A Campanha de Multivacinação nas escolas de Araras, para crianças e jovens de 9 a 15 anos, seguiu até sexta-feira (21 de agosto) em mais três unidades — a Emef Padre Hercílio Bertolini, no José Ometto I, na quarta (19); a E.E. Oscar Alves Janeiro, no Bosque de Versalles, na quinta (20); e a E.E. Ignácio Zurita Júnior, no centro, na sexta (21) —, com o objetivo de atualizar carteirinhas, resgatar não vacinados e esquemas incompletos e ampliar a cobertura do município. "Pedimos aos pais que enviem a autorização para a vacinação, além da carteirinha para atualizar. Esses dois documentos são essenciais para que as crianças e jovens possam receber os imunizantes", disse a coordenadora da Vigilância em Saúde, Tavane Anselmo Malaguese. As informações são do portal Notícias de Araras.

Iniciada na semana anterior em três escolas estaduais, a campanha teve baixa demanda: muitos alunos não levaram carteirinha nem autorização. Na E.E. Professora Judith Ferrão Legaspe, no José Ometto II, dos 1.200 alunos apenas 120 foram vacinados — 10%; na E.E. Coronel Justiniano Whitaker de Oliveira, no centro, 60 de 340 — 17,6%; na E.E. Doutor Maximiliano Baruto, no José Ometto I, 75 de 550 — 13,6%. "É uma pena, porque temos as vacinas à disposição, estamos indo até as pessoas para vaciná-las e, ainda assim, tem pais que preferem que seus filhos não sejam imunizados, o que acaba fazendo com que fiquem expostos a doenças que podiam ter sido evitadas", concluiu Tavane.

Por que 9 a 15 anos: as vacinas do adolescente

A faixa de 9 a 15 anos concentra vacinas com cobertura historicamente baixa: HPV — dose única desde 2024, que previne câncer de colo de útero, de pênis e de garganta —, meningocócica ACWY, reforço de tríplice viral, hepatite B, febre amarela, dTpa e a segunda dose da dengue onde aplicável. Adolescente não vai à unidade de saúde; por isso, o Ministério da Saúde recomenda vacinar na escola, com autorização dos pais e carteirinha para registro. A campanha nas escolas de Araras — depois do Dia D de 22 de agosto que imunizou mais de 1.100 pessoas nas unidades — foi a tentativa de alcançar quem a unidade não alcança. O resultado de 10% a 17% nas três primeiras escolas mostra o tamanho do obstáculo.

Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, os números são o dado mais preocupante de saúde do ano em Araras. "Dez por cento na Judith Ferrão: de 1.200 adolescentes, 1.080 saíram sem vacina, com a equipe dentro da escola. Não é falta de dose, de acesso, de horário — é falta de autorização assinada e de carteirinha, e, atrás disso, pais que não querem. Tavane Malaguese foi honesta ao dizer que é uma pena. É mais: é a hesitação vacinal chegando ao interior paulista em escala. HPV é câncer evitável; meningite mata em 24 horas. A Secretaria fez a parte — foi à escola. A Educação precisa fazer a dela: mandar a autorização na agenda, cobrar na reunião de pais, explicar. E a cidade precisa entender que carteirinha vencida de adolescente é problema de todos", avalia.

Autorização e carteirinha: os dois papéis

Menor de idade só é vacinado com autorização por escrito do responsável — exigência legal — e a carteirinha é necessária para conferir o que falta e registrar a dose; sem os dois, a equipe não aplica. Em campanha escolar, a escola envia o formulário na agenda dias antes; a baixa devolução é o gargalo — por esquecimento, desinteresse ou recusa. A Secretaria pediu às escolas seguintes reforço na comunicação.

Judith Ferrão, Justiniano, Baruto: as três primeiras

As três escolas estaduais — a maior delas, a Judith Ferrão, com 1.200 alunos no José Ometto II — abriram a campanha na semana de 10 de agosto; os percentuais de 10%, 17,6% e 13,6% ficaram muito abaixo da expectativa da Vigilância, que esperava ao menos metade dos alunos. É a primeira campanha escolar com resultado publicado por escola em Araras.

