A Prefeitura de Araras, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, realizou no sábado, 16 de maio, um mutirão de combate à dengue no Jardim Morumbi, na região leste. No total, 615 imóveis foram vistoriados e aproximadamente duas toneladas de materiais que poderiam servir como criadouros do Aedes aegypti foram retiradas. As equipes do Setor de Combate a Endemias registraram também 414 imóveis fechados — casas em que não havia ninguém para receber os agentes. As informações são do portal Notícias de Araras.

Foi o quarto mutirão contra a dengue de 2026: em janeiro, as equipes estiveram no Parque Tiradentes; em março, nos Jardins Santo Antônio, Santa Rosa e Nossa Senhora Aparecida; em abril, no Jardim Aeroporto, o Conjunto Habitacional Prefeito Milton Severino. Segundo o boletim epidemiológico de 12 de maio, Araras tinha 27 casos confirmados de dengue no ano, com cinco pessoas aguardando resultado, nenhum internado e nenhum óbito.

Duas toneladas em 615 casas

A quantidade de material retirado — cerca de duas toneladas — dá a dimensão do que se acumula em quintais: pneus, garrafas, potes, entulho, eletrodomésticos velhos, calhas entupidas. Cada item que acumula água é criadouro potencial; o Aedes aegypti se reproduz em quantidades mínimas de água parada, e o quintal é o principal foco urbano. O mutirão faz em um dia o que a visita de rotina dos agentes faz ao longo de meses: entra, identifica, remove. A caçamba cheia é o resultado visível; o invisível é a redução de focos nas semanas seguintes.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o dado a comemorar é o que não aconteceu. "Vinte e sete casos em maio, ninguém internado, ninguém morto — em 2026, num estado que teve epidemia de dengue em 2024 com centenas de mortes. Araras está controlando. E está controlando com o método antigo e certo: agente batendo de porta em porta, mutirão de sábado no bairro, caçamba de entulho. Quatro mutirões em cinco meses, cada um numa região. Não é tecnologia, é rotina. O que preocupa são as 414 casas fechadas — dois terços das vistoriadas. O mosquito não sabe que o dono saiu", avalia.

414 imóveis fechados: o ponto cego

De 615 imóveis visitados, 414 estavam fechados — proporção alta, típica de mutirão em sábado de manhã, quando moradores trabalham ou saem. Casa fechada é casa não vistoriada, e quintal não vistoriado é foco em potencial. As equipes registram os endereços para retorno na rotina semanal, mas a cobertura completa depende de o morador receber o agente — ou de fazer ele mesmo a verificação. A Prefeitura mantém no site a relação de agentes, com nome e foto, para que o morador confirme a identidade antes de abrir a porta.

Agentes identificados e verificáveis

Os agentes de endemias trabalham identificados e uniformizados, e seus dados estão disponíveis na página de agentes do site da Prefeitura. A medida responde ao receio — justificado — de golpes com falsos agentes, e dá ao morador a segurança de que quem pede para entrar no quintal é servidor. É pré-requisito para reduzir o número de casas fechadas: parte dos moradores que não abrem o faz por desconfiança.

Quatro mutirões, quatro regiões

A sequência de 2026 — Parque Tiradentes em janeiro, Santo Antônio, Santa Rosa e Aparecida em março, Jardim Aeroporto em abril, Morumbi em maio — cobre regiões diferentes da cidade e segue a lógica de priorizar bairros com histórico de casos ou de focos. Os mutirões concentram equipes de endemias, apoio de outras secretarias e caçambas para recolher o material; o morador é orientado a deixar o entulho acessível. A regularidade mensal é o que sustenta o resultado epidemiológico.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o boletim é o que valida o mutirão. "Vinte e sete casos confirmados em 12 de maio, num município de 135 mil habitantes, é incidência baixa para o interior paulista. Cidades vizinhas da região de Campinas tiveram números bem maiores nos últimos anos. A diferença está na vigilância: Araras faz mutirão em janeiro, antes de a chuva de verão encher os criadouros, e repete a cada mês. Prevenir dengue é trabalho de verão que se colhe no outono. O boletim de maio mostra a colheita", observa.

