As obras da rotatória em construção no cruzamento das avenidas Dona Renata — a marginal — e Fábio da Silva Prado, em frente à Delegacia de Polícia de Araras, entraram em nova fase. No início desta semana foi retirado todo o escoramento da segunda ponte, a do lado norte, após a secagem total do concreto, e os trabalhos agora se concentram nas lajes de aproximação — o trecho de transição entre as pontes e o asfalto, na entrada e na saída de cada uma. A obra, executada pela Construtora ERP Ltda., tem investimento previsto de R$ 3.877.073,91, com recursos já disponíveis do Finisa, o Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento. As informações são da Prefeitura de Araras.
"Esse trabalho deve durar cerca de uma semana, incluindo a concretagem, e em seguida já começam as marcações de guias e sarjetas para delimitar o novo sistema viário do local, essa rotatória que será formada com as duas pontes", explicou o engenheiro Luiz Aparecido Corrêa, da Secretaria Municipal de Planejamento, Gestão e Mobilidade.
Por que uma rotatória com duas pontes
O cruzamento da marginal com a Fábio da Silva Prado é um dos pontos de maior conflito de tráfego de Araras: a Dona Renata acompanha o Ribeirão das Araras e concentra o fluxo que atravessa a cidade no sentido leste-oeste, enquanto a Fábio da Silva Prado liga a região central aos bairros do outro lado do córrego. A solução adotada — uma rotatória apoiada em duas pontes sobre o ribeirão — permite que os veículos circulem continuamente, sem semáforo, e elimina as conversões à esquerda que hoje travam o cruzamento.
O objetivo declarado pela Prefeitura é desafogar o trânsito no local, com melhor fluidez e segurança. Rotatórias, quando bem dimensionadas, reduzem a gravidade dos acidentes — os veículos se cruzam em ângulos suaves e velocidades baixas, em vez de se chocarem frontalmente ou em ângulo reto como nos cruzamentos semaforizados.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o projeto ataca um gargalo conhecido. "Quem passa pela marginal na hora do almoço sabe o que é aquele cruzamento em frente à Delegacia. Duas pontes e uma rotatória é a solução de engenharia certa para um cruzamento sobre córrego — cara, demorada, mas definitiva. O problema de Araras nunca foi o projeto; foi o prazo. A prefeita admitir 'problemas e atrasos' e dizer que a obra não vai parar é o mínimo, mas é honesto", avalia.
Os detalhes que ainda faltam
Além das lajes de aproximação e das guias e sarjetas, dois itens técnicos precisam ser resolvidos antes da conclusão. O primeiro é a limpeza de um trecho de cerca de 200 metros do canal do ribeirão, cujo estudo está em fase final e que o engenheiro classifica como essencial — o assoreamento sob as pontes compromete o escoamento das águas e a segurança da estrutura em cheias.
O segundo é a proteção de uma tubulação do Saema: a rede do Sabaz Leste, que leva água tratada para a região leste da cidade, passa beirando o Ribeirão das Araras e, na altura da Delegacia, teve de ser elevada quando foi construída, por causa de uma galeria pluvial que vem do Jardim São João. "Agora, com a construção da rotatória, vamos precisar protegê-la, porque os carros passarão por cima dela", disse Corrêa. A solução é uma capa de concreto sobre o tubo, executada simultaneamente às demais frentes.
Lajes de aproximação: o detalhe que evita o "degrau"
A etapa atual da obra resolve um problema que todo motorista conhece: o solavanco na entrada e na saída de pontes e viadutos. Ele acontece porque a ponte, apoiada em fundações profundas, não se move, enquanto o aterro da via de acesso, apoiado no solo, recalca com o tempo — e surge um degrau. A laje de aproximação é uma placa de concreto armado, apoiada em uma extremidade na ponte e na outra sobre o aterro, que distribui esse recalque ao longo de vários metros e transforma o degrau em rampa suave. Quando bem executada, o motorista não percebe onde termina o asfalto e começa a ponte.
É uma peça pequena em relação ao conjunto, mas decisiva para o conforto, a durabilidade do pavimento e a segurança — degraus em acesso de ponte são causa frequente de perda de controle de motos. A concretagem, prevista para uma semana, precisa de cura antes que a laje receba tráfego.
