Visando a segurança e o conforto das pessoas com deficiência na Festa do Peão 2026 de Araras, o Comdef — Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência — vistoriou as estruturas de acessibilidade do recinto montado no Parque Ecológico e Cultural Gilberto Rüegger Ometto. A vistoria foi feita pelos conselheiros Edson Roberto Cândido, Antônio Carlos Remédio — cadeirante —, Cristian Diego Sentinella e Felipe Quaresma, que testaram presencialmente as rampas de acesso, o espaço reservado para PcDs e a localização dos sanitários químicos adaptados. As informações são do portal Notícias de Araras.

"Acessibilidade não é favor nem privilégio, é cumprimento rigoroso da lei e respeito à dignidade humana. Estamos em campo para somar com a organização e garantir que a pessoa com deficiência assista ao show com segurança, autonomia e conforto", destacou Edson Cândido, presidente do Comdef. Além dos testes, o conselho formalizou junto à organização e aos órgãos competentes os ajustes finais — readequação do ângulo de inclinação da rampa de acesso e reforço da sinalização das vagas de estacionamento para deficientes —, "reafirmando o compromisso de fiscalizar o evento do início ao fim". "Queremos que a experiência dos PcDs na Festa seja digna e respeitosa", completou. Com realização do Clube dos Cavaleiros de Araras, a Festa do Peão 2026 aconteceu de quinta (13) a domingo (16 de agosto), no Parque Ecológico.

Festa do Peão: o maior evento do ano

A Festa do Peão de Araras, organizada pelo Clube dos Cavaleiros, reúne dezenas de milhares de pessoas em quatro noites de rodeio, shows sertanejos e praça de alimentação no Parque Ecológico — é o evento de maior público da cidade e um dos maiores da região, com estrutura temporária de arena, arquibancadas, palco e camarotes montada em semanas. Estruturas provisórias são, justamente, as que mais falham em acessibilidade: rampa improvisada íngreme demais, banheiro adaptado longe, vaga reservada sem sinalização. A vistoria prévia do Comdef, com um cadeirante testando, é a forma de corrigir antes de o público chegar — e foi a primeira vez que o conselho a fez de modo formal, com ajustes documentados.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a vistoria é o conselho funcionando como deve. "Quatro conselheiros, um deles em cadeira de rodas, foram ao Parque Ecológico antes da festa e subiram a rampa. Descobriram que a inclinação estava errada e a vaga mal sinalizada — e mandaram corrigir por escrito. Não é reclamação depois; é fiscalização antes. Edson Cândido disse a frase que resume: não é favor, é lei. A Festa do Peão é do Clube dos Cavaleiros, mas o parque é público e o alvará é da Prefeitura. Comdef com fundo regulamentado em fevereiro e vistoria em agosto é conselho que saiu da sala de reunião. Que faça o mesmo no Arraial, no JEMA e no Circuito Sesc", avalia.

Rampa: a inclinação que a norma exige

A NBR 9050, norma de acessibilidade da ABNT, limita a inclinação de rampas a 8,33% — um metro de subida a cada 12 de comprimento — com patamares, corrimãos e piso antiderrapante; rampas de evento, montadas em madeira ou metal sobre desnível de arquibancada, frequentemente ultrapassam 12% ou 15%, o que impede cadeirante de subir sozinho ou torna a descida perigosa. A "readequação do ângulo" exigida pelo Comdef é a correção mais comum e mais ignorada em festas.

Espaço reservado e visibilidade

A lei exige área reservada para PcDs com acompanhante, em local com visibilidade do palco e da arena, acesso por rota acessível e proximidade de sanitário adaptado; espaço reservado no fundo, atrás da multidão, é descumprimento. O conselho verificou localização e rota — itens que definem se a pessoa com deficiência assiste ao show ou só entra no recinto.

