No sábado (9 de maio), véspera do Dia das Mães, a Secretaria Municipal da Saúde de Araras realizou trabalho de combate à dengue no Cemitério Municipal, com o objetivo de conscientizar sobre como evitar criadouros do Aedes aegypti no local — em especial recipientes que acumulam água. A ação, coordenada pelo Setor de Combate a Endemias, foi feita no fim de semana de maior movimento do cemitério por conta da data. "A nossa intenção foi orientar o pessoal sobre o acúmulo de água nos vasos de plantas e nas embalagens plásticas das flores colocadas nos túmulos. A recomendação é para que se evite tudo que possa acumular água, facilitando a proliferação do mosquito da dengue", explicou o coordenador de Endemias, Carlos Calsior Cândido. As informações são do portal Notícias de Araras.

A equipe voltou ao cemitério na semana seguinte para recolher materiais deixados nas homenagens e que poderiam virar criadouros. "Durante essa semana, infelizmente, vamos ter que retirar as embalagens dos vasos das flores que ficaram e verificar também os pratinhos das plantas. Além disso, sempre que possível, orientar os frequentadores do cemitério sobre os cuidados a respeito da dengue", completou. Informações pelo telefone (19) 3551-5840, do Setor de Endemias.

Cemitério: o criadouro que ninguém vê

Cemitérios são, sabidamente, um dos principais focos urbanos do Aedes aegypti: vasos de flores com água, embalagens plásticas de arranjos, pratinhos, jarras e floreiras em milhares de túmulos, expostos à chuva e sem morador para esvaziar. Em datas como Dia das Mães, Finados e Dia dos Pais, o volume de flores multiplica os recipientes. Por isso os programas de controle de dengue tratam cemitérios como pontos estratégicos, com vistoria semanal e ações em datas de pico — e Araras segue o protocolo.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a ação é inteligente pela hora e pelo lugar. "Dia das Mães é o dia em que mais gente vai ao cemitério e mais flor fica nos túmulos — em vaso, em embalagem plástica, em pratinho. Cada um enche de água na primeira chuva. A Endemias de Araras foi no sábado orientar quem chegava e voltou na semana seguinte recolher o que ficou. É o ciclo completo: prevenir e limpar. Um cemitério com dez mil túmulos é um bairro inteiro de criadouros sem dono. Tratar como tal, no dia certo, é o que mantém os 29 casos no ano em vez de 290", avalia.

Vasos e embalagens: o que fazer

A orientação aos visitantes é simples: preferir flores sem água — secas, artificiais — ou usar vasos com areia em vez de água; retirar a embalagem plástica do arranjo antes de deixá-lo; furar o fundo de vasos e jarras; não deixar pratinhos. O que fica é recolhido pelos agentes na vistoria — e, no caso do Dia das Mães, foi retirado na semana seguinte, com o cuidado de preservar a homenagem sempre que possível.

Finados: o próximo pico

O Dia de Finados, em 2 de novembro, é o maior movimento anual do cemitério e coincide com o início da estação chuvosa — a pior combinação para a dengue. A Secretaria costuma repetir a ação de orientação e recolhimento, e o Cemitério Municipal entra no cronograma de vistoria intensiva de outubro. O modelo do Dia das Mães é o ensaio.

Serviços Públicos: a manutenção paralela

Na mesma semana, a Secretaria de Serviços Públicos intensificou capina, limpeza e pintura no cemitério para o Dia das Mães — a preparação anual que precede as datas de visitação. A ação da Saúde se soma a ela: enquanto Serviços Públicos cuida do aspecto, a Endemias cuida do mosquito. É a mesma dupla que atua nos mutirões de bairro.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o cemitério revela a lógica do controle vetorial. "A dengue não se combate onde o caso aparece; combate-se onde o mosquito nasce. Cemitério, borracharia, ferro-velho, terreno baldio, casa de acumulador — são os pontos estratégicos que a Endemias mapeia e visita toda semana, independentemente de haver caso. Araras faz isso com cronograma e publica. O Dia das Mães no cemitério é uma linha desse cronograma. Quando o boletim de agosto diz zero caso desde junho, é o resultado de sábados como o de 9 de maio", observa.

