O Fundo Social de Solidariedade (Fuss) de Araras entregou na segunda-feira (31) 42 óculos de grau a pessoas inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) e cadastradas no fundo, em ação realizada no Centro de Convivência da Terceira Idade "Hilda Masson Maretto", a antiga AABB. No mesmo dia, outras 21 pessoas foram escolher as armações, com entrega prevista em cerca de 20 dias. A doação faz parte de um contrato da Prefeitura para a confecção de 260 óculos, no valor total de R$ 34.128,84, custeado por emenda impositiva da Câmara Municipal proposta pela vereadora Ana Júlia Casagrande (PSD). As informações são da Prefeitura de Araras.

"Para nós é muito gratificante ver que as pessoas que esperavam por isso, agora estão recebendo os óculos que precisam", disse a presidente do Fuss, Áurea Bolli Maretto, que acompanhou as entregas. O grupo atendido é o que concluiu todas as etapas — avaliação, escolha da armação e recebimento — e é formado por pessoas que estavam na fila de espera, mantiveram o contato atualizado e tinham receita médica válida.

Como o processo funciona

O caminho começa no Ganha Tempo, na Rua Domingos Graziano, 120, no Centro, onde o interessado protocola o pedido de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h. É preciso apresentar documentos pessoais, comprovante de endereço, a folha-resumo do Cadastro Único e a receita médica atualizada — a prescrição do oftalmologista com o grau. O pedido entra na fila do Fuss; quando chega a vez, a pessoa é chamada para escolher a armação e, semanas depois, para receber os óculos prontos, confeccionados por ótica contratada por licitação.

Em 10 de agosto, o Fuss havia reunido o primeiro grupo para a escolha das armações: 49 pessoas estavam agendadas, e 42 compareceram — as mesmas que receberam os óculos agora. A confecção ficou a cargo das Óticas Parisviu, parceira do fundo no pregão eletrônico 34/2026.

Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o número pequeno esconde um serviço grande. "Quarenta e dois óculos parece pouco. Mas para quem está no CadÚnico, óculos de grau é um gasto de R$ 300, R$ 500, que simplesmente não cabe. Sem óculos, a criança não lê a lousa, o adulto não consegue emprego, o idoso cai. O Fuss está resolvendo, com R$ 34 mil de emenda, um problema que trava a vida de 260 famílias. É assistência social no sentido mais concreto: a pessoa sai enxergando", avalia.

A fila e o cadastro: o alerta do Fuss

O principal obstáculo para atender mais gente, segundo o fundo, não é a falta de óculos — é a falta de contato e de receita válida. "É fundamental que quem espera pelos óculos mantenha o cadastro atualizado, para conseguirmos fazer contato, e que não esteja com a receita vencida. Se estiver, é preciso atualizar e mandar novamente para o Fuss, assim conseguimos dar andamento aos novos pedidos", explica Áurea Bolli Maretto.

A coordenadora do Fuss, Daniela Franco da Silva Camargo, já havia descrito em agosto a tarefa: "Esse primeiro grupo, que está prestes a receber os óculos, é de pessoas que estavam na fila, porém com o número de contato atualizado e a receita dos óculos ainda válida. Agora estamos em uma tarefa de conseguir contato com os demais e pedir para que atualizem as receitas médicas. Isso é essencial para darmos andamento nas próximas doações". Receitas oftalmológicas têm validade limitada — em geral um ano —, e o grau pode mudar; por isso a exigência.

260 óculos, R$ 34 mil, emenda da Câmara

A aquisição está inserida no pregão eletrônico 34/2026, na ata de registro de preço 43/2026 e no processo administrativo 40/2026. O contrato prevê a confecção de 260 unidades por R$ 34.128,84 — cerca de R$ 131 por par, incluindo armação e lentes. O recurso vem das emendas impositivas da Câmara Municipal, mecanismo pelo qual vereadores destinam parte do orçamento a projetos específicos que o Executivo é obrigado a executar; neste caso, a proposta foi da vereadora Ana Júlia Casagrande.

