A Prefeitura de Araras, por meio da Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Civil, realizou na segunda-feira (6 de julho) um bloqueio de trânsito educativo na Praça Barão de Araras, para conscientizar motoristas e pedestres sobre segurança. Agentes da Guarda Civil Municipal e de trânsito orientaram quem passava e distribuíram material gráfico. "Fizemos nesse ano uma grande campanha educativa no mês de maio, durante o Maio Amarelo, mas essa conscientização continua o ano todo, com o intuito de diminuir os números de acidentes na cidade, evitando prejuízos e salvando vidas", explicou o diretor do Demutran, inspetor Cristiano Rogério Barbosa. As informações são da Prefeitura de Araras.

Somente em 2025, Araras registrou 43.702 autuações de trânsito, 277 acidentes e 20 mortes. Entre as principais infrações estão trafegar acima da velocidade permitida, não usar cinto de segurança, dirigir usando o celular e transportar crianças sem seguir as normas.

20 mortes: a dimensão

Vinte mortes no trânsito em um ano, numa cidade de 135 mil habitantes, correspondem a taxa de cerca de 15 por 100 mil — acima da média do estado de São Paulo, que está em torno de 11, e no patamar das cidades do interior com rodovias de grande fluxo, como a SP-330 e a SP-191, que cortam o município. Parte dos óbitos ocorre nessas vias, sob jurisdição estadual; parte, nas ruas urbanas, onde motocicletas respondem pela maioria das vítimas. É o número que dá sentido às blitzes educativas — e que as blitzes, sozinhas, não reduzem.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, os números de 2025 são a notícia. "Quarenta e três mil autuações, 277 acidentes, 20 mortos. Araras multa muito e ainda assim enterra 20 pessoas por ano no trânsito. Isso diz que a multa não está mudando comportamento — velocidade, celular, sem cinto, criança solta. O Demutran faz blitz educativa na Praça Barão e diz que a conscientização é o ano todo. Está certo, e é insuficiente: 20 mortes exigem engenharia — lombada, radar, rotatória, iluminação — nos pontos onde as pessoas morrem. A Prefeitura tem o mapa dos acidentes. Deveria publicar onde foram as 20 mortes e o que vai fazer em cada ponto", avalia.

43.702 autuações: o que multa Araras

Mais de 43 mil autuações em um ano — cerca de 120 por dia — vêm majoritariamente de radares fixos e lombadas eletrônicas por excesso de velocidade, seguidos de estacionamento irregular, avanço de sinal e infrações flagradas por agentes. O volume indica fiscalização eletrônica ativa e, ao mesmo tempo, comportamento que não se ajusta: o mesmo motorista multado três vezes no mesmo radar é padrão. A receita das multas, por lei, deve ser aplicada em sinalização, engenharia, fiscalização e educação de trânsito.

As quatro infrações que matam

Velocidade acima do permitido é o fator de maior letalidade — a cada 10 km/h a mais, o risco de morte do pedestre atropelado dobra. A falta de cinto transforma colisão leve em morte. O celular ao volante multiplica por quatro o risco de acidente e é a infração que mais cresce. E crianças sem cadeirinha ou assento de elevação — obrigatórios até 10 anos ou 1,45 m — são as vítimas mais graves de colisões que adultos com cinto sobrevivem. O Demutran cita exatamente essas quatro; são as que a educação e a fiscalização precisam atacar juntas.

Bloqueio educativo: o formato

Diferente da blitz de fiscalização, o bloqueio educativo para o veículo por um minuto, entrega folheto, conversa sobre cinto, cadeirinha e celular, e libera — sem multa. Feito na Praça Barão, por onde passa boa parte do tráfego central, alcança centenas de motoristas por manhã. É a mesma estratégia do Agosto Lilás, com outro tema: usar o trânsito como ponto de contato com a população.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a fala do diretor tem um mérito e uma lacuna. "O mérito é dizer que a conscientização não acaba no Maio Amarelo — a maioria das cidades faz campanha em maio e esquece. A lacuna é o que o Demutran não disse: onde foram os 277 acidentes e as 20 mortes. Dona Renata? SP-330? Cruzamento da Delegacia, que está em obra? Motocicleta ou carro? Sem o mapa, a blitz é genérica. Com o mapa, vira intervenção: radar aqui, rotatória ali, faixa elevada acolá. O Demutran tem os dados — as 43 mil autuações provam. Falta transformar em plano de redução de mortes com meta", observa.

