As equipes do Setor de Combate a Endemias de Araras realizaram no sábado (29 de agosto) mais um mutirão contra a dengue, no Parque Dom Pedro, na região sul. Ao todo, 992 casas foram visitadas — 643 abertas, 316 fechadas e 19 parciais — e o material recolhido incluiu pneus, vasos, recipientes plásticos, um tanquinho e ferros velhos. Foi o quinto mutirão do ano, após Parque Tiradentes em janeiro, Jardim São João em fevereiro, Jardim Aeroporto em abril e Jardim Morumbi em maio. As informações são da Prefeitura de Araras.
Segundo o boletim epidemiológico de terça-feira (25), Araras confirmou 29 casos de dengue em 2026, com quatro aguardando resultado e nenhuma morte; desde junho, o município não registra novos casos confirmados. Durante a ação, os agentes eliminam criadouros do Aedes aegypti — transmissor de dengue, zika, chikungunya e febre amarela — e orientam os moradores sobre prevenção, sintomas e onde buscar atendimento.
992 casas: a escala
Quase mil imóveis num único sábado é o maior mutirão do ano em número de visitas — o do Jardim Morumbi, em maio, cobriu 615. O Parque Dom Pedro é bairro extenso da região sul, com casas de quintal, e o volume de material recolhido — do tanquinho ao pneu — mostra o que se acumula fora da vista. A proporção de 65% de casas abertas é superior à do Morumbi, onde dois terços estavam fechadas: sábado de fim de mês, com aviso prévio, rendeu mais portas abertas.
Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o dado que importa é o do boletim. "Vinte e nove casos no ano, nenhum desde junho, nenhuma morte. Numa cidade de 135 mil habitantes, num estado que teve epidemia há dois anos, isso é controle exemplar. E o quinto mutirão de 2026 acontece exatamente quando não há caso — em agosto, no seco, antes de a chuva de outubro encher os criadouros. É o timing certo: limpar o quintal antes de o mosquito voltar. O Setor de Endemias de Araras trabalha por calendário, não por surto. É a diferença entre prevenir e correr atrás", avalia.
Sem caso novo desde junho: por quê
A ausência de casos confirmados de junho a agosto reflete a sazonalidade — o inverno seco reduz a população do Aedes — e o efeito acumulado dos mutirões e das visitas de rotina. Casos de dengue no interior paulista concentram-se de novembro a maio; agosto é o vale. A vigilância aproveita o período para reduzir o estoque de criadouros antes da temporada — o que faz o quinto mutirão ser, na prática, o primeiro da próxima estação.
Parque Dom Pedro: o bairro
O Parque Dom Pedro, na região sul, é bairro consolidado de casas térreas com quintais — ambiente em que pneus, vasos e entulho se acumulam e viram criadouros. Foi também cenário, dias depois, de uma ocorrência de violência doméstica atendida pela PM na Operação Impacto. Os agentes de endemias, identificados e com dados no site da Prefeitura, percorreram as ruas em duplas, com caçambas em pontos do bairro.
316 casas fechadas: o retorno
As 316 casas fechadas e as 19 com vistoria parcial ficam registradas para retorno na rotina semanal dos agentes — quintal não vistoriado é foco potencial. A Secretaria pede que moradores que não estavam em casa recebam o agente na visita seguinte e, enquanto isso, verifiquem eles mesmos ralos, calhas, vasos e recipientes.
Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o calendário de mutirões é política pública em sua forma mais eficiente. "Janeiro Tiradentes, fevereiro São João, abril Aeroporto, maio Morumbi, agosto Dom Pedro. Cinco bairros grandes em oito meses, com número de casas, de fechadas e de material recolhido publicado. Isso custa agentes, caçamba e um sábado — e rende 29 casos no ano em vez de 290. A Secretaria da Saúde de Araras faz o que o Ministério recomenda e a maioria não faz: mutirão no seco. Quando outubro chover, o Parque Dom Pedro vai ter menos pneu com água. É assim que se ganha da dengue: antes", observa.
