A Secretaria Municipal da Saúde de Araras divulgou orientações sobre a prevenção da febre amarela, doença transmitida pela picada de mosquitos contaminados — entre eles o Aedes aegypti, o mesmo da dengue — e cujo único método de prevenção é a vacina. Em Araras, o imunizante está disponível em dias específicos nas unidades de saúde, sempre das 8h às 14h, conforme cronograma semanal. A pasta reforça que macacos também podem ser picados e infectados, mas não transmitem a doença aos humanos — e que animais mortos ou doentes encontrados por moradores não devem ser tocados, mas comunicados imediatamente à Vigilância Epidemiológica ou ao Centro de Controle de Zoonoses, com o local. As informações são do portal Notícias de Araras.
Funcionários de parques, áreas verdes e rurais devem realizar rondas periódicas em áreas com presença de primatas e comunicar de imediato casos suspeitos. A informação ajuda a vigilância a mapear as áreas onde o vírus circula — o chamado monitoramento de epizootias, que antecede a ocorrência de casos humanos.
O esquema vacinal
As crianças recebem duas doses: aos 9 meses e aos 4 anos. Pessoas de 5 a 59 anos tomam dose única, válida para toda a vida, conforme a orientação atual do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde. Pessoas acima de 60 anos devem passar por avaliação médica antes da vacinação, por causa do risco maior de eventos adversos graves nessa faixa etária. Quem foi vacinado em 2018 — ano da grande campanha em São Paulo, quando parte das doses foi fracionada — e tem o selo amarelo na carteira pode procurar as salas de vacina para avaliar a necessidade de reforço.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a orientação chega no momento em que a memória de 2018 esmaece. "Em 2017 e 2018, o interior paulista viveu o maior surto de febre amarela silvestre em décadas — macacos morrendo nas matas, casos humanos em Campinas, Piracicaba, Rio Claro, fila de vacinação nas UBSs. Araras vacinou em massa. Oito anos depois, quem chegou à cidade, quem nasceu ou quem tomou dose fracionada pode estar desprotegido. A Secretaria está dizendo o essencial: a vacina existe, é de graça, e o macaco morto no parque é o alarme que a cidade não pode ignorar", avalia.
O cronograma por unidade
A vacina contra a febre amarela é aplicada em dias determinados em cada unidade, das 8h às 14h. Segunda-feira: PAM Dr. Ênio Vitali (Jardim Piratininga) e PSF Francisco Nicola Cascelli (Parque das Árvores). Terça: UBS Antônio Carlos Fabrício (José Ometto) e PAM Oswaldo Devitte (Narciso Gomes). Quarta: UBS Dr. Antônio Simões Pontes (Jardim Aeroporto), PSF Francisco Nicola Cascelli e ESF Dr. Edmundo Ulson (Parque Tiradentes). Quinta: UBS Antônio Carlos Fabrício. Sexta: PAM Oswaldo Devitte e ESF Dr. Edmundo Ulson. O Centro de Saúde II Dr. João Geraldo Noronha, no Belvedere, vacina de segunda a sexta.
Por que dias específicos
A vacina contra a febre amarela é fornecida em frascos multidose — de cinco ou dez doses — que, uma vez abertos, precisam ser usados em poucas horas. Concentrar a aplicação em dias determinados por unidade evita o desperdício de frascos abertos para um único paciente e garante que cada dose aplicada corresponda a uma pessoa protegida. É a mesma lógica usada para a BCG e para outras vacinas de frasco múltiplo — e a razão de o morador precisar consultar o cronograma antes de ir à unidade.
Macacos: vítimas, não vetores
A orientação sobre os primatas combate um equívoco perigoso. Macacos não transmitem febre amarela às pessoas — são, como os humanos, vítimas do vírus, que circula entre eles pela picada dos mosquitos silvestres Haemagogus e Sabethes. A morte de macacos em uma região é o sinal de que o vírus chegou — a epizootia — e antecede em semanas os casos humanos. Por isso a vigilância pede que animais mortos sejam comunicados, e não tocados: a carcaça é coletada e analisada para confirmar a circulação viral e orientar a intensificação da vacinação. Matar ou afugentar macacos, além de crime ambiental, elimina o alerta natural que protege a população.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o macaco é o sentinela que a cidade precisa aprender a respeitar. "Em 2018, houve gente matando macaco por medo de febre amarela — e o macaco era exatamente quem estava avisando que o vírus tinha chegado. A Secretaria de Araras repetiu a orientação correta: não toque, avise, deixe a vigilância coletar. Araras tem mata ciliar no Ribeirão das Araras, o Parque Ecológico, fragmentos de floresta nas fazendas — tem macaco e tem mosquito silvestre. A cidade está na área de risco, e a resposta é vacina, não pedra", observa.
