A 27ª edição do Encontro de Autos Antigos de Araras acontece neste domingo, 17 de maio, das 8h às 17h, na Praça Barão de Araras. Aberto ao público, o evento do Clube de Autos Antigos reúne veículos com pelo menos 30 anos de fabricação e bom estado de conservação, com praça de alimentação, espaço kids, mercado de pulgas e bandas ao vivo. A inscrição dos expositores é feita no local, mediante a doação de 2 kg de alimentos não perecíveis, destinados a entidades assistenciais da cidade — e, neste ano, o clube arrecada também ração para o Canil Municipal. As informações são do portal Notícias de Araras.
"Além dos alimentos, vamos arrecadar rações para o Canil Municipal", comentou o presidente do Clube de Autos Antigos, Osmar Beteghelli Filho. A secretária de Turismo, Anete Monteiro dos Santos Casagrande, convidou a cidade: "É um evento tradicional, que reúne muitas famílias da cidade e de toda a região, em um dia gostoso de domingo, com atrações, reencontros e muita nostalgia diante dos veículos usados antigamente e preservados até hoje. Fica o convite para todos!"
Vinte e sete anos de encontro
Vinte e sete edições fazem do encontro de Araras um dos mais antigos do circuito de antigomobilismo do interior paulista — tradição que começou no fim dos anos 1990, quando o Clube de Autos Antigos reuniu os primeiros colecionadores na praça central. Ao longo das décadas, o evento cresceu em expositores e em público, atraindo clubes de Limeira, Rio Claro, Piracicaba, Campinas e Ribeirão Preto, e se consolidou como data fixa do calendário da cidade. Em 2026, integra oficialmente o Calendário Turístico municipal, por lei, o que garante apoio da Prefeitura e o fechamento das ruas do Largo da Basílica.
Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o encontro é patrimônio cultural sobre rodas. "Um Fusca de 1970, um Opala de 1978, uma Brasília, um Chevette, um Maverick — para quem tem 50 anos, é a infância na garagem do pai; para quem tem 15, é museu que anda. O antigomobilismo preserva história industrial brasileira que nenhum museu oficial guarda. E Araras faz isso há 27 anos na praça, de graça, com o colecionador pagando dois quilos de arroz para expor. É cultura popular com motor V8", avalia.
Regras para expor
Para participar da exposição, o colecionador precisa ter veículo com pelo menos 30 anos de fabricação — o critério internacional do antigomobilismo — e em bom estado de conservação, além de cumprir as demais especificações da organização. A inscrição é no local, no domingo, com a doação de 2 kg de alimento. O encontro tem apoio da Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA) e da Federação Internacional de Veículos Antigos (FIVA), as entidades que certificam originalidade e emitem a placa preta de colecionador no Brasil — o que dá ao evento status oficial no circuito.
Placa preta: o que é
Veículos com mais de 30 anos, originais ou restaurados fielmente, podem obter a "placa preta" de coleção, que os identifica como patrimônio e concede isenção de rodízio em algumas cidades e regras diferenciadas de licenciamento. A certificação passa pela FBVA e pelos clubes filiados, que vistoriam o carro — pintura, interior, mecânica, acessórios — e atestam a fidelidade ao original. Encontros como o de Araras são o lugar em que essas vistorias e a troca de informação entre colecionadores acontecem; para o expositor, a placa preta é o reconhecimento do trabalho de restauração, que pode levar anos.
Praça de alimentação, kids e mercado de pulgas
Além dos carros, o evento tem estrutura de festa: praça de alimentação com barracas, espaço kids para as famílias, mercado de pulgas — peças, miniaturas, manuais, placas, objetos de época — e bandas ao vivo ao longo do dia. É o formato que transforma a exposição em programa de domingo para a cidade inteira, não só para o colecionador. O mercado de pulgas, em particular, é ponto de encontro de restauradores em busca da peça que falta.
Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o evento é turismo de baixo custo e alto retorno. "Vem gente de toda a região, passa o dia na praça, almoça, compra, conhece o Centro. A Prefeitura entra com a interdição das ruas e o apoio institucional — quase nada. O Clube de Autos Antigos faz o resto, e ainda arrecada alimento e ração. É o modelo que a Secretaria de Turismo deveria replicar: evento tradicional, organização da sociedade civil, apoio público mínimo, inclusão no calendário. Araras tem festa do peão, aniversário no Largo, autos antigos na praça — está construindo um calendário", observa.
Alimentos e ração: o lado social
Os 2 kg de alimento por expositor, multiplicados por dezenas ou centenas de veículos, rendem centenas de quilos para entidades assistenciais de Araras — a mesma rede que o Fuss e as campanhas da FHO abastecem. A novidade de 2026, a ração para o Canil Municipal, atende a demanda do canil da Guarda Civil e dos animais recolhidos pelo Centro de Controle de Zoonoses, que dependem de doação para alimentação. É a troca que o clube estabeleceu: a cidade cede a praça, o colecionador retribui em comida.
O que se espera ver na praça
Os encontros do interior paulista costumam reunir o repertório clássico da indústria nacional: Fuscas e Kombis de todas as décadas, Brasílias e Variants da Volkswagen, Opalas e Caravans da Chevrolet, Mavericks e Corcéis da Ford, Dodges Dart e Charger da Chrysler, os pequenos Gurgel, além de importados dos anos 1950 e 1960 — Cadillacs, Chevrolets Bel Air, Mercedes — e caminhões e motos antigas. O critério de 30 anos, em 2026, já inclui carros de 1996: Gol bola, Uno, Monza, Kadett, Tempra — a geração que os visitantes de 40 anos dirigiram na juventude e que agora entra no antigomobilismo, ampliando o público do encontro.
Restauração: a economia do hobby
Por trás de cada carro na praça há meses ou anos de restauração — e uma cadeia econômica local: funileiros que recuperam lataria, pintores que reproduzem cores originais, tapeceiros, mecânicos especializados em carburador e motor antigo, fornecedores de peças de reposição e reprodução. Em cidades como Araras, com tradição mecânica ligada à agroindústria, essa cadeia existe e vive em parte do antigomobilismo. O mercado de pulgas do encontro é o ponto de troca desse ecossistema: a peça que faltava, o manual original, a miniatura que completa a coleção.
Trânsito: Largo fechado
Para a realização do evento, as ruas do Largo da Basílica ficam interditadas ao trânsito de veículos durante o domingo — a mesma área que recebe a festa de aniversário da cidade em agosto. O Demutran organiza os desvios e a chegada dos veículos expositores nas primeiras horas da manhã. A orientação ao público é chegar a pé ou estacionar nas ruas do entorno do Centro.
Antigomobilismo no Brasil
O Brasil tem uma das maiores comunidades de colecionadores de veículos antigos do mundo, herança de uma indústria automobilística que produziu modelos próprios — Brasília, Puma, SP2, Opala, Maverick nacional, Chevette, Corcel — que não existiram em outros mercados e que hoje são cobiçados. Encontros regionais como o de Araras alimentam essa cultura, e a FBVA reúne centenas de clubes filiados. É hobby que envolve mecânica, história, restauração artesanal e economia: uma restauração completa movimenta funilaria, tapeçaria, peças e mão de obra especializada, boa parte no próprio interior paulista.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o encontro merece mais registro. "Vinte e sete edições e a cidade não tem um acervo fotográfico oficial, um documentário, uma placa na praça. O Clube de Autos Antigos de Araras é instituição cultural — deveria ter o mesmo reconhecimento que a Orquestra de Violeiros ou o Museu Histórico. A Casa da Memória poderia abrigar a história do encontro. E o evento poderia ganhar uma edição temática por ano — carros nacionais dos anos 70, motos, caminhões antigos. É tradição que a cidade tem e deveria cuidar", analisa.
O 27º Encontro de Autos Antigos de Araras acontece no domingo, 17 de maio, das 8h às 17h, na Praça Barão de Araras, com entrada gratuita para o público. Expositores se inscrevem no local com a doação de 2 kg de alimentos não perecíveis.



