Com o tema "Mulheres que lutam, conquistam e se cuidam", a Secretaria Municipal de Assistência Social de Araras abriu na quinta-feira (5 de março), das 13h às 15h30, na Praça Barão, a programação do Mês da Mulher. As ações têm como objetivo promover reflexão sobre igualdade de gênero e direitos da mulher, valorizar as conquistas femininas ao longo da história, incentivar o autocuidado e o fortalecimento da autoestima, e fortalecer vínculos comunitários e familiares. As ações coletivas são de responsabilidade das equipes técnicas dos Cras e do Creas, com atividades também nos dias 9, 12, 23, 26 e 30 de março. As informações são do portal Notícias de Araras.

"Com essas ações, queremos atingir os seguintes resultados: ampliar a participação social das mulheres; garantir um espaço qualificado de escuta e convivência; e fortalecer o protagonismo feminino no território", explicou a secretária Mirian Vanessa Pires Franzini. A programação atende públicos específicos: idosas do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos e mulheres em acompanhamento pelo PAIF, o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família; famílias do SCFV da entidade OSAF, no evento da Praça Barão; e mulheres em situação de violação de direitos, vítimas de violência e acompanhadas pelo PAEFI, o Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos, no Creas.

Cras, Creas, PAIF e PAEFI: a rede por trás da sigla

O Cras — Centro de Referência de Assistência Social — é a unidade de bairro da proteção social básica, onde o PAIF acompanha famílias em vulnerabilidade com atendimento, grupos e encaminhamentos, e onde o SCFV reúne crianças, jovens e idosos em atividades de convivência; o Creas — Centro de Referência Especializado — atende a proteção especial: violência, abuso, negligência, com o PAEFI acompanhando as vítimas e suas famílias. O Mês da Mulher usa essa estrutura: as ações nos Cras alcançam as mulheres do PAIF e as idosas do SCFV; a do Creas, as vítimas de violência do PAEFI, em espaço protegido. É programação desenhada para quem a Assistência Social já atende — não para o público geral —, o que a diferencia de eventos comemorativos.

Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o tema escolhido diz o que a Secretaria vê. "Lutam, conquistam e se cuidam — na ordem. A mulher que chega ao Cras de Araras luta por renda e por filho; a que chega ao Creas fugiu de agressor; a idosa do grupo de convivência conquistou a velhice e precisa se cuidar. Mirian Vanessa montou o Mês da Mulher para elas, não para a foto na praça. Seis datas, três públicos, escuta e convivência como objetivo. É o trabalho de base que o Agosto Lilás e a Patrulha Maria da Penha, na segurança, completam do outro lado. Araras prende agressor e acolhe vítima; o mês de março é do acolhimento", avalia.

Abertura na Praça Barão: o evento aberto

A tarde de 5 de março, das 13h às 15h30, foi o único momento público da programação — com as famílias do SCFV da OSAF, atividades, orientação sobre direitos, serviços de beleza e saúde, e presença das equipes dos Cras; é o formato que leva a Assistência Social ao centro e informa a mulher que passa sobre onde buscar ajuda.

Idosas do SCFV: convivência e autocuidado

Os grupos de convivência de idosas — Despertar para Vida, Rosa Esperança, Primavera, Casa Esperança — reúnem centenas de mulheres acima de 60 anos em atividades semanais; no Mês da Mulher, receberam oficinas de autocuidado, saúde e memória, com foco em autoestima e vínculo. É o público que mais participa e que mais responde à convivência como prevenção de isolamento e depressão.

Mulheres do PAIF: renda e autonomia

As acompanhadas pelo PAIF são, em maioria, chefes de família do CadÚnico — Bolsa Família, cursos do Fuss, encaminhamento ao PAT; as ações de março trabalharam direitos, autonomia econômica e rede de apoio, com orientação sobre a Escola de Qualificação e os feirões de emprego. É a ponte entre assistência e trabalho.

Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a ação do Creas é a que exige mais cuidado. "Mulher vítima de violência, acompanhada pelo PAEFI, não vai a evento na praça — vai ao Creas, em horário reservado, com a técnica que a atende. O Mês da Mulher de Araras previu isso: ação específica, sem exposição, com o CMDM e a Delegacia da Mulher na retaguarda. É o oposto do evento de fachada. Mirian Vanessa e as equipes fizeram programação por público, o que é técnica de assistência social e não de marketing. A cidade que prendeu dois agressores em três dias em setembro tem Creas trabalhando em março. É o ciclo completo", observa.

Vítimas de violência: o PAEFI

O Serviço de Proteção e Atendimento Especializado acompanha mulheres com medida protetiva, vítimas de violência doméstica e sexual, e suas famílias — atendimento psicossocial, articulação com Delegacia da Mulher, Patrulha Maria da Penha, Ministério Público e abrigo quando necessário; a ação de março no Creas reforçou direitos, rede e plano de segurança. É o público invisível do Mês da Mulher e o mais importante.

OSAF: a entidade parceira

A Organização Social de Assistência à Família, entidade conveniada que executa o SCFV para famílias em Araras, levou seus grupos à abertura na praça — modelo de parceria entre Prefeitura e terceiro setor no SUAS, com repasse e fiscalização do Conselho de Assistência Social.

Violência contra a mulher em Araras: o contexto

Araras registra centenas de boletins de violência doméstica por ano e dezenas de medidas protetivas em vigor, com prisões por descumprimento quase semanais — duas em três dias em setembro —, e a Delegacia da Mulher, a Patrulha Maria da Penha da GCM, o Creas e o CMDM formam a rede de resposta; o Agosto Lilás, com blitz educativa, e o Mês da Mulher, com escuta no Creas, são as duas campanhas anuais que a Prefeitura mantém. O PAEFI acompanha as vítimas após a ocorrência policial, quando o risco de nova agressão é maior, e é nesse serviço que a ação de março se concentrou.

8 de março: a data e o mês

O Dia Internacional da Mulher, instituído em 1975 pela ONU, virou no Brasil mês de ações públicas — Março Lilás pelo câncer de colo de útero, campanhas de direitos, eventos da Assistência e da Saúde; Araras integra o calendário com a Assistência Social na base e o CMDM na articulação. O Agosto Lilás, pela Lei Maria da Penha, é a outra ponta do ano.

CMDM: o conselho da mulher

O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, presidido por Ana Carla Tozzo, delibera sobre a política municipal para mulheres e realizou audiência pública em 2026; o Mês da Mulher da Assistência Social dialoga com o conselho e com a Secretaria de Saúde — mamografia e Papanicolau no Sábado com Saúde — para cobrir direitos, proteção e saúde.

Autocuidado: saúde e autoestima como direito

Incluir autocuidado e autoestima nos objetivos — ao lado de direitos e igualdade — segue a diretriz do SUAS de que proteção social passa por saúde mental e vínculo: oficinas de beleza, roda de conversa sobre corpo e saúde, orientação sobre Papanicolau e mamografia no Sábado com Saúde. Para mulheres sobrecarregadas pelo cuidado dos outros, é a única tarde do mês dedicada a si.

Resultados esperados

Participação social ampliada, escuta qualificada e protagonismo no território — os três resultados que a secretária enunciou — são medidos pela adesão aos grupos, pelos encaminhamentos gerados e pela continuidade das mulheres nos serviços após março. É o indicador que a Assistência acompanha ao longo do ano.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a programação é modelo de como fazer data comemorativa com serviço. "Seis dias em março, três públicos, Cras e Creas, tema que fala de luta, conquista e cuidado. Não é festa — é atendimento com data. A mulher idosa do grupo, a mãe do Bolsa Família, a vítima com medida protetiva: cada uma teve seu momento, com sua técnica, no seu espaço. Mirian Vanessa entrou em janeiro e em março já entregou o Mês da Mulher desse jeito. É a diferença entre celebrar a mulher e trabalhar por ela. Araras fez o segundo", analisa.

A programação do Mês da Mulher 2026 da Secretaria Municipal de Assistência Social de Araras foi aberta em 5 de março de 2026, na Praça Barão de Araras, com ações nos Cras e no Creas ao longo do mês, sob o tema "Mulheres que lutam, conquistam e se cuidam".