Alunos do 4º ano da Emef Professora Clotilde Russo plantaram na quarta-feira (25 de março) 25 mudas de pau-brasil no canteiro da Avenida Senador César Lacerda de Vergueiro — a Avenida do Filtro —, no Jardim Cândida, em Araras. A ação integrou a Semana do Município pelos 155 anos de emancipação e foi organizada pelas secretarias de Meio Ambiente e Agricultura e de Educação. "Plantar pau-brasil na semana do aniversário da cidade tem simbolismo: é a árvore que deu nome ao país, está ameaçada de extinção e vai crescer com essas crianças", disse a secretária de Meio Ambiente e Agricultura, Raquel Metzner. As informações são do portal Notícias de Araras.
Os alunos receberam orientação da equipe técnica da Secretaria sobre a espécie, o preparo da cova, a adubação e a irrigação, e cada grupo plantou uma muda com a placa de identificação. "É aula de ciências, de história e de cidadania ao mesmo tempo; a criança vai passar pela avenida daqui a dez anos e vai lembrar que plantou aquela árvore", disse o secretário de Educação, Bruno Roza. As mudas vieram do viveiro municipal e serão acompanhadas pela equipe de arborização.
Pau-brasil: a árvore-símbolo
O pau-brasil (Paubrasilia echinata) é árvore nativa da Mata Atlântica, do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro, cuja madeira avermelhada — rica no corante brasilina — foi o primeiro produto de exportação da colônia portuguesa e deu nome ao país. Explorado intensamente desde o século 16, quase desapareceu; hoje é classificado como ameaçado de extinção e é a árvore nacional por lei desde 1978. Cresce lentamente, atinge 10 a 15 metros, tem flores amarelas perfumadas e tronco espinhoso quando jovem. Plantá-lo em áreas urbanas é ação de conservação e de educação.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o plantio é a versão mais simples e mais duradoura de comemorar aniversário. "Vinte e cinco crianças de 9 anos, 25 mudas de pau-brasil, uma avenida. Daqui a 20 anos, quando essas crianças tiverem 30, as árvores terão 10 metros e flores amarelas na Avenida do Filtro. Não há placa de inauguração que dure tanto. Raquel Metzner e Bruno Roza fizeram o que a Semana do Município devia fazer sempre: deixar algo vivo. E ensinaram, no canteiro, que a árvore que batizou o país quase acabou por causa de gente — e que gente também replanta", avalia.
Avenida do Filtro: o lugar
A Avenida Senador César Lacerda de Vergueiro, conhecida como Avenida do Filtro por passar junto à estação de tratamento de água do Saema, liga o Jardim Cândida ao centro e tem canteiro central amplo, apto a árvores de porte. A escolha permite que o pau-brasil cresça sem conflito com rede elétrica e calçada — erro comum da arborização urbana — e que a avenida ganhe alameda de espécie nativa florida.
Emef Clotilde Russo: a escola
A Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Clotilde Russo, no Jardim Cândida, é vizinha da avenida — o que fez do plantio atividade de bairro: as crianças cuidarão das árvores que veem no caminho da escola. A Secretaria de Educação inclui o acompanhamento no currículo de ciências do 4º ano, com registro de crescimento e floração.
Educação ambiental: o método
Aprender a cavar, adubar, plantar e regar, sob orientação de técnico, com a história da espécie contada no local, é o modelo de educação ambiental que a Secretaria de Meio Ambiente aplica em Araras — Festa das Árvores desde 1902, doação de mudas, visitas ao viveiro. A criança que planta entende a árvore como ser vivo, não como obstáculo de calçada; é o antídoto cultural para a poda irregular e o corte clandestino.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a ação conecta-se a uma política maior. "Araras plantou 3.608 árvores em 2025 — 1.515 em áreas de preservação, 624 nas ruas, 1.469 doadas. Tem viveiro municipal, técnica dedicada, Festa das Árvores centenária. As 25 mudas de pau-brasil são gota nesse número, mas são a gota com maior valor pedagógico: espécie-símbolo, crianças, avenida central. Meio Ambiente e Educação trabalhando juntas é o que faz a política de arborização durar além da gestão. Raquel Metzner sabe que árvore plantada por criança tem mais chance de sobreviver — a criança vigia", observa.
