A Prefeitura de Araras, pela Secretaria Municipal da Saúde, vistoriou 528 casas na região norte no sábado (28 de fevereiro), em mutirão contra a dengue nos jardins Santo Antônio, Santa Rosa e Nossa Senhora Aparecida. Os agentes de combate a endemias retiraram possíveis criadouros do Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya, e orientaram moradores. "Normalmente temos muitos casos nessa região da cidade, então intensificamos o combate à dengue e também aproveitamos para orientar a população", explicou o coordenador do Setor de Combate a Endemias, Carlos Cândido. As equipes registraram 338 casas fechadas, 39 desocupadas, 20 vistorias parciais e três recusas. As informações são do portal Notícias de Araras.
Foi o segundo mutirão de 2026 — o primeiro aconteceu em janeiro, no Parque Tiradentes. Segundo o boletim de 24 de março, Araras tinha 11 casos confirmados de dengue no ano, 7 suspeitos aguardando exame, nenhum óbito e ninguém internado. Os agentes trabalham identificados e uniformizados, com dados no site araras.sp.gov.br/agentes. A Secretaria reforça: não deixar água parada em potes e pratos de plantas, descartar corretamente lixo e entulho, e trocar a água dos animais lavando a vasilha.
Região norte: por que concentra casos
Os jardins Santo Antônio, Santa Rosa e Nossa Senhora Aparecida — bairros densos, com quintais, terrenos baldios e comércio — historicamente registram os maiores índices de infestação do Aedes em Araras, pela combinação de lotes pequenos com muitos recipientes, caixas d'água sem tampa e descarte irregular de entulho; o Parque Tiradentes, vistoriado em janeiro, é outro foco recorrente. O mutirão de sábado atinge quem trabalha na semana e não está em casa na visita rotineira — mas as 338 casas fechadas, dois terços do total, mostram o limite: o agente não entra onde não há ninguém.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o número que importa é o das casas fechadas. "Quinhentas e vinte e oito vistoriadas, 338 fechadas — 64%. O mutirão de sábado existe justamente para achar gente em casa e, mesmo assim, dois terços estavam vazias ou sem atender. É o obstáculo de toda cidade: o criadouro está no quintal de quem não abre. Onze casos confirmados em março é número baixo — Araras teve centenas em 2024 — e o mérito é da vigilância de Carlos Cândido, que faz mutirão desde janeiro, e do verão irregular. Mas dengue explode em abril. O mutirão na Aparecida é seguro contra o pico; o morador que abre a porta é o outro seguro", avalia.
Como o agente trabalha
Uniformizado, com crachá e registro consultável no site da Prefeitura, o agente de combate a endemias vistoria quintal, ralos, calhas, caixa d'água, vasos, pneus e recipientes; elimina ou trata criadouros com larvicida; orienta o morador; e registra a visita — casa vistoriada, fechada, recusada. Recusa é direito do morador, mas dificulta o controle; casa fechada recebe nova visita ou notificação.
Casas fechadas: o que a Vigilância faz
Para as 338 fechadas, a Secretaria programa revisita em outro horário, deixa aviso e, em imóveis abandonados ou com foco visível, aciona a Fiscalização Urbana para notificação e, no limite, entrada administrativa prevista em lei desde 2015 para casos de risco. Os 39 desocupados são o alvo prioritário da fiscalização.
Boletim: os 11 casos
Onze confirmados e sete suspeitos até 24 de março, sem óbito nem internação — cenário muito melhor que o de 2024, ano da maior epidemia da história de São Paulo, quando Araras teve centenas de casos e mortes. A queda reflete imunidade da população pós-epidemia, verão menos favorável ao mosquito e a vigilância contínua; o risco é a chegada de novo sorotipo.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o mutirão é a política de saúde mais barata e mais dependente do morador. "Agente, larvicida, sábado de trabalho — custa pouco. O que decide é o quintal: prato de planta, pneu, calha, caixa d'água aberta. Carlos Cândido pode vistoriar mil casas; se o morador enche o pote de novo, o Aedes volta em uma semana. Onze casos em março é vitória de 2026 sobre 2024, e a Secretaria tem razão em ir à região norte antes do pico. O que a cidade deve fazer é abrir a porta — e olhar o próprio quintal, com ou sem agente", observa.
