O Governo do Estado de São Paulo entregou em 2 de junho a duplicação do trecho central da Rodovia Wilson Finardi, a SP-191, entre Araras e Rio Claro: 17,5 quilômetros de novas pistas entre os quilômetros 52,7 e 70,2, com investimento de R$ 169 milhões, além de duas pontes de concreto — no km 62 e no km 68 — e 7 quilômetros de novas faixas de rolamento. As obras de pavimentação continuam, com o recapeamento das pistas já existentes e investimento adicional de mais de R$ 48 milhões. A cerimônia teve a presença do governador Tarcísio de Freitas, do então prefeito de Araras, Irineu Maretto, e dos prefeitos de Rio Claro, Gustavo Perissinoto, e de Corumbataí, João Batista Altarugio Filho. As informações são do portal Notícias de Araras.
"É uma obra importante e esperada pelas cidades envolvidas, tanto para evitar os acidentes que tínhamos enquanto a via possuía pista única, quanto para melhor fluidez do trânsito e do transporte de cargas que passam por essa região", disse Maretto na ocasião. O prefeito morreu no fim de junho — o município decretou luto oficial — e foi sucedido pela vice, Elaine Brambilla.
Por que a SP-191 importa
A Wilson Finardi é a ligação entre dois dos principais eixos rodoviários do estado: a Anhanguera (SP-330), que passa por Araras, e a Washington Luís (SP-310), que passa por Rio Claro. É o caminho de quem sai de Araras para Rio Claro, São Carlos e a região central paulista, e a rota de caminhões que cruzam entre os dois corredores sem passar por Campinas. Em pista simples, o trecho central acumulava colisões frontais e ultrapassagens perigosas — o tipo de acidente que a duplicação, com pistas separadas por canteiro, elimina.
"A duplicação da SP-191 é um pleito antigo e de importância logística fundamental porque conecta dois importantes eixos rodoviários do estado. Isso é essencial para quem trafega por aqui e para a conexão entre as cidades da região. Não fazia sentido manter essa ligação em pista simples", afirmou o governador Tarcísio de Freitas, que classificou a obra como parte de um programa de infraestrutura em todo o estado.
Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a duplicação muda a geografia econômica de Araras. "A cidade sempre foi 'da Anhanguera'. Com a Wilson Finardi duplicada, passa a ser também 'da Washington Luís' — Rio Claro fica a vinte minutos seguros, São Carlos a menos de uma hora. Isso é mercado de trabalho, de consumo e de logística que se abre. Cento e sessenta e nove milhões em 17 quilômetros parece caro até se contar quantos acidentes frontais essa pista simples produziu. A obra era devida há décadas", avalia.
O que foi feito — e o que falta
A entrega de junho cobre o trecho central, do km 52,7 ao km 70,2, com pistas novas, duas pontes e 7 quilômetros de faixas adicionais — provavelmente terceiras faixas em aclives, onde caminhões lentos travam o fluxo. O que segue em obras é o recapeamento das pistas antigas, que passam a formar um dos sentidos da rodovia duplicada e precisam de pavimento novo para igualar o padrão. Os R$ 48 milhões adicionais são desse serviço, e os motoristas foram alertados a manter atenção no trecho enquanto as máquinas trabalham.
Quem fez: Arteris/Intervias
A rodovia é administrada pela concessionária Arteris/Intervias — a mesma que opera a Anhanguera no trecho de Araras —, cujos representantes participaram da cerimônia. A duplicação integra o contrato de concessão, em que a concessionária executa investimentos definidos pelo Estado e os recupera via pedágio ao longo do prazo. Para o usuário, a contrapartida é a tarifa; para o Estado, é obra feita sem desembolso direto do orçamento.
Araras, Rio Claro, Corumbataí, Leme: a região na cerimônia
A presença de prefeitos de quatro cidades e de autoridades regionais reflete o alcance da obra. Corumbataí, pequeno município entre Araras e Rio Claro, é cortado pela rodovia e é onde ficam as pontes novas; Leme, vizinha de Araras, usa a SP-191 como acesso à Washington Luís. Os deputados estaduais André do Prado, Danilo Balas e Alex Madureira, secretários municipais e vereadores de Araras também estiveram presentes — uma demonstração de que a duplicação foi conquista política regional, com anos de reivindicação.
Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a obra é o tipo de investimento que não aparece nas estatísticas municipais. "Rodovia estadual, concessionária privada, dinheiro de pedágio: nada disso passa pelo orçamento de Araras. Mas o efeito é todo local — menos acidente, menos tempo de viagem, mais caminhão passando pela cidade. É por isso que prefeito de cidade média passa tanto tempo em Palácio dos Bandeirantes pedindo obra estadual. Maretto pediu, e a entrega veio três semanas antes de ele morrer. Fica como uma das marcas da gestão dele", observa.
Segurança: o ganho principal
Rodovias de pista simples concentram os acidentes mais graves do sistema viário — colisões frontais em ultrapassagens — e a duplicação é a intervenção de maior impacto na redução de mortes. Com canteiro central separando os sentidos, a colisão frontal deixa de existir; com terceiras faixas, a ultrapassagem de caminhões deixa de ser aposta. Em trechos duplicados no estado de São Paulo, a redução de mortes costuma ser expressiva nos anos seguintes à obra — e é esse o indicador que Araras e Rio Claro devem acompanhar.
A ligação com a Anhanguera
A SP-191 encontra a Anhanguera em Araras, no trecho urbano em que a rodovia federal recebe acessos da cidade e do distrito industrial — o mesmo km 180 onde, nesta semana, a colisão entre duas carretas fechou a pista norte por quase quatro horas. Com a Wilson Finardi duplicada, parte do tráfego de carga entre os eixos Anhanguera e Washington Luís tende a crescer, o que reforça a necessidade de melhorias nos acessos e no entroncamento em Araras.
Terceira faixa e pontes: o que muda na prática
Os 7 quilômetros de faixas adicionais são, para o motorista comum, o ganho mais perceptível depois da separação de sentidos. Em rodovia de serra ou de relevo ondulado como o da SP-191, o caminhão carregado sobe a 30 ou 40 km/h e forma fila; a terceira faixa permite que veículos leves passem sem invadir a contramão, que deixa de existir na pista duplicada. As duas pontes novas, no km 62 e no km 68, substituem estruturas antigas de pista simples — gargalos onde a rodovia estreitava e onde, historicamente, se concentravam acidentes com vítimas. Com pontes duplas, o fluxo mantém duas faixas por sentido em toda a extensão do trecho.
Há também o efeito sobre o transporte de carga: caminhões que hoje evitam a Wilson Finardi por causa da pista simples — preferindo dar a volta pela Anhanguera até Limeira e subir pela Washington Luís — passam a ter rota direta entre Araras e Rio Claro, economizando dezenas de quilômetros e combustível. É esse tráfego adicional que os prefeitos da região esperam e que exige atenção nos acessos urbanos.
Corredor Anhanguera–Washington Luís
A lógica regional da obra é conectar os dois grandes corredores paulistas que correm em paralelo do interior até a capital. A Anhanguera atende Campinas, Limeira, Araras, Leme, Pirassununga e Ribeirão Preto; a Washington Luís atende Rio Claro, São Carlos, Araraquara e São José do Rio Preto. Entre eles, um punhado de rodovias transversais — a SP-191 é uma das mais curtas — faz a ligação leste-oeste. Duplicar a Wilson Finardi cria, na prática, um "anel" regional que permite ao transporte de cargas trocar de corredor sem passar pela região metropolitana de Campinas, onde o congestionamento é crônico. Para Araras, é ganho de centralidade: a cidade passa a ser nó entre dois eixos, e não ponta de um só.
Recapeamento: atenção redobrada
Enquanto o recapeamento das pistas antigas não termina, o trecho opera com desvios, faixas estreitadas e velocidade reduzida em pontos de obra. A orientação é respeitar a sinalização e manter distância dos equipamentos. A conclusão completa, com as duas pistas em padrão novo, deve ser anunciada pela concessionária e pelo Estado.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a duplicação é começo, não fim. "Dezessete quilômetros duplicados resolvem o trecho central. Os acessos, o entroncamento com a Anhanguera em Araras, a entrada de Rio Claro — tudo isso vai receber mais tráfego e vai precisar de obra. É a lógica da infraestrutura: cada gargalo resolvido revela o próximo. A cidade tem agora uma rodovia moderna até Rio Claro; o próximo pedido ao Estado deveria ser o que acontece quando ela chega em Araras", analisa.
O recapeamento das pistas existentes da Rodovia Wilson Finardi segue em execução pela Arteris/Intervias, sem data divulgada para conclusão. Informações sobre as condições da via estão disponíveis nos canais da concessionária.



