A Prefeitura de Araras lançou, por meio das secretarias de Comunicação Social e Institucional e de Segurança Pública e Defesa Civil, uma campanha de conscientização no trânsito para o Maio Amarelo. Com o slogan "Salvar vidas no trânsito, começa com você", a ação alerta para os perigos de usar o celular ao dirigir, do excesso de velocidade e da falta do cinto de segurança, entre outras infrações, com o objetivo de fazer cada cidadão assumir a responsabilidade pelas consequências de seus atos. Segundo o Detran-SP, Araras registrou em 2025 277 acidentes de trânsito com vítimas, que resultaram em 20 mortes. As informações são do portal Notícias de Araras.

"No trânsito é preciso prudência, respeitar as leis e ter consciência de que ao infringi-las o condutor assume o risco de perder a vida ou tirar a vida de alguém. As consequências podem ser fatais ou deixar pessoas debilitadas para o resto da vida. Hoje nosso maior desafio é o uso de celular enquanto dirigem, um ato que parece simples, mas tira totalmente a atenção e, no trânsito, um descuido, um segundo, podem custar uma vida. As pessoas precisam se conscientizar disso e por isso organizamos essa campanha", explicou o secretário de Segurança Pública e Defesa Civil, João Tranquilo Beraldo.

Vinte mortes: o tamanho do problema

Vinte mortes no trânsito em um ano, numa cidade de cerca de 130 mil habitantes, correspondem a uma taxa próxima de 15 mortes por 100 mil habitantes — acima da média do estado de São Paulo e comparável à de cidades do interior cortadas por rodovias. Os 277 acidentes com vítimas significam mais de cinco por semana, com feridos que ocupam o pronto-socorro da Santa Casa, o Samu e, nos casos graves, os leitos de UTI. É o custo que a campanha tenta reduzir: cada acidente evitado é uma vaga de UTI, uma família intacta e um trabalhador que não se afasta.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o número precisa ser lido com o mapa. "Vinte mortes: quantas na Anhanguera, quantas na Wilson Finardi, quantas nas ruas da cidade? Quantas de moto? Quantas com álcool? A campanha fala em celular, velocidade e cinto — que são as causas gerais. Mas Araras tem uma rodovia federal cortando o perímetro urbano e uma estadual que era pista simples até junho. Se metade das mortes é na rodovia, a resposta não é só adesivo no carro; é radar, passarela e duplicação. O Detran tem os dados por local. A Prefeitura deveria publicá-los junto com a campanha", avalia.

Celular ao volante: o "maior desafio"

A escolha do celular como foco principal segue a tendência nacional e internacional: a distração ao volante superou o álcool como principal causa de acidentes em vários levantamentos, e o uso do celular — ler mensagem, olhar mapa, responder áudio — é a forma mais comum. Ao dirigir a 60 km/h, três segundos olhando a tela equivalem a 50 metros percorridos às cegas. O Código de Trânsito classifica o uso de celular ao volante como infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na carteira — punição que, sozinha, não tem contido a prática, como o secretário reconhece ao chamá-la de "maior desafio".

A campanha: onde e como

Durante todo o mês, as peças publicitárias circulam nas redes sociais da Prefeitura, em portais de notícias da cidade, na TV, nas rádios, nos jornais, em outdoors e em mídia indoor — as TVs e painéis instalados em comércios e condomínios. A Secretaria de Segurança fará palestras em empresas e escolas e uma ação nas ruas, com distribuição de folhetos, adesivos e saquinhos de lixo para carro com as mensagens da campanha. A abordagem combina comunicação de massa com contato direto — o saquinho de lixo no carro é o lembrete que fica no veículo depois que o outdoor sai.

Maio Amarelo: a origem

O Maio Amarelo foi criado em 2014 pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, inspirado na Década de Ação para a Segurança no Trânsito da ONU, e se tornou o movimento anual de mobilização de prefeituras, Detrans, empresas e escolas pela redução de mortes e feridos no trânsito. A cor amarela remete ao sinal de atenção do semáforo. Em Araras, a campanha é conduzida pela Secretaria de Segurança Pública, à qual está vinculado o Demutran, o departamento municipal de trânsito, responsável pela sinalização, pelos agentes e pela fiscalização nas vias urbanas.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, campanha educativa funciona quando vem com fiscalização. "Todo mundo sabe que celular ao volante mata; o que muda comportamento é a certeza de ser pego. Maio Amarelo com outdoor e palestra é a metade boa; a outra metade é o agente do Demutran na esquina autuando quem está no celular, e o radar na avenida onde as motos correm. Araras tem 20 mortes por ano — não é problema de desconhecimento, é de impunidade percebida. A campanha deveria ter uma meta: em 2026, menos de 15 mortes. E a Prefeitura deveria contar em dezembro", observa.