Dengue em 2026: o cenário paulista

Após a epidemia de 2024 — a maior da história do estado de São Paulo, com centenas de mortes — e um 2025 de transmissão elevada, 2026 registrou redução nos casos em boa parte do interior, resultado de imunidade adquirida, vigilância reforçada e, em algumas cidades, vacinação de adolescentes. Araras se enquadra nesse cenário, com número de casos controlado. A vigilância não relaxa: o vírus circula em quatro sorotipos, e a imunidade a um não protege dos demais.

Aedes aegypti: como se reproduz

O mosquito da dengue deposita os ovos na parede interna de recipientes com água limpa e parada — e os ovos resistem meses à seca, eclodindo quando a água volta. Por isso o entulho seco do quintal é foco: na primeira chuva, vira berçário. O ciclo do ovo ao adulto leva cerca de uma semana no calor, e a fêmea pica várias pessoas ao longo da vida, transmitindo o vírus de um doente aos vizinhos. O raio de voo é curto — poucas centenas de metros —, o que faz da vistoria casa a casa a estratégia mais eficaz: eliminar o criadouro elimina o mosquito daquele quarteirão.

A vacina: quem pode tomar

A vacina contra a dengue incorporada ao SUS é indicada, na rede pública, a adolescentes de 10 a 14 anos em municípios priorizados pelo Ministério da Saúde conforme incidência e população; na rede privada, é oferecida de 4 a 60 anos. Reduz casos graves e hospitalizações, mas não substitui o controle do vetor — o mosquito também transmite zika e chikungunya, para as quais não há vacina no SUS. Em Araras, a prevenção segue centrada nos agentes e nos mutirões; a Secretaria orienta sobre a vacina nos postos.

Notificação e boletim

Todo caso suspeito de dengue atendido na rede pública ou privada é notificado à Vigilância Epidemiológica, que registra, acompanha o resultado do exame e consolida os números no boletim semanal. Os 27 confirmados de 12 de maio são casos com exame positivo; os cinco "aguardando resultado" são suspeitos em investigação. A publicação semanal permite à população acompanhar a tendência e à Secretaria direcionar os mutirões aos bairros com mais notificações — o critério que levou as equipes ao Morumbi.

Como o mutirão é organizado

O mutirão mobiliza os agentes de endemias, servidores de outras secretarias, caminhões e caçambas da Secretaria de Serviços Urbanos e, em alguns casos, apoio da Defesa Civil. O bairro é dividido em quarteirões, cada dupla de agentes recebe um trecho, e o material recolhido é levado às caçambas posicionadas em pontos do bairro. Os moradores são avisados dias antes por redes sociais e carro de som para deixarem o entulho acessível. Em quatro a cinco horas de sábado, uma equipe de dezenas de pessoas cobre o que a rotina levaria semanas.

Sintomas e onde procurar

A orientação da Secretaria é procurar o posto de saúde mais próximo em caso de febre, dor de cabeça, dor no corpo, dor atrás dos olhos, coceira, manchas na pele, vômito ou diarreia. O diagnóstico precoce reduz o risco de agravamento — os sinais de alarme da dengue, como dor abdominal intensa e sangramento, exigem atendimento imediato. A rede básica de Araras faz o teste e notifica; o boletim semanal consolida.

O que o morador pode fazer

As ações são simples e conhecidas: não deixar água parada em pratos de plantas, descartar corretamente lixo e entulho, trocar a água dos animais, guardar garrafas, pneus e potes sem acúmulo de água, manter caixas d'água tampadas e calhas limpas. Dez minutos por semana no quintal eliminam a maioria dos focos domésticos — e é o que os agentes fazem quando a porta abre.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a lição de Araras é repetível. "Não há segredo: agente na rua, mutirão mensal, caçamba, site com a lista de agentes, boletim publicado. Qualquer cidade pode fazer. A maioria faz só quando a epidemia já chegou. Araras fez em janeiro, quando não tinha caso, e por isso em maio tem 27. O morador que fecha a porta no sábado deveria saber que o mutirão é por ele — o mosquito que nasce no quintal do vizinho pica na casa dele. Duas toneladas de entulho é muita dengue que não vai acontecer", analisa.

O mutirão contra a dengue no Jardim Morumbi foi realizado em 16 de maio de 2026 pela Secretaria Municipal da Saúde de Araras. A relação de agentes de endemias está disponível no site da Prefeitura.