas concentradas em pessoas acima de 50 anos; a levotiroxina em dosagens variadas — 25, 50, 75, 100 mcg — permite ajuste fino que a lista antiga, com poucas apresentações, não oferecia, obrigando o paciente a partir comprimidos ou comprar. O medicamento para próstata evita retenção urinária e cirurgia. São itens que a população idosa de Araras, crescente, usa por décadas — e cujo fornecimento contínuo é o que evita descompensação e internação.
Antibióticos: uso racional
Os três antibióticos incluídos são de primeira linha para infecções comuns — amoxicilina com clavulanato, cefalexina, azitromicina são exemplos típicos de listas municipais — e a dispensação com receita retida segue a norma da Anvisa de 2010, que combate a automedicação e a resistência bacteriana. Ter o antibiótico na farmácia municipal reduz a compra sem receita em farmácias privadas e permite ao farmacêutico orientar dose e duração, prática que a Secretaria reforça com os profissionais das cinco unidades.
Rename: a referência nacional
A Relação Nacional de Medicamentos Essenciais, do Ministério da Saúde, é atualizada a cada dois anos e lista mais de 900 itens; os municípios selecionam da Rename o que compõe sua Remume. Araras, com 130, está na média de cidades do porte; capitais têm 200 a 300.
Comissão de Farmácia e Terapêutica
A Secretaria instituiu comissão com médicos e farmacêuticos para revisar a Remume periodicamente — incluir, excluir e ajustar dosagens conforme protocolos e demanda — e evitar nova defasagem. A meta é revisão anual.
O que muda para o paciente
Menos receitas sem atendimento, menos compra do bolso, tratamento iniciado na hora. Para o hipotireoidismo, a próstata, a gota, a asma e as infecções comuns, o remédio está na farmácia do bairro desde março.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a Remume é a política que mais gente usa e menos gente comenta. "Milhares de ararenses passam pela farmácia municipal todo mês. Dezessete remédios a mais é o que cada um deles sente na primeira receita. Maretto anunciou no pacote de R$ 14 milhões; Baiano da Farmácia executou em março; Elaine manteve. Nenhuma placa, nenhuma fita — só o remédio no balcão. É assim que saúde pública funciona quando funciona", analisa.
A inclusão de 17 medicamentos na Remume de Araras entrou em vigor em 1º de março de 2026, nas cinco farmácias municipais. A lista passou de 113 para 130 itens, na primeira atualização desde 2013.


