O Fundo Social de Solidariedade de Araras realizou no sábado (23 de maio) o Dia D da Campanha do Agasalho 2026, no Ginásio de Esportes Nelson Rüegger, com arrecadação de 518,8 kg de roupas, acessórios e cobertores. A então primeira-dama e presidente do Fuss, Áurea Bolli Maretto, esteve presente: "Agradecemos a colaboração da população que doou e também dos atiradores do Tiro de Guerra de Araras que estiveram presentes ajudando a equipe do Fundo Social." As informações são do portal Notícias de Araras.

Os itens passam por triagem — verificação do estado das peças e separação por tamanho — e depois seguem aos pontos de distribuição para famílias em vulnerabilidade social. A campanha continua até o fim de julho, com mais de 50 pontos de coleta em escolas, supermercados, empresas, comércios, associações, condomínios residenciais e prédios públicos — entre eles as EMEFs Maria Terezinha Pires Barbosa Ulson e Maria Zélia Padovani Martins Pereira e as EMEIs Dona Manoela Lacerda de Vergueiro e Francisca Maria Mendes Marques.

518 kg: o que representa

Meia tonelada de roupas e cobertores corresponde a milhares de peças — um cobertor pesa cerca de um quilo; um casaco, meio — o que sugere entre mil e dois mil itens arrecadados num sábado. Somada à coleta de dois meses nos pontos espalhados pela cidade, a campanha de 2026 deve chegar a várias toneladas, distribuídas por Cras, entidades e pelo próprio Fuss a famílias cadastradas. O Dia D é o pico visível; a coleta contínua é o volume.

Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a campanha funciona pela capilaridade. "Cinquenta pontos de coleta — escola, supermercado, condomínio, prédio público — é o que faz a Campanha do Agasalho de Araras arrecadar toneladas, e não só o que cabe num sábado no ginásio. A caixa na entrada da EMEI recebe a roupa que a mãe traz quando busca o filho; a do supermercado, a que o cliente lembrou de levar. O Dia D é o evento; a rede é a política. E a triagem — separar por tamanho, descartar o que não serve — é o trabalho invisível que garante que a família receba casaco que veste, não saco de roupa velha", avalia.

Tiro de Guerra: os atiradores na campanha

Os atiradores do Tiro de Guerra 02-053 — jovens de 18 anos em serviço militar — apoiaram a recepção, carga e organização das doações no Ginásio, como fazem em eventos cívicos e campanhas da cidade. É a face comunitária do TG: além da formação militar, os atiradores participam de ações sociais do município, o que integra a unidade do Exército à vida local. A presença deles no Dia D foi destacada pela presidente do Fuss.

Triagem: o cuidado com a doação

Nem toda peça doada serve: roupas rasgadas, sujas ou fora de condição são descartadas ou destinadas a reciclagem têxtil; as aproveitáveis são separadas por gênero, tamanho e tipo — infantil, adulto, agasalho, cobertor. O trabalho é feito por equipe do Fuss e voluntários dos grupos da terceira idade, no CAM Antonio Casadei, e leva semanas. A distribuição começa em junho, com o frio, e prioriza famílias do CadÚnico, pessoas em situação de rua e abrigos.

Inverno em Araras: quem precisa

O inverno no interior paulista traz madrugadas abaixo de 10°C e, em anos de frente fria intensa, próximas de zero — em julho de 2026, a Defesa Civil alertou para ventos de 90 km/h e queda de temperatura. Famílias em casas sem isolamento, pessoas em situação de rua e idosos sozinhos são os mais expostos; cobertores e agasalhos são a resposta imediata, e a campanha é dimensionada para chegar antes do pico do frio.

Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a campanha de 2026 tem um marco a mais. "Foi a última Campanha do Agasalho com Áurea Maretto como primeira-dama — um mês depois, o prefeito morreu, e ela seguiu no Fuss como presidente, agora sem o título. A campanha não mudou: 50 pontos, Dia D no ginásio, triagem, distribuição. É o que a Prefeitura de Araras acertou na transição — manter quem tocava o Fundo Social. As famílias que receberam cobertor em junho não souberam da política por trás. E é assim que deve ser", observa.

