Em comemoração ao Dia da Árvore, celebrado em 21 de setembro, as secretarias municipais de Educação e de Meio Ambiente e Agricultura realizaram na segunda-feira, 21, um plantio de mudas na praça da Escola Estadual Coronel Justiniano Whitaker de Oliveira, no centro de Araras. O local não foi escolhido ao acaso: foi ali que aconteceu a 1ª Festa das Árvores do Brasil, em 7 de junho de 1902. As informações são da Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Araras.

Alunos do Justiniano e da Emei Prefeito Hermínio Ometto participaram do ato, que teve a leitura de um poema pela aluna Manuela Nogueira da Silva, do 5º ano A, e do compromisso dos estudantes com o cuidado com as árvores, lido por Sofia Ferreira Custódio, da mesma turma. Foram plantadas duas mudas de pau-mulato e uma de pau-brasil. "Crianças, vocês representam nosso futuro. Por isso estamos aqui hoje, plantando essas mudas e plantando uma sementinha no coração de cada um de vocês. Essas árvores são vida e esperança", disse a prefeita Elaine Brambilla.

A cidade onde o Dia da Árvore nasceu

Poucos ararenses sabem, mas o Dia da Árvore no Brasil tem origem em Araras. Em 7 de junho de 1902, a cidade realizou a primeira Festa das Árvores do país, idealizada pelo naturalista sueco Alberto Löfgren, então diretor do Horto Botânico de São Paulo. Cerca de 600 crianças das escolas locais plantaram 242 mudas de espécies como faveiro, peroba, carvalho e guarantã, vindas do próprio Horto, que hoje é o Parque Estadual Alberto Löfgren, na capital, onde funciona o Horto Florestal do Instituto de Pesquisas Ambientais.

A festa nasceu de uma amizade. João Pedro Cardoso, inspetor do 2º Distrito Agrícola de Araras, e Löfgren frequentavam o Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas, e foi nesse convívio que Cardoso decidiu trazer a ideia para Araras, com apoio irrestrito da Câmara Municipal. O escritor Coelho Netto, um dos nomes mais conhecidos da literatura da época, fez a propaganda do evento. A iniciativa se espalhou pelo estado e pelo país, e o Dia da Árvore acabou fixado em 21 de setembro, véspera da primavera no hemisfério sul.

Pau-mulato e pau-brasil

As espécies escolhidas para o plantio deste ano têm significado. O pau-brasil, Paubrasilia echinata, é a árvore que deu nome ao país, quase extinta pela exploração da madeira e do corante vermelho nos primeiros séculos da colonização; hoje é árvore nacional e símbolo de conservação. O pau-mulato, Calycophyllum spruceanum, é uma espécie amazônica de tronco liso e avermelhado, que troca a casca todos os anos e cresce rápido, muito usada em arborização por sua beleza e resistência. Juntas, as três mudas ligam a história do país à praça onde a educação ambiental brasileira deu os primeiros passos.

Por que plantar árvore na cidade

Além do valor simbólico, a arborização urbana tem efeito direto na vida de quem mora na cidade. Árvores reduzem a temperatura das ruas em vários graus nas tardes de verão, filtram poeira e poluentes, absorvem parte da água da chuva e diminuem enchentes, abrigam pássaros e valorizam imóveis. Em cidades do interior paulista, onde o calor de setembro a março é intenso e o asfalto ocupa cada vez mais espaço, cada muda plantada em praça ou calçada faz diferença mensurável no conforto térmico.

A educação ambiental nas escolas é a forma mais eficiente de garantir que as árvores sobrevivam. Muda plantada por criança, com nome e compromisso lido em voz alta, costuma ser regada e protegida pela comunidade escolar; muda plantada sem dono seca no primeiro verão. É por isso que atos como o desta segunda-feira são mais do que cerimônia.

Quem participou

Além da prefeita, estiveram no plantio Fernando Fernandes Álvares Leite, presidente da Associação de Educação do Homem de Amanhã e da Fundação Hermínio Ometto; o diretor da E.E. Justiniano, Patrick Cardoso; e os secretários municipais Bruno Roza (Educação), Raquel Metzner (Meio Ambiente e Agricultura), Sandra Milaré (Serviços Públicos), Paula de Paula Fock (Assistência Social), Edivaldo Silva (Esportes) e Maria do Socorro Paiva de Souza (Habitação).

Adriano Jose Reis Martins, autor desta matéria, acompanha a pauta ambiental de Araras e vê no plantio deste ano um ensaio para algo maior. Na minha avaliação, a cidade tem em mãos um patrimônio que poucas podem reivindicar: ser o berço do Dia da Árvore no Brasil. Isso deveria estar nas placas da praça, no material escolar, no turismo e no calendário oficial, e não só na memória de historiadores. Os 125 anos da 1ª Festa das Árvores, em 2027, são a oportunidade de transformar a data em programa permanente de arborização e de educação ambiental, com meta de mudas por bairro e participação de todas as escolas.

Como cuidar de uma muda recém-plantada

A parte mais difícil de uma árvore não é plantar, e sim fazer sobreviver ao primeiro ano. A muda precisa de água regular nas primeiras semanas, sobretudo em setembro e outubro, quando as chuvas ainda são irregulares no interior paulista; de tutor, a estaca que a mantém reta contra o vento; de proteção contra pisoteio e contra o corte de grama, que costuma ferir o tronco jovem; e de uma coroa de terra limpa ao redor, sem grama competindo por água. Nas escolas, dividir a rega entre as turmas transforma o cuidado em rotina e evita que a responsabilidade fique sem dono.

Quem pode plantar na cidade

Moradores que queiram plantar árvores na calçada devem consultar a Secretaria de Meio Ambiente e Agricultura, que orienta sobre as espécies adequadas ao tamanho da calçada e à rede elétrica e, em muitos casos, fornece a muda. Espécies de grande porte sob fiação e de raízes agressivas perto de muros são as causas mais comuns de conflito entre árvores e cidade, e a escolha certa no plantio evita podas e remoções anos depois. O viveiro municipal e a distribuição de mudas em eventos ambientais são as portas de entrada para quem quer contribuir com a arborização de Araras.

A história da Festa das Árvores também guarda um registro curioso: a data original, 7 de junho, foi escolhida em pleno inverno, época seca, o que dificultou a sobrevivência de parte das mudas de 1902. Com o tempo, o Dia da Árvore migrou para 21 de setembro, às portas da primavera e do início das chuvas no Sudeste, quando o plantio tem mais chance de vingar. É uma lição prática que os alunos do Justiniano herdam: em Araras, a melhor época para plantar vai de setembro a janeiro.

Os 125 anos em 2027

Em 7 de junho de 2027, Araras completa 125 anos da realização da 1ª Festa das Árvores do Brasil. A prefeitura já sinalizou que a data será comemorada, e a expectativa de educadores e ambientalistas da cidade é de um plantio em grande escala, no modelo de 1902, com participação de estudantes de toda a rede. A praça da E.E. Justiniano, onde tudo começou, guarda o registro fotográfico da primeira festa, e é o ponto de partida natural para as celebrações.

Serviço

Plantio do Dia da Árvore: segunda-feira, 21 de setembro de 2026, praça da E.E. Coronel Justiniano Whitaker de Oliveira, Araras, com alunos do Justiniano e da Emei Prefeito Hermínio Ometto. Mudas plantadas: duas de pau-mulato e uma de pau-brasil. Realização das secretarias municipais de Educação e de Meio Ambiente e Agricultura. Em 2027, Araras comemora 125 anos da 1ª Festa das Árvores do Brasil, realizada em 7 de junho de 1902.