Ciclo silvestre e ciclo urbano
A febre amarela tem dois ciclos. No silvestre, o vírus circula entre macacos e mosquitos de mata, e o humano se infecta ao entrar na floresta — trabalhador rural, pescador, visitante de parque. No urbano, que o Brasil não registra desde 1942, o Aedes aegypti transmite de pessoa para pessoa nas cidades — cenário que a vacinação em massa existe para impedir. Como o Aedes está em toda cidade brasileira, cada caso humano de febre amarela silvestre em área urbana é risco de reintrodução do ciclo urbano. É por isso que a cobertura vacinal alta em cidades como Araras, com mata próxima e Aedes presente, é prioridade de saúde pública.
A doença
A febre amarela causa febre alta, dor de cabeça, dores musculares, náusea e, na forma grave — em cerca de 15% dos casos —, icterícia (a pele amarelada que dá nome à doença), hemorragias e insuficiência hepática e renal, com letalidade que pode chegar a 50% entre os casos graves. Não há tratamento específico; o cuidado é de suporte. A vacina, produzida pela Fiocruz, é de vírus atenuado, altamente eficaz e, para a maioria das pessoas, de dose única. As contraindicações — imunossupressão, alergia a ovo, gestação, idade acima de 60 sem avaliação — são as razões da triagem na sala de vacina.
2018: o surto que marcou o interior
A referência ao "selo amarelo" de 2018 remete ao maior surto de febre amarela silvestre do Brasil em décadas. Entre 2016 e 2019, o vírus avançou de Minas Gerais para o Espírito Santo, o Rio de Janeiro e o interior de São Paulo, com centenas de mortes humanas e milhares de macacos mortos — inclusive na região de Campinas, Piracicaba e Rio Claro, vizinha de Araras. A resposta foi a vacinação em massa de toda a população do estado, com doses fracionadas — um quinto da dose padrão, válidas por ao menos oito anos — quando o estoque não bastou. Quem recebeu a dose fracionada ganhou o selo amarelo na carteira, e é por isso que a Secretaria de Araras orienta essas pessoas a avaliar o reforço em 2026: o prazo de proteção da dose fracionada está próximo do fim.
Como se preparar para ir à unidade
Levar a caderneta de vacinação, documento com foto e, se houver, o cartão SUS. Verificar o dia da unidade mais próxima no cronograma. Quem tem mais de 60 anos deve procurar avaliação médica antes — na própria UBS —; quem está com febre ou infecção aguda deve aguardar a recuperação. Gestantes e lactantes de bebês com menos de 6 meses não devem se vacinar, salvo em situação de surto com orientação médica. Viajantes para áreas de risco — Amazônia, Centro-Oeste, interior de Minas — devem se vacinar ao menos dez dias antes da viagem.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a orientação de maio prepara o verão. "Febre amarela silvestre tem sazonalidade: dezembro a maio, chuva, mosquito, macaco doente. A Secretaria orientou em maio para que a cidade chegue a dezembro vacinada. É o tempo certo. O que falta é o número: quantos ararenses de 5 a 59 anos estão sem a dose? A campanha de 2018 cobriu a maioria; os que chegaram depois e os que nasceram desde então são a lacuna. Se a Vigilância cruzar o cadastro do SUS com o registro vacinal, sabe quem falta — e vai buscar", analisa.
A vacina contra a febre amarela está disponível nas unidades de saúde de Araras conforme cronograma semanal, das 8h às 14h, e de segunda a sexta no Centro de Saúde II, no Jardim Belvedere. Macacos mortos ou doentes devem ser comunicados à Vigilância Epidemiológica ou ao CCZ pelo telefone 3543-1522.


