A Prefeitura de Araras, pela Secretaria Municipal da Saúde, divulgou o boletim epidemiológico anual de HIV: em 2025, o Serviço Ambulatorial Especializado e Centro de Testagem e Aconselhamento, o SAE/CTA, registrou 29 novos casos de pessoas infectadas pelo vírus — contra 21 confirmações em 2024, alta de 38%. O teste rápido para HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis — sífilis, hepatites B e C — está disponível em todos os postos de saúde e no SAE/CTA, na Rua Francisco Paulo Russo, 119, no centro, que também oferece a PEP, profilaxia pós-exposição de risco, e a PrEP, profilaxia pré-exposição, de segunda a sexta, das 7h às 16h. As informações são do portal Notícias de Araras.

A Secretaria recomenda buscar atendimento diante de sintomas como febre recorrente, dor de cabeça, dores musculares ou articulares, irritação na pele, dor de garganta, gânglios inchados, suor noturno, diarreia crônica, manchas brancas ou lesões na boca, fadiga, perda de peso inexplicável e erupções cutâneas. O contato do SAE/CTA é o (19) 3544-2064, por telefone e WhatsApp, e o e-mail sae@araras.sp.gov.br.

29 casos: o que o número diz

Vinte e nove diagnósticos em uma cidade de 135 mil habitantes equivalem a cerca de 21 casos por 100 mil — acima da média nacional recente, de 17 a 18 por 100 mil, e em alta sobre os 21 de 2024; parte do aumento pode refletir mais testagem — o Sábado com Saúde e as campanhas ampliaram os testes rápidos —, e parte, transmissão real, sobretudo entre jovens de 20 a 34 anos, faixa em que a epidemia brasileira cresce. Diagnosticar mais é bom: quem sabe trata, e quem trata com carga viral indetectável não transmite. O boletim anual, publicado pela Vigilância, é o instrumento para a cidade acompanhar a tendência e dirigir a prevenção.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o boletim é transparência que salva. "Vinte e nove novos casos de HIV em 2025 em Araras — 38% a mais que em 2024. A Secretaria publicou o número, o endereço do centro de testagem, o telefone e a lista de sintomas. É o oposto do silêncio que a aids teve por décadas. O SAE/CTA da Francisco Paulo Russo oferece o que a medicina tem de melhor: teste em 20 minutos, PEP em até 72 horas depois do risco, PrEP para quem se expõe, tratamento gratuito que zera a transmissão. O que falta é gente ir. Alta de casos com teste amplo pode ser boa notícia disfarçada — desde que os 29 estejam em tratamento. Baiano da Farmácia tem o dado; que publique também a adesão", avalia.

SAE/CTA: o serviço

O Serviço Ambulatorial Especializado acompanha pessoas vivendo com HIV — consulta com infectologista, exames de carga viral e CD4, antirretrovirais gratuitos, apoio psicossocial —; o Centro de Testagem e Aconselhamento faz testes rápidos com aconselhamento, sigilo e sem exigência de pedido médico, e dispensa PEP e PrEP. Em Araras, os dois funcionam juntos no centro, de segunda a sexta, e atendem também Leme e cidades vizinhas em referência.

PEP: 72 horas para agir

A profilaxia pós-exposição é o uso de antirretrovirais por 28 dias, iniciado em até 72 horas — idealmente em 2 — após exposição de risco: relação sem preservativo, rompimento de camisinha, violência sexual, acidente com material biológico; reduz drasticamente a chance de infecção e é gratuita no SAE/CTA e no pronto-socorro fora do horário. Poucos sabem que existe; o boletim a divulga.

PrEP: a prevenção contínua

A profilaxia pré-exposição é o uso diário — ou sob demanda — de antirretroviral por pessoas com risco continuado, com eficácia acima de 99% quando tomada corretamente; disponível no SUS desde 2017 e em Araras pelo SAE/CTA, com consulta, exames trimestrais e acompanhamento. É a ferramenta que mais reduz novas infecções em quem a usa — e a menos conhecida no interior.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a alta de 21 para 29 exige campanha. "O boletim é bom; o número é ruim. Trinta e oito por cento a mais em um ano, numa cidade que oferece teste em todo posto e PrEP de graça, significa que a informação não chega a quem precisa — jovens, homens que fazem sexo com homens, pessoas em situação de vulnerabilidade. A Secretaria precisa sair do centro de testagem e ir às escolas, à FHO, à Fatec, à Casa da Juventude, com teste rápido e PrEP na mão. O Sábado com Saúde fez 29 testes de IST em abril — é pouco para uma cidade com 29 diagnósticos por ano. Prevenção de HIV não se faz só no balcão da Francisco Paulo Russo", observa.