LIRAa: o índice que orienta o mutirão
O Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti, feito quatro vezes ao ano por amostragem de imóveis, mede o percentual de casas com larvas — abaixo de 1% é satisfatório, de 1% a 3,9% é alerta, acima de 4% é risco de surto — e identifica os tipos de criadouro predominantes por bairro: pratos de planta, ralos, caixas d'água, lixo. É o LIRAa que aponta a região norte como prioridade e que define onde o mutirão vai; o resultado de janeiro de 2026 em Araras orientou as ações no Parque Tiradentes e na Aparecida.
Vacina da dengue: o que existe
A vacina Qdenga, incorporada ao SUS em 2024 para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em municípios prioritários, e a vacina do Butantan, em fase final de aprovação em 2026 com dose única para adultos, são o complemento futuro ao controle do mosquito — mas nenhuma substitui a eliminação de criadouros, porque o Aedes também transmite zika e chikungunya. Araras aplica a Qdenga na faixa etária indicada nas unidades de saúde, e o Sábado com Saúde inclui a vacina na oferta.
Agentes de endemias: quem são
Os agentes de combate a endemias são servidores da Secretaria de Saúde com formação específica, responsáveis por visitas domiciliares, tratamento de criadouros, pesquisa larvária, bloqueio de casos e educação; Araras tem dezenas deles sob a coordenação de Carlos Cândido, organizados por área. O registro público no site da Prefeitura — nome e foto — combate golpes de falsos agentes, comuns em campanhas, e dá ao morador segurança para abrir a porta.
Aedes aegypti: o ciclo
O mosquito põe ovos em água parada limpa — a fêmea prefere recipientes pequenos e sombreados —, os ovos resistem meses à seca e eclodem com a chuva; a larva vira adulto em uma semana. Eliminar criadouros em fevereiro e março, antes das chuvas de outono, reduz a população que transmite em abril e maio, meses de pico no interior paulista.
Zika e chikungunya: os outros vírus
O mesmo mosquito transmite zika — grave em gestantes, pela microcefalia — e chikungunya, com dores articulares prolongadas; Araras monitora os três, e o mutirão protege contra todos. A febre oropouche, transmitida por outro inseto, é vigiada à parte.
Dengue em 2024: a memória
São Paulo teve mais de 1,5 milhão de casos e mais de mil mortes em 2024; Araras enfrentou tenda de hidratação, unidades lotadas e óbitos, e a Secretaria reestruturou a vigilância. Os mutirões de 2026 são herança dessa crise: ação precoce, por região, com registro público.
Fumacê: quando é usado
A nebulização com inseticida — o fumacê — é aplicada apenas em bloqueio de casos confirmados, num raio de quarteirões ao redor da residência do doente, para matar mosquitos adultos infectados; não substitui a eliminação de criadouros, tem efeito de horas e gera resistência se usada em excesso. Com 11 casos, a Vigilância fez bloqueios pontuais em 2026, sem nebulização em massa.
O que o morador deve fazer
Dez minutos por semana no quintal: virar potes, encher pratos de planta com areia, tampar caixa d'água, limpar calhas, guardar pneus, trocar água de animais lavando a vasilha, descartar entulho no ecoponto. Em caso de febre, dor no corpo e manchas, procurar a unidade de saúde e não tomar anti-inflamatório.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o boletim de março é para ser lembrado em maio. "Onze casos, zero óbitos, zero internados. Se em maio Araras estiver com dezenas, alguém deixou o prato da planta cheio. A Secretaria fez dois mutirões em dois meses, 528 casas num sábado, agente identificado no site. Baiano da Farmácia e Carlos Cândido estão fazendo a parte deles. A parte da cidade é a que ninguém fiscaliza: o quintal. O mutirão na região norte é a chance de 2026 não repetir 2024 — e 338 portas fechadas dizem que a chance depende de quem está do lado de dentro", analisa.
O mutirão contra a dengue na região norte de Araras foi realizado em 28 de fevereiro de 2026, com vistoria de 528 casas nos jardins Santo Antônio, Santa Rosa e Nossa Senhora Aparecida. Segundo boletim de 24 de março de 2026, a cidade registrava 11 casos confirmados no ano.