Licenciamento e dengue: o mesmo cemitério

O Cemitério Municipal de Araras está em processo de licenciamento ambiental junto à Cetesb, com poços de monitoramento do lençol freático perfurados a partir de maio. A ação contra a dengue e o estudo ambiental são frentes diferentes sobre o mesmo equipamento: uma cuida da água parada na superfície; a outra, da água subterrânea. As duas Secretarias — Saúde e Meio Ambiente — atuam no mesmo espaço com objetivos complementares.

Vaso com areia: a solução simples

A alternativa mais eficaz para quem quer deixar flores naturais é o vaso preenchido com areia grossa úmida: mantém a flor por dias, sem água livre em que o mosquito possa depositar ovos. Floriculturas da cidade vendem arranjos já montados nesse formato, e a Secretaria orienta que os visitantes peçam. Outra opção é o vaso furado, que escoa a chuva. São soluções que preservam o gesto sem criar o criadouro — e que a orientação de sábado apresentou a quem chegava.

Flores artificiais: prós e contras

Flores artificiais eliminam a água, mas suas embalagens plásticas e os pratinhos em que são apoiadas também acumulam chuva — o problema, portanto, não é a flor, é o recipiente. A orientação vale para os dois casos: sem embalagem, sem pratinho, sem jarra. A equipe da Endemias recolhe, na vistoria, exatamente esses itens, e não as flores em si.

O mosquito no cemitério: o que os índices mostram

Levantamentos de infestação em cemitérios de cidades paulistas encontram, em datas de pico, índices de recipientes positivos para larvas muito superiores aos de bairros residenciais — o que confirma o local como ponto estratégico. Em Araras, o Setor de Endemias inclui o Cemitério Municipal na rotina quinzenal e intensifica em maio, agosto e novembro. O boletim de 2026, com 29 casos no ano, é o resultado agregado dessa vigilância.

Pontos estratégicos: a lista

O Programa Nacional de Controle da Dengue define como pontos estratégicos os locais com grande concentração de possíveis criadouros — cemitérios, borracharias, ferros-velhos, depósitos de materiais de construção, floriculturas — que recebem vistoria quinzenal ou semanal, independentemente do índice de infestação. Em Araras, o Setor de Endemias mantém a lista atualizada e a percorre em rotina, com reforço em datas e períodos críticos.

Setor de Endemias: a equipe

O Setor de Combate a Endemias da Secretaria da Saúde reúne os agentes que fazem visitas domiciliares, mutirões, vistoria de pontos estratégicos, bloqueio de casos e ações educativas — sob a coordenação de Carlos Calsior Cândido. É a mesma equipe que retirou dez toneladas de uma casa de acumuladora no Parque Tiradentes em junho e que visitou 992 casas no Parque Dom Pedro em agosto. A ação no cemitério é uma linha do calendário anual, com data marcada pelo movimento de visitantes.

Orientação em vez de multa

A abordagem no cemitério foi educativa: orientação a quem chegava, sem multa nem impedimento de deixar flores. A Prefeitura tem poder de autuar proprietários por criadouros em imóveis particulares; no cemitério, público, a estratégia é convencer e recolher. O telefone do Setor de Endemias — (19) 3551-5840 — atende dúvidas e denúncias de focos.

O que o visitante pode fazer

Levar flores secas ou artificiais; se levar naturais, retirar a embalagem e usar vaso com areia; não deixar pratinhos, garrafas ou jarras; levar de volta o que não ficar no túmulo. São cuidados que preservam a homenagem e evitam que o gesto de amor vire criadouro de mosquito.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a ação tem a delicadeza que o tema exige. "Recolher vaso de flor de túmulo de mãe na semana seguinte ao Dia das Mães é trabalho que precisa de tato — e a Endemias fez com orientação antes e retirada cuidadosa depois. O coordenador disse 'infelizmente vamos ter que retirar', reconhecendo o peso. É saúde pública feita com respeito ao luto. Araras protege o vivo sem desrespeitar o morto. E o resultado está no boletim: zero caso novo no inverno", analisa.

A ação de combate à dengue no Cemitério Municipal de Araras foi realizada em 9 de maio de 2026 pelo Setor de Combate a Endemias da Secretaria Municipal da Saúde, com recolhimento de materiais na semana seguinte. Informações pelo telefone (19) 3551-5840.