O Fundo Social de Solidariedade de Araras promoveu um baile de Dia das Mães para os grupos da terceira idade na terça (12) e na quarta-feira (13 de maio), no Centro de Convivência da Terceira Idade Hilda Masson Bordin Maretto, a antiga AABB. O então prefeito Irineu Maretto esteve presente, e a festa foi animada pela Orquestra de Violeiros de Araras. "É muito importante proporcionar esses momentos de diversão e alegria para os idosos que fazem parte dos nossos grupos. Nosso objetivo é promover interação e qualidade de vida", disse a presidente do Fuss e então primeira-dama, Áurea Bolli Maretto. Mais de 250 pessoas participaram. As informações são do portal Notícias de Araras.

Quem quiser fazer parte dos grupos da terceira idade pode comparecer nos dias de reunião, sem cadastro nem carteirinha. O Fuss também realiza, em parceria com os grupos, o Enxoval Solidário — arrecadação de fraldas, roupinhas, sapatinhos, mantas e itens de higiene para kits de recém-nascidos; em 2026, já foram entregues 33 kits. Doações no CAM Antonio Casadei, Avenida Zurita, 681, Jardim Belvedere, de segunda a sexta, das 8h às 16h.

O baile: dois dias, 250 pessoas

Como na festa dos pais de agosto, a celebração das mães foi dividida em dois dias para acomodar os diferentes grupos que frequentam o Centro de Convivência — e para que o salão não lotasse. A Orquestra de Violeiros, com moda de viola e sertanejo de raiz, é a trilha das festas do Fuss; o baile é o formato preferido dos grupos, que têm a dança como atividade regular. Foi uma das últimas participações públicas do prefeito Maretto em evento do Fundo Social — ele morreu seis semanas depois.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a festa de maio ganhou outro sentido em retrospecto. "O prefeito foi ao baile das mães no Centro que leva o nome da mãe dele, ao lado da mulher, que preside o Fuss. Seis semanas depois, morreu. A foto de 13 de maio virou memória. E os grupos continuaram — a festa dos pais em agosto teve 300 pessoas, com a prefeita Elaine no lugar dele e Áurea no mesmo posto. É a política de convivência do idoso que atravessa o luto da cidade: o baile não parou, porque o idoso precisa dele toda semana, independentemente de quem está na Prefeitura", avalia.

Sem cadastro: a porta aberta

A regra de que qualquer idoso pode entrar num grupo comparecendo ao dia de reunião — sem cadastro, sem carteirinha — é o que diferencia os grupos do Fuss de programas burocratizados: a barreira de entrada é zero. Isso explica o crescimento que Áurea Maretto relata a cada festa e a lotação do Centro de Convivência em dias de baile. Para o idoso isolado, é só aparecer.

Enxoval Solidário: os idosos que ajudam bebês

O Enxoval Solidário é o projeto em que os grupos da terceira idade arrecadam e montam kits para recém-nascidos de famílias em vulnerabilidade — fraldas, roupas, mantas, itens de higiene —, entregues pelo Fuss a gestantes encaminhadas pelo Cras e pela Saúde. Os 33 kits de 2026 até maio vieram desse trabalho: idosas costurando e organizando doações para mães que não conhecem. É solidariedade intergeracional em forma de política pública.

Centro de Convivência: o nome

O Centro de Convivência da Terceira Idade leva o nome de Hilda Masson Bordin Maretto, mãe do prefeito — homenagem aprovada quando a antiga sede da AABB foi convertida em equipamento público. A convivência, a ginástica, os bailes e as festas de datas comemorativas fazem dele o principal espaço para idosos da cidade.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o Enxoval Solidário é o detalhe que dá sentido ao baile. "Duzentas e cinquenta idosas dançando ao som de viola é bonito — e é saúde. Mas o que faz dos grupos do Fuss política social, e não só lazer, é que essas mesmas idosas montam 33 enxovais por ano para bebês de mães pobres. O idoso que ajuda não é o idoso assistido; é o cidadão ativo. Áurea Maretto entendeu isso e juntou as duas pontas — a avó e o recém-nascido — no mesmo programa. O baile é o pretexto para o grupo existir; o enxoval é o que o grupo produz", observa.