O Ribeirão das Araras e as cheias
A limpeza dos 200 metros de canal, classificada como essencial pelo engenheiro, tem a ver com a estação que se aproxima. O Ribeirão das Araras corta a área central da cidade e recebe a água de galerias pluviais de vários bairros; sob as pontes da rotatória, o assoreamento — acúmulo de sedimentos, entulho e vegetação — reduz a seção de escoamento e, em chuvas fortes, pode represar a água e pressionar as estruturas. Com o El Niño previsto para o verão 2026-2027 e chuvas acima da média esperadas no interior paulista, concluir a limpeza antes de novembro é questão de segurança da obra.
A Prefeitura vem tratando a drenagem urbana como prioridade neste segundo semestre: reparo de bocas de lobo em vários bairros, troca de tubulações no Centro Esportivo Ruy Branco de Miranda e licitação para terceirizar a manutenção das galerias. A limpeza do canal sob a rotatória é parte do mesmo esforço.
Ribeirão, galeria, adutora: a cidade sob o asfalto
O caso ilustra por que obras viárias em áreas consolidadas demoram mais do que o previsto. Sob um cruzamento aparentemente simples passam o ribeirão, uma galeria de águas pluviais de um bairro inteiro e a adutora que abastece a zona leste — três infraestruturas de épocas e responsáveis diferentes, que precisam ser compatibilizadas com as fundações das pontes e com o novo traçado. Cada interferência descoberta durante a obra exige projeto complementar, aprovação e, às vezes, recursos adicionais.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a transparência sobre esses detalhes é o que separa obra atrasada de obra abandonada. "O engenheiro explicou o que falta: laje, guia, canal, adutora. Deu prazo para a laje, disse que o canal está em estudo. Isso é comunicação de obra em andamento. O morador que passa ali todo dia e vê o tapume tem direito de saber o que está acontecendo atrás dele — e a Prefeitura contou. Falta a data de entrega, que é o que todo mundo quer saber", observa.
R$ 3,88 milhões do Finisa
O financiamento vem do Finisa, linha de crédito da Caixa Econômica Federal destinada a obras de infraestrutura e saneamento em municípios, com prazo longo e juros abaixo do mercado. Ao contrário de emendas parlamentares ou convênios, que dependem de liberação por etapas, os recursos do Finisa já estão disponíveis — o que retira da obra o principal fator de paralisação de intervenções públicas: a falta de dinheiro em caixa. Os atrasos, no caso da rotatória, foram de execução e de compatibilização técnica, não de financiamento.
"É importante a população saber que apesar de todos os problemas e atrasos que já existiram, essa obra não está parada e nem ficará. Estamos fiscalizando e tomando todas as providências para entregá-la para a população o mais breve possível", enfatizou a prefeita Elaine Brambilla.
Mobilidade em Araras: as frentes abertas
A rotatória da marginal é uma de várias intervenções viárias em andamento na cidade. A pavimentação da Estrada do Canil, a ARR-030, retomada em setembro após paralisação por falta de repasse federal, faz parte do futuro anel viário previsto no Plano Diretor. A nova ponte sobre o Ribeirão das Araras, ligando as regiões norte e leste, está em construção. Juntas, as obras desenham uma estratégia de redistribuir o tráfego que hoje se concentra na marginal e no centro.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o conjunto faz sentido — se for concluído. "Rotatória na marginal, ponte norte-leste, anel viário pela Estrada do Canil: são três obras que, prontas, mudam como Araras se desloca. Cada uma delas sozinha resolve pouco. O risco é a cidade ficar com três obras a 70% por anos. A Prefeitura tem o dinheiro da rotatória no caixa; o que precisa mostrar agora é cronograma e entrega. Trânsito não melhora com tapume", analisa.
A Secretaria Municipal de Planejamento, Gestão e Mobilidade não informou a data prevista para a conclusão da rotatória. O cruzamento das avenidas Dona Renata e Fábio da Silva Prado segue com desvios enquanto as obras avançam.