Sífilis e hepatites: as outras ISTs

O teste rápido cobre sífilis — em alta no país, com risco grave em gestantes — e hepatites B e C, tratáveis; o pré-natal exige os testes, e as unidades os oferecem a qualquer pessoa. A sífilis congênita é indicador que Araras monitora com atenção, e o boletim de HIV integra o painel de ISTs.

Sintomas: quando procurar

A infecção aguda pelo HIV pode causar, semanas após a exposição, febre, dor de garganta, gânglios, manchas e cansaço — quadro parecido com gripe que passa —; a fase crônica é silenciosa por anos. Por isso, o teste — não o sintoma — é a forma de saber; a lista da Secretaria orienta quem já tem sinais tardios a procurar atendimento sem demora.

Tratamento: indetectável = intransmissível

Antirretrovirais gratuitos, em dose única diária, levam a carga viral a níveis indetectáveis em meses; pessoa indetectável não transmite o vírus por via sexual — consenso científico desde 2018. Diagnóstico precoce e adesão ao tratamento são, portanto, prevenção coletiva; os 29 casos de 2025 em tratamento protegem a cidade.

HIV no Brasil em 2026: o cenário

O país registra cerca de 40 mil novos diagnósticos de HIV por ano e tem quase um milhão de pessoas vivendo com o vírus, das quais mais de 80% em tratamento; a mortalidade por aids caiu pela metade em duas décadas, mas a incidência entre jovens de 15 a 29 anos — sobretudo homens — cresce desde 2010, e o interior paulista acompanha a tendência. A meta da ONU para 2030 — 95% diagnosticados, 95% em tratamento, 95% indetectáveis — depende de testagem ampla e de PrEP em escala; Araras, com teste em todo posto e PrEP no SAE, tem os instrumentos e precisa de alcance.

Jovens e escolas: onde a prevenção falha

A educação sexual nas escolas recuou na última década, e a geração que não viveu o auge da epidemia usa menos preservativo — pesquisas nacionais mostram queda no uso entre adolescentes; a Multivacinação com HPV, o Maio Laranja e o Programa Saúde na Escola são as portas por onde a Secretaria de Saúde de Araras pode levar teste rápido, informação sobre PrEP e preservativo à FHO, à Fatec, às Etecs e às estaduais. O boletim de 29 casos é o argumento para a campanha.

Estigma: a barreira

Medo do resultado, vergonha de ir ao CTA, receio de ser visto — o estigma ainda atrasa diagnósticos no interior; o teste em qualquer posto de saúde, o WhatsApp do SAE e o Sábado com Saúde são formas de reduzir a barreira. A campanha Dezembro Vermelho e as ações nas escolas completam.

O que a cidade deve fazer

Testar-se ao menos uma vez por ano se sexualmente ativo, usar preservativo, conhecer PEP e PrEP, e, em caso de diagnóstico, tratar; para a Secretaria, ampliar testagem fora do centro, divulgar a PrEP e publicar o boletim com adesão e carga viral. O telefone (19) 3544-2064 atende dúvidas com sigilo.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o boletim é a notícia de saúde que mais gente deveria ler e menos gente lê. "HIV não some porque a gente não fala. Araras teve 29 diagnósticos em 2025, oito a mais que em 2024. A cidade tem tudo para zerar a transmissão: teste em todo posto, PEP, PrEP, tratamento gratuito, um centro no meio do centro. Baiano da Farmácia publicou o número e o telefone. O resto é cada um: fazer o teste. Quem lê esta notícia e nunca testou, agora sabe onde: Francisco Paulo Russo, 119, das 7h às 16h. É de graça e é sigiloso", analisa.

O boletim epidemiológico anual de HIV de Araras, divulgado em fevereiro de 2026 pela Secretaria Municipal da Saúde, registrou 29 novos casos em 2025. O SAE/CTA funciona na Rua Francisco Paulo Russo, 119, de segunda a sexta-feira, das 7h às 16h, com testes rápidos, PEP e PrEP gratuitos.