Sanitários químicos adaptados

Banheiros químicos acessíveis — maiores, com barra de apoio e porta larga — devem estar em quantidade proporcional e próximos ao espaço reservado; a vistoria conferiu a localização. É item que organizadores costumam locar em número mínimo e posicionar mal.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, Antônio Carlos Remédio na vistoria é o detalhe que faz diferença. "Engenheiro pode medir rampa; só cadeirante sabe se sobe. Levar o conselheiro cadeirante ao parque para testar é o método que a Lei Brasileira de Inclusão chama de 'nada sobre nós sem nós'. O Comdef de Araras aplicou. E formalizou os ajustes com a organização e os órgãos — Prefeitura, Bombeiros, Vigilância — para que a correção não dependesse de boa vontade. Festa do Peão com rampa certa e vaga sinalizada é festa que 10 mil ararenses com deficiência podem frequentar. Edson Cândido está fazendo o conselho valer — com fundo, com vistoria, com lei na mão", observa.

Vagas de estacionamento: a sinalização

Vagas reservadas exigem sinalização vertical e horizontal, dimensões maiores e faixa de circulação; em evento com milhares de veículos, vaga sem placa é ocupada em minutos. O reforço exigido pelo conselho — e a fiscalização do Demutran — garante que a reserva exista de fato.

Lei Brasileira de Inclusão: a base

A Lei 13.146/2015 obriga eventos públicos e privados abertos ao público a garantir acessibilidade — rotas, assentos, sanitários, comunicação — e responsabiliza organizador e poder público licenciador; o Comdef fiscaliza em nome do município e pode acionar o Ministério Público. A vistoria formalizada é o instrumento que dá força à cobrança.

Alvará de evento: onde a acessibilidade entra

Eventos com público em espaço público ou privado precisam de alvará municipal, com vistoria de Bombeiros — saídas, extintores, lotação —, Vigilância Sanitária — alimentação, banheiros — e, pela Lei Brasileira de Inclusão, atendimento aos requisitos de acessibilidade; na prática, a checagem de rampas e vagas fica a cargo da organização e raramente é conferida antes da abertura. A vistoria do Comdef preenche essa lacuna e cria o precedente para que a Prefeitura condicione o alvará de grandes eventos ao parecer do conselho — medida que o Comdef pretende propor e que a reunião de conselhos com a prefeita, em 24 de agosto, incluiu na pauta de atualização de leis.

Clube dos Cavaleiros: a organização

Entidade tradicional de Araras, o Clube dos Cavaleiros realiza a Festa do Peão há décadas, com receita revertida a projetos sociais e ao rodeio; recebeu os ajustes do Comdef e os executou antes da abertura, segundo o conselho. A parceria com o Comdef tende a virar rotina nas próximas edições.

Do início ao fim: a fiscalização contínua

O conselho comprometeu-se a acompanhar as quatro noites — verificar se as correções foram mantidas, se o espaço reservado foi respeitado, se os sanitários ficaram acessíveis —, com relatório à organização e ao Comdef. É o modelo que transforma vistoria em política permanente de eventos.

Outros eventos: o precedente

Arraial no Parque Ecológico, Circuito Sesc na praça, JEMA no ginásio, Semana da Pátria na Dona Renata — todos com público e estrutura temporária; a vistoria da Festa do Peão cria o precedente para que o Comdef seja consultado antes de cada evento licenciado pela Prefeitura.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a notícia é pequena e muda a experiência de muita gente. "Uma rampa com o ângulo certo e uma vaga sinalizada — é o que separa o cadeirante que vai ao show do que fica em casa. O Comdef foi lá, testou, exigiu, formalizou. É fiscalização preventiva, gratuita e eficaz. Araras tem mais de 10 mil pessoas com deficiência e uma Festa do Peão que é o maior evento do ano; juntar os dois é o trabalho do conselho. Edson Cândido, Antônio Carlos Remédio, Cristian Sentinella e Felipe Quaresma fizeram. Que a Prefeitura de Elaine exija a vistoria em todo alvará de evento", analisa.

A vistoria de acessibilidade do Comdef na Festa do Peão 2026 de Araras foi realizada antes da abertura do evento, que aconteceu de 13 a 16 de agosto de 2026 no Parque Ecológico e Cultural Gilberto Rüegger Ometto, com realização do Clube dos Cavaleiros de Araras.