Dia das Mães no calendário do Fuss

O Fuss mantém calendário anual de festas dos grupos — Dia das Mães em maio, Festa Junina, Dia dos Pais em agosto, Dia do Idoso em outubro, Natal em dezembro — que estrutura o ano da convivência. Cada festa é também momento de arrecadação: no Dia das Mães, itens para o Enxoval; na festa dos pais, doações para a Campanha do Agasalho, que estava em curso.

Campanha do Agasalho: o mês de maio

Dez dias depois do baile, o Fuss realizou o Dia D da Campanha do Agasalho 2026 no Ginásio Nelson Rüegger, com 518,8 kg de roupas, acessórios e cobertores arrecadados e apoio do Tiro de Guerra. A campanha seguiu até o fim de julho, com mais de 50 pontos de coleta em escolas, supermercados, empresas e prédios públicos. Os grupos da terceira idade participam da triagem das doações.

Orquestra de Violeiros: a trilha de sempre

A Orquestra de Violeiros de Araras é presença fixa nas festas do Fuss — Dia das Mães, Dia dos Pais, Festa Junina — e em eventos cívicos e religiosos da cidade. Formada por violeiros da cidade e da região em torno da viola caipira, toca o repertório de moda de viola, cateretê e sertanejo de raiz que o público da terceira idade cresceu ouvindo. Para os grupos do Centro de Convivência, é a música que faz o baile: todos conhecem as letras, e a dança de salão ao som de viola é a atividade mais concorrida das festas.

Dança e saúde: por que o baile importa

A dança de salão é uma das atividades físicas mais recomendadas para idosos: trabalha equilíbrio, coordenação, memória — pela sequência de passos — e condicionamento, com baixo impacto e alta adesão, porque é prazerosa e social. Estudos associam a dança regular a menor risco de quedas e de declínio cognitivo. Os bailes do Fuss são, nesse sentido, sessão de fisioterapia coletiva disfarçada de festa — e o formato de dois dias garante que todos os grupos dancem.

Gestantes: para onde vai o enxoval

Os kits do Enxoval Solidário são entregues a gestantes em situação de vulnerabilidade encaminhadas pelo Cras e pela rede de saúde — em geral, mães sem renda para o enxoval básico, muitas vezes adolescentes ou em primeiro filho. O kit inclui fraldas, body, macacão, manta, sapatinhos e itens de higiene, suficientes para as primeiras semanas. Os 33 kits de 2026 até maio chegaram a esse público via assistência social; a meta do Fuss é atender toda gestante encaminhada.

Como participar

Grupos da terceira idade: comparecer ao Centro de Convivência Hilda Masson Bordin Maretto nos dias de reunião, sem cadastro. Enxoval Solidário: doar itens no CAM Antonio Casadei, Avenida Zurita, 681, Jardim Belvedere, de segunda a sexta, das 8h às 16h, ou entrar em contato com o Fuss. Gestantes em vulnerabilidade são encaminhadas pelo Cras.

Envelhecimento ativo: a política

A Política Nacional do Idoso e a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa recomendam centros de convivência como estratégia de envelhecimento ativo — prevenção de isolamento, depressão e declínio funcional. Araras, com o Centro e os grupos do Fuss, aplica a diretriz com estrutura própria e crescimento de público a cada ano; o Jomi, em junho, com 41 atletas da melhor idade, é o braço esportivo da mesma política.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a notícia do baile é sobre continuidade. "Maio, 250 idosos, viola, prefeito presente. Agosto, 300 idosos, viola, prefeita presente. Entre um e outro, a cidade perdeu o prefeito e manteve o Fuss. Os grupos da terceira idade de Araras são a política pública mais estável do município porque dependem de quem frequenta, não de quem governa. Áurea Maretto ficou; Elaine Brambilla apoiou; a Orquestra de Violeiros tocou. O idoso que dançou em maio dançou em agosto. É assim que se mede se uma política é da cidade ou do governo", analisa.

O baile de Dia das Mães dos grupos da terceira idade do Fuss de Araras foi realizado em 12 e 13 de maio de 2026, no Centro de Convivência Hilda Masson Bordin Maretto, com mais de 250 participantes. O Enxoval Solidário havia entregue 33 kits em 2026 até então.