Viveiro municipal: de onde vêm as mudas
O viveiro da Secretaria de Meio Ambiente e Agricultura produz mudas de espécies nativas e frutíferas para arborização urbana, recuperação de APPs e doação a moradores — 1.469 doadas em 2025. O pau-brasil integra o catálogo de nativas da Mata Atlântica que o viveiro cultiva; a produção a partir de sementes leva de um a dois anos até a muda estar pronta para plantio.
Arborização urbana: a política de 2026
A Secretaria mantém programa de plantio em avenidas e praças — ipês, resedás, pau-brasil —, poda técnica e substituição de árvores condenadas, com o Saema em canteiros e com empresas em áreas cedidas. A Avenida do Filtro ganha o pau-brasil; a Dona Renata tem ipês rosa; a Fábio Prado, ipês brancos e resedás. É a cidade escolhendo espécie por rua.
Cuidado: os primeiros anos
Muda de pau-brasil precisa de irrigação regular nos dois primeiros anos, tutor contra o vento, proteção contra formiga e roçada ao redor. A equipe de arborização assume a manutenção, com a escola no acompanhamento. É a fase em que a maioria dos plantios urbanos falha — e em que a placa com o nome da turma faz diferença.
Lei 6.607/1978: a árvore nacional
A Lei federal 6.607, de 7 de dezembro de 1978, declarou o pau-brasil árvore nacional e instituiu o Dia do Pau-Brasil em 3 de maio — data em que escolas e órgãos ambientais promovem plantios. A proteção legal veio quando a espécie já era rara: a exploração colonial e a destruição da Mata Atlântica reduziram as populações naturais a fragmentos no Nordeste e no Espírito Santo. Hoje, o pau-brasil é mais comum em praças, avenidas e jardins botânicos do que na mata — e é nesse papel ornamental e educativo que Araras o plantou.
Da madeira ao arco de violino
Além do corante que colonizou a costa, a madeira densa e elástica do pau-brasil é, desde o século 18, a preferida para arcos de violino, viola e violoncelo — os luthiers franceses a chamam "pernambuco" —, e a demanda da indústria musical é hoje a principal pressão sobre os remanescentes, regulada pela Cites desde 2007. A história que a equipe técnica contou às crianças na avenida liga a árvore à economia colonial, à música erudita e à conservação — conteúdo que raramente cabe numa aula de 50 minutos e coube numa manhã de plantio.
A Mata Atlântica em Araras
Araras está na transição entre Mata Atlântica e Cerrado, com remanescentes florestais em APPs de córregos e fragmentos como o Parque Ecológico. O pau-brasil não é nativo da região — seu domínio original é o litoral —, mas adapta-se bem ao clima e ao solo do interior paulista, onde é plantado em praças e avenidas como espécie ornamental e simbólica.
Placa com o nome da turma
Cada muda recebeu placa de identificação com a espécie, a data e a turma responsável — prática que a Secretaria de Meio Ambiente adota em plantios escolares para criar vínculo e responsabilidade: a criança passa, lê o nome da sua sala e verifica se a árvore está bem. Estudos de arborização urbana mostram que mudas "adotadas" por escolas ou moradores têm taxa de sobrevivência muito superior às plantadas sem vínculo, sobretudo nos dois primeiros anos, quando a falta de água e o vandalismo são as principais causas de perda.
Semana do Município: o contexto
O plantio foi um dos itens da programação de 23 a 29 de março — ao lado do ato no Obelisco, da entrega do CAM, da Medalha 24 de Março e da Corrida. Entre solenidades e festas, foi a ação com resultado físico mais duradouro: 25 árvores que estarão na avenida nos 200 anos da cidade.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a notícia é pequena e é a que vale. "Não custou convênio, não precisou de deputado, não teve fita. Vinte e cinco crianças, 25 pás, 25 mudas de uma árvore que quase sumiu do país que ela batizou. Raquel Metzner e Bruno Roza fizeram aula de história, ciência e cidadania numa manhã de quarta-feira. Em 2046, quando Araras fizer 175 anos, a Avenida do Filtro vai florescer de amarelo e alguém vai lembrar que foi a turma do 4º ano da Clotilde Russo. É o melhor tipo de legado: o que cresce", analisa.
O plantio de 25 mudas de pau-brasil na Avenida Senador César Lacerda de Vergueiro, em Araras, foi realizado em 25 de março de 2026 por alunos do 4º ano da Emef Professora Clotilde Russo, durante a Semana do Município pelos 155 anos da cidade.