Motos: o grupo mais vulnerável

Em cidades do interior paulista, motociclistas respondem por metade ou mais das mortes no trânsito — entregadores, trabalhadores que usam a moto como transporte diário, jovens em veículos de baixa cilindrada. A combinação de velocidade, falta de capacete afivelado e trânsito misto com carros e caminhões é letal. Campanhas de Maio Amarelo eficazes dedicam parte da comunicação especificamente a esse público, com linguagem própria e ações nos pontos de concentração — postos, lanchonetes, empresas de entrega. Em Araras, o crescimento do delivery ampliou a frota de motos e, com ela, o risco.

Rodovias: a Anhanguera e a SP-191

Parte relevante dos acidentes com vítimas em Araras acontece nas rodovias que cortam o município — a Anhanguera, no trecho urbano com acessos e retornos, e a Wilson Finardi, que até junho de 2026 era pista simples no trecho para Rio Claro, com histórico de colisões frontais. A duplicação da SP-191, entregue em junho, é a intervenção estrutural mais importante para reduzir mortes; nos acessos à Anhanguera, a Prefeitura e a concessionária discutem melhorias. A campanha de maio fala ao motorista; a engenharia fala à via — e as duas são necessárias.

Os três "E" da segurança viária

A doutrina internacional de redução de mortes no trânsito se apoia em três eixos — engenharia, fiscalização e educação, os "três E" —, e o Maio Amarelo cobre explicitamente apenas o terceiro. Engenharia é sinalização, lombadas, rotatórias, iluminação, ciclovias, travessias elevadas — intervenções que o Demutran e a Secretaria de Obras executam ao longo do ano, como a rotatória da marginal entregue em 2026. Fiscalização é radar, blitz, agente na rua e autuação — o que o Demutran e a Polícia Militar fazem com os recursos que têm. A campanha é o momento de comunicação; sua eficácia depende de os outros dois eixos estarem funcionando quando o outdoor sai.

Álcool ao volante: o que a campanha não cita

A campanha de Araras lista celular, velocidade e cinto — e não menciona o álcool, causa presente em parcela relevante das mortes no trânsito brasileiro, sobretudo nas madrugadas de fim de semana e em rodovias. A Lei Seca, de 2008, e a tolerância zero de 2012 reduziram a mortalidade, mas a fiscalização por bafômetro depende de blitzes que, em cidades do interior, são esporádicas. Para uma cidade com 20 mortes em 2025 e festas de grande público — Festa do Peão, aniversário no Largo, Cavalgada —, a inclusão do álcool nas próximas campanhas e nas blitzes do Demutran é a lacuna mais evidente do Maio Amarelo local.

Cinto e cadeirinha: o básico que falta

A menção ao cinto de segurança na campanha reflete um dado persistente: mesmo com a obrigatoriedade desde 1997, parte dos ocupantes — especialmente no banco traseiro e em trajetos curtos na cidade — não usa o cinto, e o uso da cadeirinha infantil é irregular. Em colisões urbanas a 50 km/h, o cinto reduz pela metade o risco de morte; a criança sem cadeirinha é projetada contra o painel. São as infrações mais fáceis de fiscalizar e as que mais salvam — e por isso figuram em toda campanha de Maio Amarelo.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o slogan aponta o caminho certo — e insuficiente. "'Salvar vidas começa com você' é verdade: o motorista que larga o celular salva a própria vida. Mas termina com a Prefeitura: sinalização, radar, agente, passarela, iluminação. Vinte mortes por ano em Araras não vão cair só com responsabilidade individual; precisam de política pública de trânsito com meta e orçamento. O Maio Amarelo é o mês de falar; junho a abril é o tempo de fazer. A cidade deveria olhar o número de 2026 e comparar com os 20 de 2025 — é o único indicador que importa", analisa.

A campanha de Maio Amarelo da Prefeitura de Araras segue durante todo o mês, com palestras em empresas e escolas e ações de rua a serem divulgadas nos canais oficiais do município. Os dados de acidentes de trânsito são do Detran-SP.