A Secretaria Municipal de Saúde de Araras realiza, durante o Julho Amarelo — mês de conscientização sobre as hepatites virais —, testes rápidos e gratuitos para diagnóstico da doença nas unidades de saúde da cidade e no SAE/CTA, o Serviço de Atendimento Especializado e Centro de Testagem e Aconselhamento, na Rua Francisco Paulo Russo, 119, na Vila Bressan. Os números locais mostram por que a testagem importa: Araras registrou 22 casos de hepatite em 2024 (15 do tipo C e 7 do tipo B), 33 em 2025 (29 do tipo C e 4 do tipo B) e 8 no primeiro semestre de 2026 (7 do tipo C e 1 do tipo B). A hepatite C responde, portanto, pela grande maioria dos diagnósticos. As informações são do portal Notícias de Araras.

"Os testes rápidos são simples, acessíveis e os resultados são entregues em poucos minutos, diferente de exames laboratoriais tradicionais, que podem levar dias", explicou a coordenadora do SAE/CTA, Bruna Martins Batistela. "Além das hepatites tipos B e C, os testes rápidos permitem detectar os vírus HIV e da sífilis, em aproximadamente 30 minutos, com uma simples coleta de sangue. Os testes podem ser feitos por qualquer pessoa."

Por que a hepatite C domina

A predominância da hepatite C nos diagnósticos de Araras — 29 dos 33 casos de 2025 — segue o padrão nacional e tem explicação histórica. O vírus C se transmite pelo sangue e, antes de 1993, quando os testes em bancos de sangue passaram a detectá-lo, muitas pessoas foram infectadas por transfusões; outras vias incluem compartilhamento de seringas, materiais de manicure e tatuagem não esterilizados e, mais raramente, relação sexual. Como a infecção é silenciosa por décadas, a maioria dos casos diagnosticados hoje é de pessoas com mais de 40 anos que se infectaram há muito tempo e só descobrem quando fazem o teste — ou quando o fígado já está comprometido.

A hepatite B, com vacina disponível no SUS desde os anos 1990 para todas as idades, tende a cair nas coortes vacinadas; os casos que persistem são, em geral, de adultos não vacinados ou de transmissão sexual.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, os números de Araras são um argumento pela testagem. "Trinta e três casos em 2025, contra 22 em 2024, não significa necessariamente mais gente doente — significa mais gente testada. Hepatite C é assim: quanto mais se procura, mais se acha, porque a doença estava lá, escondida, há vinte anos. E achar é bom, porque hoje ela tem cura. Cada um dos 29 diagnosticados em 2025 é uma cirrose ou um câncer de fígado evitado. O teste de 30 minutos no SAE é a diferença", avalia.

Uma doença que não avisa

A hepatite é a inflamação do fígado, causada por vírus ou por medicamentos, álcool, outras drogas, doenças autoimunes, metabólicas ou genéticas. Nem sempre apresenta sintomas — e é esse o problema: quando aparecem, manifestam-se como cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. A icterícia, o "amarelão" que dá nome à campanha, é sinal de doença já avançada. A hepatite C crônica pode evoluir por 20 ou 30 anos sem sintoma até causar cirrose ou câncer de fígado. Por isso o teste é recomendado a todos os adultos ao menos uma vez na vida, independentemente de sintomas.

Hepatite C tem cura

O dado que muda a percepção da doença é recente: desde 2015, o SUS oferece medicamentos antivirais de ação direta que curam a hepatite C em mais de 95% dos casos, com tratamento oral de 8 a 12 semanas e poucos efeitos colaterais — uma revolução em relação aos tratamentos antigos, longos e mal tolerados. O diagnóstico, portanto, não é sentença; é a porta para a cura. É o argumento central da campanha: quem testa e descobre a infecção trata e se cura antes que o fígado sofra.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, essa informação deveria estar em toda UBS. "Muita gente não faz o teste por medo do resultado — acha que hepatite é para sempre. A C não é: tem remédio de graça, por três meses, e cura. O SAE de Araras faz o teste em meia hora. A campanha do Julho Amarelo serve para dizer isso a quem ainda não sabe: o medo do teste é o que mata, não o vírus", observa.

