A Avenida Ignácio Zurita Neto, na Vila Michielin — atrás do supermercado Savegnago —, ficou interditada até sexta-feira (28) para manutenção de uma boca de lobo. O serviço, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas, começou na quarta-feira (26) e integra um pacote de obras de melhoria da drenagem e das tubulações de águas pluviais. Há cerca de um mês, as equipes da pasta também substituíram uma tubulação rompida no Centro Esportivo Ruy Branco de Miranda, no Parque das Árvores: três tubos de 1.000 mm — um metro de diâmetro — das redes de drenagem, esgoto e galerias subterrâneas, além da construção de uma caixa cega. As informações são da Prefeitura de Araras.

Outra boca de lobo recuperada recentemente fica na Rua Edmir Magdalon, no Jardins de Samantha III. "Ambas as bocas de lobo geravam risco para a população e trabalhamos, o mais rápido que conseguimos, para realizar as intervenções, garantindo mais segurança para quem acessa essas vias", destacou o secretário Celso Canassa. A próxima será na Rua Tereza Cristina, no Jardim Abolição, próximo ao córrego Andrezinho.

Boca de lobo: o que é e por que falha

A boca de lobo é a abertura na sarjeta que capta a água da chuva e a conduz à galeria pluvial. Com o tempo, a estrutura de concreto se degrada, a grade cede, o tubo de ligação rompe ou entope — e o resultado é buraco na via, afundamento do asfalto ao redor e, na chuva, alagamento porque a água não entra. Uma boca de lobo danificada é risco para pedestre, ciclista e carro; em avenida de comércio como a Ignácio Zurita Neto, o risco é diário. A manutenção exige abrir a via, refazer a caixa e a ligação, e fechar — daí a interdição de três dias.

Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a notícia é sobre o que se vê e o que não se vê. "Boca de lobo quebrada é o defeito urbano mais comum e mais ignorado — até alguém cair ou o carro afundar. A Secretaria de Obras está fazendo com equipe própria, uma por vez, e reconhece que não dá conta: já abriu licitação para empresa especializada cuidar do resto. É gestão honesta. A troca de três tubos de um metro no Centro Esportivo, por outro lado, é obra grande que ninguém viu — galeria de esgoto e drenagem debaixo de um campo. Araras vai chegar ao verão com a drenagem melhor por causa de trabalho que não rende foto", avalia.

Vila Michielin: a via e o comércio

A Avenida Ignácio Zurita Neto atravessa a Vila Michielin, bairro residencial e comercial da região central, e serve de acesso ao supermercado e a serviços do entorno. A interdição afeta o fluxo de clientes e moradores por três dias — a Prefeitura orientou desvios pelas ruas paralelas. Para o comércio, é transtorno breve em troca de uma via segura; para a Secretaria, a escolha do meio de semana reduz o impacto em relação ao fim de semana de compras.

Centro Esportivo Ruy Branco de Miranda: a obra de um mês atrás

A substituição de três tubos de 1.000 mm no Centro Esportivo do Parque das Árvores foi a intervenção mais pesada do pacote: uma tubulação rompida sob o equipamento esportivo comprometia drenagem, esgoto e galeria ao mesmo tempo, com risco de afundamento do terreno. A obra exigiu escavação profunda, retirada e reposição dos tubos e construção de uma caixa cega — câmara de inspeção sem tampa aparente, que permite manutenção futura. Resolveu um problema estrutural antes que virasse cratera.

Jardins de Samantha III e Jardim Abolição

A boca de lobo da Rua Edmir Magdalon, no Jardins de Samantha III — bairro da região sul —, já foi recuperada; a próxima, na Rua Tereza Cristina, no Jardim Abolição, fica perto do córrego Andrezinho, área que recebe grande volume de água nas chuvas fortes e onde a drenagem é crítica. A sequência de intervenções segue um cronograma da Secretaria baseado em risco e em reclamações da população.

Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o pacote de drenagem chega na hora certa. "Estamos em setembro, com El Niño excepcional previsto e chuva forte no Sudeste a partir de outubro. Boca de lobo quebrada em setembro é alagamento em novembro. A Secretaria de Obras está correndo — Michielin, Samantha, Abolição, Parque das Árvores — e admite que precisa de empresa para cobrir a cidade. A licitação deveria ser prioridade: se a empresa começar em outubro, ainda pega o início das chuvas. Se começar em dezembro, a água chega antes", observa.

A licitação: empresa especializada

"As intervenções vêm sendo realizadas pela própria equipe da Secretaria de Obras, mas já está em andamento um processo licitatório para a contratação de uma empresa especializada no serviço, que fará a manutenção nas outras bocas de lobo da cidade, abrangendo diferentes bairros", informou Canassa. A terceirização de manutenção de drenagem é prática comum em municípios médios: a equipe própria atende emergências; a contratada faz o volume — dezenas ou centenas de bocas de lobo por ano, com equipamento e mão de obra dedicados.

Drenagem e chuva: o que está em jogo

Araras tem córregos urbanos — Andrezinho, Araras, Furnas — que recebem a água das galerias pluviais, e pontos históricos de alagamento em vias baixas próximas a eles. A eficiência das bocas de lobo é o primeiro elo: se não captam, a água corre pela rua e se acumula. A manutenção preventiva antes das chuvas de verão é a medida mais barata contra alagamento — muito mais que obras de canalização.

Tubos de um metro: o porte da obra

Tubulações de 1.000 mm de diâmetro são as maiores da rede pluvial urbana — troncos coletores que recebem a água de dezenas de bocas de lobo e a levam ao córrego. Substituir três deles sob um centro esportivo exige retroescavadeira, escoramento da vala, guindaste para os tubos de concreto e reconstrução do piso; é obra que, terceirizada, custaria centenas de milhares de reais. Feita com equipe própria, consumiu semanas de trabalho da Secretaria — e é o motivo pelo qual as bocas de lobo menores esperaram na fila.

Caixa cega: manutenção invisível

A caixa cega construída no Centro Esportivo é uma câmara de concreto enterrada, sem tampa visível na superfície, que permite inspeção e limpeza da tubulação em ponto de mudança de direção ou de junção. Diferentemente do poço de visita, que tem tampa na rua, a caixa cega fica sob o piso e é localizada por planta cadastral. Sua construção indica que a Secretaria documentou a intervenção — o que facilita a manutenção futura e evita nova escavação às cegas.

Como o morador pode ajudar

Bocas de lobo entopem com lixo, folhas e entulho jogados na rua; manter a calçada limpa e não descartar resíduos na sarjeta preserva a captação. Bocas de lobo quebradas, afundadas ou sem grade podem ser comunicadas à Secretaria de Obras pelos canais da Prefeitura — é o que alimenta o cronograma de intervenções.

Secretaria de Obras: o pacote

Sob Celso Canassa, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas concentra, em 2026, ações de drenagem, recapeamento e manutenção viária — muitas com equipe própria, por falta de contrato de manutenção continuada. A licitação em curso é a tentativa de estruturar o serviço; até lá, as intervenções pontuais seguem por prioridade de risco.

Interdição: até sexta

A Avenida Ignácio Zurita Neto foi liberada ao tráfego ao fim dos serviços, na sexta-feira (28). Durante a interdição, o acesso ao supermercado e aos comércios se deu pelas vias laterais. Não houve registro de ocorrências.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a notícia deveria ser mais frequente. "A Prefeitura avisou que ia fechar a avenida, disse por quê, contou o que já fez em outros bairros, disse qual é a próxima e admitiu que está licitando empresa porque não dá conta sozinha. Isso é comunicação de obra pública. Boca de lobo não é glamour, mas é o que decide se a rua alaga. Araras entra na temporada de chuva com a Secretaria de Obras correndo atrás — e contando. Se a empresa vier logo, o verão de 2026-27 vai ser mais seco nas ruas", analisa.

A Avenida Ignácio Zurita Neto, na Vila Michielin, em Araras, ficou interditada de 26 a 28 de agosto de 2026 para manutenção de boca de lobo pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas. A próxima intervenção será na Rua Tereza Cristina, no Jardim Abolição.