Hercílio Bertolini, Oscar Janeiro, Ignácio Zurita: a segunda semana

A Emef municipal do José Ometto I e as estaduais do Bosque de Versalles e do centro receberam as equipes de 19 a 21 de agosto, com reforço do pedido de autorização e carteirinha; a Secretaria não divulgou os resultados até o fechamento, mas indicou que a comunicação prévia foi ampliada.

Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a hesitação vacinal é o fenômeno a enfrentar. "O Brasil caiu de 95% para menos de 80% de cobertura em várias vacinas desde 2016, com desinformação, medo e descaso; adolescente é o grupo mais afetado porque depende do pai lembrar. Araras não é exceção — os 10% da Judith Ferrão provam. A resposta não é só campanha: é informação nas reuniões de pais, é o docente mediador explicando, é o Anjos da Guarda e a Ronda Escolar apoiando, é o Conselho Tutelar sabendo que criança sem vacina é criança em risco. Tavane Malaguese está indo até a escola; a escola precisa ir até o pai", observa.

HPV: a vacina que mais falta

A vacina contra o papilomavírus, dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos, previne os cânceres de colo de útero — que mata milhares de brasileiras por ano — e outros; a cobertura nacional está abaixo de 70% em meninas e de 50% em meninos. É a vacina que mais depende da escola, porque a faixa etária não frequenta a unidade de saúde — e a que mais sofre com recusa por desinformação.

Meningite: o risco silencioso

A meningocócica ACWY, aplicada aos 11 e 12 anos, protege contra formas de meningite que matam em horas e deixam sequelas; surtos em escolas ocorrem periodicamente no estado. Adolescente sem a dose é vulnerável — e transmissor para bebês em casa.

Dia D de 22 de agosto: o contraste

Nas unidades de saúde, o Dia D da Multivacinação imunizou mais de 1.100 pessoas — pais que levaram filhos — e o Sábado com Saúde somou mais de 2 mil procedimentos; na escola, onde a vacina foi até o aluno, a adesão foi de 10% a 17%. O contraste mostra que quem quer vacinar vacina; quem não quer, não assina a autorização.

O que pais precisam saber

As vacinas são gratuitas, seguras, registradas na carteirinha e obrigatórias pelo ECA para matrícula e Bolsa Família; a autorização vai na agenda e volta assinada; a carteirinha pode ser conferida na unidade se estiver perdida. Adolescente vacinado protege a si e a família. A campanha nacional segue até 1º de setembro nas unidades.

Vacina e escola: a lei e a matrícula

O Estatuto da Criança e do Adolescente obriga a vacinação nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias, e a Lei estadual 17.252/2019 exige a apresentação da carteirinha de vacinação atualizada na matrícula das escolas paulistas — a escola não pode recusar o aluno, mas deve notificar o Conselho Tutelar em caso de recusa injustificada dos pais; o Bolsa Família condiciona o benefício ao calendário vacinal em dia. Os instrumentos existem; o que falta, como a campanha de agosto mostrou, é aplicá-los: escola que confere carteirinha na matrícula e Conselho Tutelar que age na recusa. A Vigilância pediu à Educação o cruzamento dos dados de matrícula e vacinação para a busca ativa.

O que a Secretaria fará

Novas rodadas nas escolas, busca ativa de faltosos com as ESFs, reforço de comunicação com a Educação e divulgação dos resultados por escola — a transparência que a Vigilância adotou em agosto. A meta é elevar a cobertura de HPV e meningo até o fim do ano.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a notícia deve incomodar. "A Prefeitura levou vacina para dentro da escola e nove em cada dez adolescentes saíram sem. Não por falta de dose — por falta de assinatura. É o pai que não leu a agenda, ou leu e não quis. Tavane Malaguese publicou os números por escola, o que é raro e corajoso. Araras tem 2 mil pessoas no Sábado com Saúde e 10% na Judith Ferrão: a cidade que se cuida é a mesma que descuida dos filhos adolescentes. HPV é câncer; meningite é morte. A carteirinha do adolescente é o documento mais importante que ele tem e o que menos se olha. Que a segunda semana tenha mais assinatura", analisa.

A Campanha de Multivacinação nas escolas de Araras, para crianças e jovens de 9 a 15 anos, foi realizada em agosto de 2026 pela Secretaria Municipal da Saúde, com resultados de 10% a 17,6% de adesão nas três primeiras escolas estaduais e continuidade em mais três unidades entre 19 e 21 de agosto.