Quatro doenças, um teste

A coleta de sangue do teste rápido no SAE/CTA e nas UBS detecta, além das hepatites B e C, o HIV e a sífilis — as quatro infecções que compõem a rotina de testagem do SUS. É uma oportunidade de triagem ampla: a pessoa que vai por causa do Julho Amarelo sai com o status das quatro doenças, todas tratáveis quando diagnosticadas cedo. O aconselhamento antes e depois do teste, feito por profissionais treinados, é parte do serviço e garante sigilo.

HIV e sífilis: os outros dois resultados

O mesmo teste que detecta as hepatites B e C rastreia HIV e sífilis — e, no Brasil, a sífilis é a infecção que mais cresce entre as quatro. Os casos de sífilis adquirida aumentaram de forma contínua na última década, e a sífilis congênita, transmitida da gestante ao bebê, segue como problema de saúde pública apesar de ter tratamento simples e barato, com penicilina. O HIV, por sua vez, tem diagnóstico e tratamento que permitem à pessoa viver com carga viral indetectável — e, portanto, sem transmitir. Testar as quatro infecções de uma vez, com aconselhamento, é a forma mais eficiente de rastreamento que o SUS oferece.

Onde e quando testar

Os testes rápidos estão disponíveis no SAE/CTA, na Rua Francisco Paulo Russo, 119, na Vila Bressan, e nas unidades básicas de saúde de Araras, que funcionam de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 15h30 — entre elas o Centro de Saúde João Geraldo Noronha, no Jardim Belvedere; a ESF Dr. Edmundo Ulson, no Parque Tiradentes; o PAM Ênio Vitali, no Jardim Piratininga; a UBS Antônio Simões Pontes, no Jardim Aeroporto; a UBS Antônio Carlos Fabricio, no José Ometto I; a UBS Oswaldo Salvador Devitte, no Narciso Gomes; a ESF Francisco Cascelli, no Parque das Árvores; e a ESF Vital Pacífico Homem, no José Ometto IV. Não é preciso agendar nem apresentar encaminhamento; basta documento e cadastro na rede municipal.

Julho Amarelo: a campanha

A campanha nacional de conscientização, prevenção e controle das hepatites virais foi instituída pela Lei Federal 13.802, de 2019. A cor amarela alude à icterícia, e o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais é celebrado em 28 de julho. Em Araras, a campanha se traduz em testagem ampliada nas unidades e no SAE/CTA, com divulgação nos canais da Prefeitura. Informações pelos telefones 3543-1522, da Secretaria da Saúde, e 3544-2064, fixo e WhatsApp do SAE/CTA.

Prevenção: vacina, sangue e agulha

A hepatite B se previne com vacina — três doses, disponíveis no SUS para todas as idades. A hepatite C não tem vacina; a prevenção é evitar contato com sangue contaminado: não compartilhar seringas, lâminas, alicates de unha e materiais de tatuagem e piercing; exigir esterilização em salões e estúdios; usar preservativo. Quem recebeu transfusão de sangue antes de 1993 ou fez hemodiálise deve fazer o teste mesmo sem qualquer sintoma.

SAE/CTA: o serviço que testa e trata

O SAE/CTA de Araras é a referência municipal para infecções sexualmente transmissíveis, HIV e hepatites: faz o teste, o aconselhamento, o encaminhamento para exames confirmatórios e o acompanhamento do tratamento — inclusive a dispensação dos antivirais para hepatite C, que chegam pelo Ministério da Saúde. Ter o serviço na própria cidade evita que o paciente dependa de deslocamento a centros regionais para tratar.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a campanha deveria mirar quem nunca testou. "Oito casos no primeiro semestre de 2026, contra 33 no ano passado inteiro, pode ser boa notícia — ou pode ser menos gente testando. A única forma de saber é ampliar a testagem: mutirão na Festa do Peão, teste na empresa, na igreja, no Cras. O SAE tem o teste e o remédio; o que falta é a pessoa que se infectou em 1990 saber que precisa ir lá. É comunicação, não estrutura", analisa.

Os testes rápidos de hepatites B e C, HIV e sífilis são gratuitos e estão disponíveis nas unidades de saúde de Araras e no SAE/CTA, na Rua Francisco Paulo Russo, 119, na Vila Bressan, durante todo o ano.