Escolas como pontos de coleta

As EMEFs e EMEIs listadas pela Prefeitura — Maria Terezinha Ulson, Maria Zélia Padovani (o CAIC), Dona Manoela Lacerda de Vergueiro, Francisca Maria Mendes Marques e outras — são os pontos de coleta de maior rendimento: milhares de famílias passam pela porta da escola todo dia, e a caixa na entrada recebe doações sem esforço. Para as crianças, a campanha é também aula de solidariedade — professores trabalham o tema em sala, e a arrecadação por turma vira atividade pedagógica. É a razão de a Secretaria de Educação ser parceira permanente do Fuss.

Cobertores: o item que mais falta

De tudo o que se arrecada, o cobertor é o item mais escasso e mais necessário: pouca gente tem cobertor sobrando, e é o que mais protege em madrugadas frias, especialmente para pessoas em situação de rua. O Fuss costuma complementar a arrecadação com compra de cobertores novos, com recursos próprios ou de parceiros, para garantir o atendimento. Quem quer doar com impacto máximo doa cobertor.

Pessoas em situação de rua: a prioridade do frio

Nas noites mais frias, a Assistência Social de Araras faz abordagem de rua com distribuição de cobertores e encaminhamento a abrigo — o Centro Pop e serviços de acolhimento. Parte do que a campanha arrecada abastece essas equipes. A morte por hipotermia de pessoas em situação de rua, registrada em cidades paulistas em invernos rigorosos, é o risco que a campanha e a abordagem tentam evitar.

Pontos de coleta: onde doar

Mais de 50 pontos com caixas identificadas: escolas municipais — EMEFs e EMEIs listadas pela Prefeitura —, supermercados, empresas, comércios, associações, condomínios e prédios públicos como o CAM, o Ganha Tempo e a Câmara. A lista completa está no site da Prefeitura e nas redes do Fuss. Doar é deixar a peça limpa e em bom estado na caixa.

O que doar — e o que não

Agasalhos, calças, meias, cobertores, mantas, toucas, luvas e calçados em bom estado, limpos. Roupas de verão, peças danificadas e itens sujos não são aproveitados e sobrecarregam a triagem. Cobertores e casacos infantis são os itens mais escassos; peças masculinas adultas, as mais demandadas por pessoas em situação de rua.

Triagem pelos grupos da terceira idade

A separação das doações por tamanho e estado é feita, em boa parte, por voluntárias dos grupos da terceira idade do Fuss, no CAM Antonio Casadei — as mesmas que montam os kits do Enxoval Solidário e frequentam os bailes do Centro de Convivência. É trabalho de semanas, em mesas de triagem, que transforma sacos de doação em lotes organizados por gênero, idade e tipo de peça. Sem essa etapa, a distribuição seria caótica; com ela, cada família recebe o que veste.

Distribuição: como chega às famílias

As peças triadas vão aos Cras, que atendem famílias referenciadas; ao Centro Pop e serviços para pessoas em situação de rua; a entidades parceiras — asilos, abrigos, comunidades terapêuticas — e ao próprio Fuss, que atende demandas pontuais. Famílias em vulnerabilidade podem procurar o Cras de sua região ou o Fuss no CAM Antonio Casadei.

Fuss: o calendário de 2026

Campanha do Agasalho de maio a julho; Enxoval Solidário o ano todo; óculos para o CadÚnico; festas dos grupos da terceira idade; leite arrecadado nas corridas de rua; cestas verdes; apoio a famílias em emergência. É a agenda do Fundo Social — o braço complementar da Assistência Social que atende o que os programas formais não cobrem.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a meia tonelada é o número certo para lembrar do que importa. "Quinhentos e dezoito quilos de roupa num sábado, mais dois meses de caixa em 50 lugares, mais triagem por idosas voluntárias, mais distribuição por Cras. É solidariedade organizada — o que separa campanha de gesto. Araras faz todo ano, e o frio de julho encontra cobertor na casa de quem não tinha. Quem doou no Dia D ou na caixa da escola fez a parte fácil. O Fuss fez a difícil: garantir que a roupa certa chegou à pessoa certa antes da frente fria", analisa.

O Dia D da Campanha do Agasalho 2026 do Fuss de Araras foi realizado em 23 de maio, no Ginásio de Esportes Nelson Rüegger, com 518,8 kg arrecadados. A campanha seguiu até o fim de julho em mais de 50 pontos de coleta na cidade.