**Adriano Jose Reis Martins**

A Prefeitura de Araras intensificou o combate à dengue com mais um mutirão de campo, desta vez concentrado em quatro bairros da cidade. A ação, conduzida pelo Setor de Combate a Endemias da Secretaria Municipal da Saúde, percorreu o Jardim Marabá, a Vila Dona Rosa, o Jardim 15 de Agosto e o Jardim Santa Catarina, eliminando possíveis focos do mosquito Aedes aegypti e orientando moradores, casa a casa, sobre como impedir a formação de criadouros.

O balanço do trabalho, realizado no último sábado, impressiona pelo volume. As equipes vistoriaram 787 residências e recolheram cerca de 600 quilos de materiais que poderiam acumular água e abrigar as larvas do mosquito. Entre o que foi retirado das casas e dos quintais estavam garrafas, pneus, recipientes plásticos e entulho — os objetos que mais aparecem nas estatísticas de criadouros em todo o país.

Além das visitas concluídas, os agentes fizeram 18 vistorias parciais em imóveis que estavam fechados no momento da passagem das equipes. Esses endereços costumam entrar em uma lista de retorno, já que um único quintal abandonado é suficiente para alimentar um foco capaz de infestar toda a vizinhança.

Sétima ação do ano amplia o cerco ao mosquito

Este foi o sétimo mutirão de combate à dengue promovido pela Prefeitura de Araras em 2026. A estratégia de dividir a cidade em frentes e repetir as varreduras ao longo do ano tem um objetivo claro: não dar trégua ao Aedes aegypti nos meses mais quentes e úmidos, quando o ciclo reprodutivo do mosquito se acelera e o risco de surto cresce.

A escolha dos bairros não é aleatória. As equipes de endemias cruzam reclamações de moradores, notificações de casos e levantamentos de campo para identificar as regiões com maior concentração de focos, e é para lá que os mutirões são direcionados. A limpeza feita porta a porta funciona como um reforço ao trabalho rotineiro dos agentes, que percorrem a cidade o ano inteiro.

O que dizem os números da doença em Araras

Segundo o boletim epidemiológico divulgado em 13 de outubro, Araras contabilizava 31 casos confirmados de dengue em 2026. Até aquela data, havia uma pessoa internada e outra aguardando o resultado de exame, e o município não registrava nenhuma morte pela doença no ano.

São números que, comparados aos de temporadas de surto, indicam uma situação sob controle — mas que as autoridades de saúde tratam com cautela. O comportamento da dengue muda rápido: basta uma sequência de dias quentes e de chuva para que focos silenciosos se transformem em uma onda de casos. Por isso a Secretaria da Saúde insiste que a vigilância não pode baixar a guarda, nem a da Prefeitura nem a de cada morador.

O combate que começa dentro de casa

A mensagem repetida a cada mutirão é sempre a mesma, e tem fundamento: a maior parte dos criadouros do Aedes aegypti está dentro das residências e dos quintais, e não nas ruas. O mosquito que transmite dengue, zika e chikungunya se reproduz em água parada e limpa, acumulada em pequenos recipientes que passam despercebidos no dia a dia.

Eliminar a água parada é a medida mais eficaz. A recomendação dos agentes de endemias inclui gestos simples que cabem em poucos minutos por semana:

  • Manter caixas-d'água, cisternas e tonéis sempre bem tampados.
  • Guardar garrafas de cabeça para baixo e não deixar baldes expostos à chuva.
  • Limpar calhas e lajes onde a água possa empoçar.
  • Trocar com frequência a água de bebedouros de animais e de vasos de plantas.
  • Furar o fundo de pratos de vasos ou preenchê-los com areia.
  • Descartar corretamente pneus, garrafas e entulho, nunca a céu aberto.

Uma vistoria rápida nos próprios quintais, feita de forma regular, costuma ser suficiente para interromper o ciclo do mosquito antes que ele se instale.

Fique atento aos sintomas

Quem apresenta sinais compatíveis com a dengue deve procurar atendimento médico e evitar a automedicação. Os sintomas mais comuns são febre, dores no corpo e nas articulações, dor de cabeça, manchas na pele e náuseas.

Alguns sinais, porém, exigem atendimento imediato, porque podem indicar o agravamento da doença: dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e qualquer tipo de sangramento. Diante deles, a orientação é não esperar e buscar uma unidade de saúde o quanto antes.

A Secretaria Municipal da Saúde reforça que a participação da população é decisiva. Os mutirões ampliam o alcance do poder público, mas é a atenção diária de cada família, dentro de casa, que impede o surgimento de novos focos e protege toda a comunidade.