Com 63 pessoas atendidas nas duas primeiras rodadas — 42 entregues e 21 em confecção —, restam quase 200 unidades no contrato, o que significa que a fila pode ser reduzida de forma expressiva nos próximos meses, desde que os beneficiários sejam localizados e apresentem receita em dia.

Por que óculos são questão de saúde pública

Erros de refração — miopia, hipermetropia, astigmatismo, presbiopia — são a causa mais comum de deficiência visual evitável no mundo, e a correção é simples: um par de óculos. Para crianças, a visão não corrigida compromete a alfabetização e o desempenho escolar; para adultos, limita o trabalho e a segurança no trânsito; para idosos, aumenta quedas e isolamento. O SUS oferece consulta oftalmológica, mas os óculos, na maioria dos municípios, ficam por conta do paciente — e é essa lacuna que fundos sociais e emendas parlamentares tentam cobrir.

Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o modelo de Araras poderia ser permanente. "Emenda de vereador para óculos é bom, mas depende da vontade de cada legislatura. O ideal é que a Prefeitura tenha rubrica fixa para óculos de baixa renda, com fila pública e critério claro, como tem para medicamento. R$ 131 por par é barato; o custo de uma criança que não aprende a ler porque não enxerga é altíssimo. O Fuss mostrou que funciona. Agora é transformar em programa", observa.

Onde conseguir a receita: o caminho pelo SUS

A receita oftalmológica é o documento que mais falta a quem está na fila do Fuss — e obtê-la pelo SUS exige alguns passos. O morador procura a Unidade Básica de Saúde de seu bairro, passa por consulta com o médico generalista e, se houver indicação, é encaminhado ao oftalmologista pela regulação municipal, que agenda a consulta especializada conforme a disponibilidade. O tempo de espera varia; por isso, quem já tem receita vencida deve iniciar o processo o quanto antes, para que o documento esteja pronto quando o Fuss chamar. Campanhas de saúde ocular em escolas, realizadas periodicamente, também geram receitas para crianças.

Emendas impositivas: o dinheiro que o vereador direciona

O recurso dos óculos vem de uma emenda impositiva — mecanismo pelo qual cada vereador destina parte do orçamento municipal a ações que ele próprio escolhe, e que o Executivo é obrigado a executar. Em Araras, como em muitas cidades, as emendas costumam ir para saúde, assistência social, esporte e cultura de bairro. No caso dos óculos, a vereadora Ana Júlia Casagrande direcionou o valor a uma demanda concreta e mensurável: 260 pares para quem não pode comprar. É um uso da emenda que a população consegue ver — e cobrar.

O Fuss e sua agenda

O Fundo Social de Solidariedade é o braço da Prefeitura para ações de assistência direta, financiadas por doações, parcerias e recursos públicos. Em 2026, além dos óculos, o Fuss entregou enxovais do programa Enxoval Solidário, promoveu festa do Dia dos Pais, arrecadou alimentos e itens de higiene durante a Festa do Peão e realizou reuniões com novos conselheiros. É uma estrutura que atende a ponta mais vulnerável da população, com agilidade que a burocracia das secretarias nem sempre tem.

Quem pode pedir e como

Podem solicitar óculos pelo Fuss pessoas de baixa renda inscritas no CadÚnico e cadastradas no fundo. O pedido é feito no Ganha Tempo, com documentos pessoais, comprovante de endereço, folha-resumo do Cadastro Único e receita oftalmológica atualizada. Quem já está na fila deve conferir se o telefone cadastrado está correto e se a receita ainda está dentro da validade — e, se não estiver, renovar a consulta na UBS e reapresentar o documento ao Fuss.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o recado prático é o que importa. "Tem quase 200 óculos contratados e pagos esperando gente na fila que o Fuss não consegue achar, porque o telefone mudou ou a receita venceu. Quem precisa de óculos e está no CadÚnico em Araras deveria ir ao Ganha Tempo esta semana com a receita em dia. O dinheiro está lá, a ótica está contratada. O que falta é o beneficiário aparecer", analisa.

O Fuss de Araras funciona em parceria com o Ganha Tempo para o protocolo de pedidos. A próxima rodada de escolha de armações será agendada conforme a atualização dos cadastros da fila de espera.