Motos: as principais vítimas

No interior paulista, motociclistas respondem por mais da metade das mortes no trânsito urbano — e Araras, com frota de motos crescente e entregadores de aplicativo, segue o padrão. Capacete afivelado, velocidade e visibilidade são os fatores; a Prefeitura entregou seis motos à GCM em 2026 para patrulhamento e fiscalização, e o Demutran realiza blitzes específicas de motocicleta ao longo do ano.

Obras viárias e segurança

As intervenções de 2026 — Ponte da Delegacia, Estrada do Canil, bocas de lobo — têm componente de segurança viária: geometria corrigida, vias mais largas, drenagem que evita aquaplanagem. A reconstrução do cruzamento da Delegacia, em particular, atinge um dos pontos de maior concentração de acidentes. Engenharia é a terceira perna do tripé com educação e fiscalização.

Maio Amarelo: a campanha de origem

O Maio Amarelo, movimento internacional de segurança viária adotado no Brasil desde 2014, concentra em maio ações educativas de prefeituras, Detrans e entidades — blitzes, palestras em escolas, iluminação amarela em prédios. Em Araras, o Demutran realizou em 2026 a campanha com blitzes na Praça Barão e atividades em escolas; o bloqueio de julho é a continuidade que o diretor prometeu. A crítica recorrente ao Maio Amarelo é ser sazonal; a resposta de Araras é repetir o formato ao longo do ano.

Receita das multas: para onde vai

O Código de Trânsito determina que a arrecadação com multas seja aplicada exclusivamente em sinalização, engenharia de tráfego, policiamento, fiscalização e educação de trânsito — não pode ir para o caixa geral. Com 43.702 autuações em 2025, a receita do Demutran de Araras chega a milhões de reais; a aplicação em radares, lombadas, faixas elevadas e campanhas é obrigatória e auditável. O Portal da Transparência da Prefeitura, renovado em 2026, permite acompanhar a destinação.

Cadeirinha: a regra e a fiscalização

Crianças até 10 anos ou com menos de 1,45 m devem viajar no banco traseiro em dispositivo adequado à idade — bebê-conforto, cadeirinha ou assento de elevação —, sob pena de multa gravíssima e retenção do veículo. É uma das infrações mais citadas pelo Demutran e uma das que mais matam em colisões: a criança solta é projetada. O bloqueio educativo foca exatamente nos pais que levam filhos à escola pelo centro — o público que mais precisa ouvir.

Demutran e GCM: quem fiscaliza

O Departamento Municipal de Trânsito, dirigido pelo inspetor Cristiano Rogério Barbosa, é responsável por sinalização, engenharia, fiscalização e educação de trânsito nas vias urbanas de Araras; a GCM apoia com agentes nas blitzes e no patrulhamento. Nas rodovias estaduais que cruzam o município, a competência é da Polícia Rodoviária e do DER. A integração entre os órgãos foi pauta da reunião de segurança com a prefeita em setembro.

Como reduzir: o que funciona

Cidades que reduziram mortes no trânsito combinaram limite de velocidade menor em vias urbanas — 40 km/h em áreas residenciais —, radares nos pontos críticos, faixas elevadas para pedestres, iluminação, fiscalização de álcool e campanhas permanentes. Araras tem parte disso; a meta de zero mortes, adotada por capitais, exige plano com prazo e orçamento. O Demutran não divulgou meta para 2026.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o número de mortes deveria pautar a cidade. "Vinte pessoas morreram no trânsito de Araras em 2025 — mais que em homicídios. Se fossem 20 mortos em enchente, seria estado de calamidade. No trânsito, é estatística de rodapé numa notícia de blitz educativa. O Demutran fez a parte fácil: parar carro na praça e entregar folheto. A parte difícil é dizer à cidade onde as pessoas morrem e o que vai mudar lá. Quarenta e três mil multas por ano dão dinheiro para isso. A pergunta é se o dinheiro vira lombada ou vira caixa", analisa.

O bloqueio de trânsito educativo na Praça Barão de Araras foi realizado em 6 de julho de 2026 pela Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Civil, com o Demutran e a GCM. Em 2025, o município registrou 43.702 autuações, 277 acidentes e 20 mortes no trânsito.