O que os agentes fazem na visita
Em cada casa aberta, o agente vistoria quintal, área de serviço, calhas, caixa d'água e ralos; elimina água parada; aplica larvicida onde não é possível eliminar o recipiente; recolhe material inservível para a caçamba; e orienta o morador com folheto e conversa sobre sintomas — febre, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, manchas, vômito — e sobre procurar o posto. É trabalho de dez a quinze minutos por imóvel, repetido quase mil vezes num dia.
Zika, chikungunya, febre amarela
O Aedes aegypti transmite, além da dengue, zika — com risco de microcefalia em gestantes —, chikungunya — com dores articulares que persistem meses — e febre amarela urbana, erradicada no Brasil mas com risco de reintrodução. O controle do vetor protege contra as quatro; a vacina da dengue, no SUS para adolescentes em áreas priorizadas, e a da febre amarela, no calendário, são complementares, não substitutas.
Cinco mutirões: o mapa de 2026
Parque Tiradentes, na zona norte, em janeiro — bairro do primeiro mutirão e da retirada de dez toneladas de uma casa de acumuladora em junho; Jardim São João em fevereiro; Jardim Aeroporto, o conjunto Milton Severino, em abril; Jardim Morumbi, na zona leste, em maio, com 615 casas; Parque Dom Pedro, na zona sul, em agosto, com 992. A sequência cobre as quatro regiões e prioriza bairros populosos de casas com quintal, onde os criadouros se concentram. Cada mutirão é precedido de aviso nas redes e carro de som, e seguido de registro no boletim.
Tanquinho, pneu, ferro-velho: os criadouros
O tanquinho abandonado no quintal — máquina de lavar semiautomática fora de uso — é criadouro clássico: acumula água da chuva no tambor. Pneus guardados "para alguma coisa" retêm água entre as bordas. Ferro-velho e sucata formam cavidades. Vasos com pratinho, garrafas, latas e tampas completam a lista. O mutirão recolhe o que o morador autoriza; o que fica, o agente trata com larvicida e orienta a virar, tampar ou furar. Duas toneladas no Morumbi e volume semelhante no Dom Pedro dão a medida do que se acumula em um bairro.
Agentes identificados: o site
Os agentes de endemias trabalham uniformizados, com crachá e nome na página de agentes do site da Prefeitura, onde o morador confirma a identidade antes de abrir o portão — resposta ao receio de golpes com falsos agentes. A medida, adotada em 2026, é parte do esforço para reduzir o número de casas fechadas: parte dos moradores que não abre o faz por desconfiança, não por ausência.
Boletim: como acompanhar
A Secretaria da Saúde publica boletim epidemiológico semanal com casos notificados, confirmados, em investigação e descartados, por bairro — o que permite direcionar mutirões e permite ao morador acompanhar a situação do seu bairro. O boletim de 25 de agosto é a referência da ação de sábado; o próximo incorpora o resultado dos quatro casos em análise.
Próximo mutirão
A Secretaria não divulgou o próximo bairro; o padrão de 2026 sugere ação em setembro ou outubro em região ainda não atendida — zona oeste ou centro —, antes das primeiras chuvas fortes da primavera, que costumam chegar em outubro. Com a chegada das chuvas, a frequência tende a aumentar. Moradores podem solicitar vistoria e denunciar terrenos com água parada pelos canais da Prefeitura e pelo 156.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o mutirão do Dom Pedro é a rotina que salva vidas sem manchete. "Novecentas e noventa e duas casas, um tanquinho, pneus, ferro-velho — e um boletim com zero caso desde junho. Não é sorte. É o quinto sábado do ano em que agentes da Prefeitura entram em quintal para tirar água parada. A cidade que faz isso em agosto, quando ninguém está pensando em dengue, é a que não vai ter fila no posto em janeiro. A pergunta para o morador do Dom Pedro que estava com a casa fechada é simples: o agente vai voltar. Abra", analisa.
O mutirão contra a dengue no Parque Dom Pedro, em Araras, foi realizado em 29 de agosto de 2026 pelo Setor de Combate a Endemias da Secretaria Municipal da Saúde. O boletim epidemiológico de 25 de agosto registrava 29 casos confirmados no ano, sem óbitos.



